Experiências internacionais de organização partidária

Por Valter Pomar (*)

Texto integrante da publicação: Livreto sobre organização partidária

Antes de entrar no mérito, uma breve contextualização. Em 6 de dezembro de 2025, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu convocar o 8º Congresso Nacional. Na mesma ocasião, foi eleita uma comissão coordenada por Jilmar Tatto, composta por quatro outros dirigentes responsáveis pela elaboração de projetos de resolução sobre conjuntura e tática (Anne Moura), diretrizes de governo 2027-2030 (Cristiano de Oliveira), programa do partido (José Dirceu) e organização e estatuto (Valter Pomar). Posteriormente, foi encomendado a Paulo Okamoto que ficasse responsável por um quinto projeto de resolução, sobre a Fundação Perseu Abramo.

Cada um desses cinco dirigentes adotou uma sistemática própria de trabalho. Meu ponto de vista está aqui: ‘A classe trabalhadora tem que participar do PT’ | Partido dos Trabalhadores. As opiniões dos cinco coordenadores sobre o Congresso podem ser assistidas aqui: PT realiza 8º Congresso Nacional com foco em Soberania, Reconstrução e Futuro | Partido dos Trabalhadores. E os documentos produzidos por cada um podem ser acessados aqui: 8º Congresso Nacional do PT – Soberania, Reconstrução e Futuro.

No caso da subcomissão de organização e estatuto, constituímos um Grupo de Trabalho aberto a interessados, que fez várias reuniões virtuais e um seminário presencial, além de solicitarmos aos interessados que nos enviassem propostas. Desse processo, resultou uma sistematização com 139 projetos de resolução sobre diferentes questões organizativas e estatutárias, que pode ser lida aqui: ORGANIZAÇÃO E ESTATUTOS (VERSÃO FINAL)

Além disso, produzimos cinco livretos com subsídios ao debate. O primeiro deles, organizado por Alana Gonçalves, contém todas as resoluções adotadas pelo Partido, desde 1980, sobre temas organizativos e estatutários. O segundo deles, feito por André Oliveira, apresenta um diagnóstico estatístico da situação partidária. O terceiro livreto traz os resultados de uma pesquisa com a militância, organizada por Ruan Bernardo e Izabel Costa. O quarto deles é uma coletânea de entrevistas, feitas por Rita Camacho, com ex-presidentes nacionais do Partido e, também, com o presidente Edinho Silva. O quinto livreto é um ensaio da professora Maria Caramez Carlotto, conselheira da Fundação Perseu Abramo, sobre o contexto presente e futuro da atuação do Partido dos Trabalhadores. Os cinco livros são digitais e estão disponíveis para download no site da Fundação Perseu Abramo: https://fpabramo.org.br/2026/01/09/8o-congresso-do-pt-acesse-o-compilado-de-resolucoes-de-encontros-e-congressos-1980-a-2025/

Nosso plano de voo incluía produzir um sexto livreto, sobre experiências internacionais. Este sexto livreto continha duas partes: uma relação bibliográfica, realizada por Jackson Silva Ribeiro e entregue no prazo devido; e um texto analítico, de responsabilidade do autor destas linhas, que prometeu entregar o texto em fevereiro, adiou para março e somente entregou agora, quando faltam poucos dias para a abertura do 8º Congresso Nacional do PT. Apesar do atraso, entendemos que é útil a divulgação deste sexto livreto, até porque não está claro se o plenário do Congresso conseguirá debater todos os temas ou se haverá uma continuidade, em outra data.

Isto posto, entrando no tema: embora não haja uma pesquisa que permita confirmar a afirmação que virá a seguir, é bastante provável que a grande maioria dos filiados e filiadas ao PT não conheça outra experiência partidária, além da petista. E, sobre a petista, conheça pouco a “pré-história” (final dos anos 1970) e a história do Partido nas suas primeiras décadas de vida (anos 1980 e 1990). Obviamente, isto é principalmente uma responsabilidade do Partido, que precisaria garantir ao conjunto da Nação petista maior acesso a espaços e instrumentos de formação política. Aliás, quem tiver interesse nesta história, recomendo a coleção História do Petismo, que, neste momento, está no seu segundo volume (ver: https://land.kotter.com.br/historia-do-petismo-landing.html).

Se a nossa própria história é pouco conhecida, que dizer da história de outros partidos mundo afora? Evidente que a militância que acompanha os sites do Partido e da Fundação Perseu Abramo, bem como o noticiário internacional, seguramente já ouviu falar no Foro de São Paulo, nos partidos comunistas de Cuba e da China, no Partido Socialista Unido da Venezuela, no Movimento Renovador Nacional de Claudia Sheinbaum, no Democratic Socialista of America dos Estados Unidos, no Partido Socialista Operário Espanhol de Pedro Sánchez, no Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela e que até hoje governa a África do Sul, sem falar, é claro, na Frente Ampla do Uruguai, entre outras organizações vinculadas à esquerda na América Latina e Caribe, na África, Ásia e Europa. Boas fontes a respeito, aliás, são a coleção Nossa América Nuestra, da própria Fundação Perseu Abramo, que também editou dois livros e um caderno sobre o Foro de São Paulo, além do livro do Kjeld Jakobsen sobre a política de relações internacionais do Partido dos Trabalhadores.

Tudo isto contabilizado, porém, é preciso reconhecer que nosso conhecimento coletivo — por coletivo refiro-me aos três milhões de filiados/as, ao meio milhão que votou no PED 2025 e aos cerca de 80 mil filiados e filiadas que na mesma ocasião concorreram a algum cargo partidário — acerca da experiência partidária em outros países é muito reduzido.

Assim sendo as coisas, o que vamos fazer aqui é um roteiro para estudo, que começa com uma afirmação que pode soar contraditória: é importante conhecer a história de outros partidos, mas esta história confirma que o mais importante é conhecer a história do nosso país, o que inclui suas relações com o mundo, suas classes e luta de classes, sua cultura geral e suas tradições políticas.

Partidos de trabalhadores tiveram grande êxito ou, mesmo sem grande êxito, constituem uma força com influência significativa, onde conseguiram criar raízes nacionais. Isso não necessariamente significa ser “nacionalista”, no sentido estreito da palavra, como é demonstrado pelo caso do Partido Comunista de Cuba, que possui tradições nacionais fortíssimas (a estátua de José Martí em Havana não nos deixa mentir) e que, ao mesmo tempo e talvez por isso mesmo, deu e segue dando mostras de um grande internacionalismo.

Alguém pode dizer que isto é uma expressão do internacionalismo proletário supostamente típico do movimento comunista, mas a esse respeito cabe uma segunda afirmação: embora sejamos tentados a enquadrar as organizações existentes mundo afora a partir de seu pertencimento a este ou aquele ramo ideológico da grande família da esquerda, a verdade é que embora o “rótulo ideológico” importe, mais importante é o conteúdo concreto da ação de cada partido na luta de classes dentro do seu próprio país e a política que defende e implementa na arena internacional.

O fato de uma organização se denominar partido, frente, comunista, socialista, social-democrata, de libertação, de esquerda, nacional e/ou revolucionário, de trabalhadores, operária, camponesa ou popular tem sua relevância para entender quem é esta respectiva organização, mas, como dissemos antes, o mais relevante é conhecer as posições concretas que toma na luta política e ideológica que está em curso no mundo, na região e no seu próprio país. Talvez seja também por isso que Lula, no discurso que fez no aniversário de 46 anos do PT, em Salvador (Bahia), se caracterizou como “social-democrata, mas revolucionário”.

Disso tudo, decorre uma terceira afirmação: experiências são ótimas, modelos não. A trajetória política da classe trabalhadora, no Brasil e mundo afora, é cheia de exemplos de que podemos e devemos aprender com as experiências de outros partidos e organizações. Aliás, o Foro de São Paulo, que existe desde 1990, foi e segue sendo um espaço muito importante de intercâmbio — nem sempre pacífico — das experiências políticas e organizativas da esquerda latino-americana e caribenha. Mas é um erro achar que as experiências organizativas são como certas tecnologias produtivas e administrativas que (supostamente) podem ser aplicadas de maneira similar em diferentes países. Pior ainda quando se tenta copiar e colar modelos organizativos que “funcionaram” não apenas em outros regiões, mas também em outras épocas históricas. Também por isso, o cemitério de partidos está cheio de autoproclamados “leninistas”, “maoístas”, “castristas”, “chavistas” etc.

Uma última observação: um pensador alemão disse uma vez que a coruja do conhecimento alça voo ao anoitecer. Dito de outra forma: a gente consegue conhecer as coisas quando as coisas já estão mudando. O caso do PT é muito ilustrativo disto: quando o Partido foi criado, o centro de nossa atividade era a luta social. A partir dos anos 1990 e até agora, o centro de nossa atividade passou a ser — gostemos ou não disso — a luta eleitoral. Isso produziu seus êxitos, a começar por um fato inédito na história brasileira: das últimas nove eleições presidenciais, o PT venceu cinco e ficou em segundo lugar nas outras quatro (não fosse o golpe de 2016-2018, o placar seria seis a três). Mas, apesar dos êxitos, a institucionalização do Partido produziu problemas gravíssimos, que devem ser debatidos no 8º Congresso com o objetivo de continuarmos tendo êxitos eleitorais sem os efeitos colaterais descaracterizadores que, se não todo mundo, a grande maioria de nós reconhece. O curioso é que estamos fazendo este debate no mesmo período histórico em que parte da classe dominante — no Brasil e no mundo — está dando “adeus às urnas”, o que exigirá de nós um grau de organização militante superior ao que conseguimos ter nos anos 1980. Ou seja, estamos debatendo como corrigir os problemas do presente e do passado recente, quando um futuro diferente já está batendo às nossas portas.

Na prática isto significa que — ao olhar para as experiências internacionais — devemos ser ecumênicos. Aliás, nossa política de relações internacionais pode ser definida desta forma: buscamos manter relações com partidos de esquerda e progressistas de diferentes tipos e orientações, inclusive dentro de um mesmo país. O que para alguns pode soar como oportunismo e falta de critério, para nós parece uma exigência dos tempos que vivemos e, também, uma decorrência de um aprendizado prático: relações partidárias, assim como as relações entre governos e Estados, não podem ser definidas apenas com base em critérios doutrinários. Claro que as pequenas organizações de esquerda pensam diferente. Mas partidos de massa, com grande influência política em seus próprios países e no mundo, são obrigados a manter algum tipo de relação com diferentes tipos de amigos e, inclusive, com alguns inimigos. O problema não está em manter estas relações, mas, sim, quando se começa a confundir focinho de porco com tomada, ou seja, quando se acha que todos são “companheiros”.

Tudo isso posto, o que segue é um roteiro para a militância que deseja conhecer experiências de partidos em outros países, que talvez possam ser úteis para nossa atuação aqui no Brasil. No segundo capítulo deste livro, temos um índice bibliográfico para quem deseje ler mais a respeito, além das obras que citamos nas notas de rodapé deste texto. Como todo roteiro, ele revela as idiossincrasias do autor, portanto, quem não gostar desse, jogue fora e monte o seu, sem culpa, dó nem piedade.

O mais importante partido de esquerda existente no mundo é o Partido Comunista da China, com quase 100 milhões de militantes e com mais de 100 anos de história. Trata-se de um partido que já fez de tudo um pouco, desde luta de massa (greves, ocupação de terra, mobilizações urbanas), passando por duas décadas de luta armada (1927-1949) e por mais de 70 anos controlando o poder de Estado. Evidentemente, possui um imenso repertório de experiências organizativas. Mas, ao mesmo tempo, possui uma tradição histórica, cultural e política muito diferente da brasileira. Alguns detalhes acerca dessa tradição podem ser lidos aqui: https://www.brasil247.com/entrevistas/novo-livro-de-valter-pomar-aborda-relacoes-entre-pt-brasil-e-china.

Na Ásia, há outros partidos que merecem atenção, como é o caso do Partido Comunista do Vietnã, dos partidos comunistas da República Democrática e Popular da Coreia e da Índia, sem esquecer do Congresso Nacional Indiano. Mas, como já dissemos, é preciso levar em conta as imensas diferenças históricas, culturais e políticas.

Na Europa (neste caso, incluindo a Rússia), o PT mantém relações com inúmeros partidos, alguns originados da família comunista, outros da família social-democrata e vários que não se identificam com nenhuma destas famílias. Todos eles já foram, no passado mais ou menos recente, muito poderosos. Mas, hoje, boa parte deles enfrenta grandes dificuldades políticas e eleitorais, inclusive devido ao ascenso da extrema-direita.

Aliás, para não dizer que não falamos dos espinhos, é muito importante — ao estudar a experiência de partidos de trabalhadores mundo afora — não esquecer de estudar também nossos inimigos. Os partidos que alguns chamam de neofascistas conseguiram uma grande influência junto a setores da classe trabalhadora, mantêm uma atividade militante e uma batalha ideológica permanentes, além de uma rede internacional ativa e perigosa. Um panorama geral sobre a extrema-direita pode ser lido aqui: A extrema-direita como ameaça para a governança mundial. Artigo de Monica Herz e Giancarlo Summa – Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Voltando aos nossos parentes, alguns muito distantes, vale a pena conhecer algumas experiências. Na família social-democrata, é importante conhecer o Partido Social Democrata Alemão, cuja fundação remonta a 1875; bem como o Partido Socialista Operário Espanhol, fundado em 1879. São partidos bem diferentes entre si, tanto organizativa como politicamente, como fica demonstrado pelas diferentes posições que assumiram frente ao genocídio palestino. Já na família comunista, é importante conhecer o Partido Comunista Português e a experiência da Esquerda Unida da Espanha (uma coalizão de organizações que funciona desde 1986). Comunistas portugueses e espanhóis defendem, em várias questões, posições políticas diferentes e também possuem tradições organizativas distintas. Para além destas duas famílias mais tradicionais, há outras organizações de esquerda que merecem ser conhecidas, seja por razões políticas, organizativas ou por ambas. É o caso, por exemplo, da França Insubmissa e do Bloco de Esquerda de Portugal.

Entretanto, um alerta geral: na Europa, a política é muito mais institucionalizada do que na América Latina e Caribe. Um dos efeitos disso é que — em muitos casos — a relação dos partidos com os movimentos sociais é menos intensa do que no Brasil. E a dinâmica parlamentarista é muito mais intensa do que aqui, embora haja outro lado da medalha: o controle do Partido sobre seus parlamentares é maior devido ao sistema eleitoral oficial. Seja como for, há experiências organizativas interessantíssimas, como, por exemplo, a Festa do Avante e a organização que o partido alemão Linke adotou nas recentes campanhas eleitorais. Por falar em Linke: esse partido viveu, recentemente, uma cisão. Dirigentes e militantes importantes desta organização resolveram que, para disputar contra a influência da extrema-direita junto à classe trabalhadora, era necessário assumir alguns pontos de vista típicos da extrema-direita em assuntos como a política para os migrantes. O resultado, pelo menos até agora, não foi exitoso — ainda bem —, mas o ocorrido merece ser estudado, porque não é o único lugar em que pessoas de esquerda assumem atitudes e bandeiras da direita, supostamente para barrar a influência desta mesma direita sobre os trabalhadores.

Sobre a África, temos um déficit imenso de conhecimento. Com exceção dos clássicos — as organizações que dirigiram a luta anticolonial contra Portugal, a Frente Polisário que luta pela independência do Sahara Ocidental, o Congresso Nacional Africano e o Partido Comunista Sul Africano —, são poucos os países onde o PT tem relações permanentes. A boa notícia é que a Fundação Perseu Abramo e a Secretaria de Relações Internacionais do PT estão discutindo, conjuntamente, como enfrentar este déficit, inadmissível por qualquer critério, tendo em vista não só nossos laços com a África, mas também a importância que este continente tem na presente e futura situação mundial. Isto posto e até lá, por onde começar um estudo? Uma possibilidade seria o Movimento Popular de Libertação de Angola, a Frente de Libertação de Moçambique e o Congresso Nacional Africano. Mas, nesse caso, é preciso lembrar que esses três partidos — que no passado lutaram de forma revolucionária pelo poder — hoje são partidos que carregam as marcas de, há várias décadas, controlar o poder de Estado ou boa parte dele. No caso dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), recomenda-se assistir ao seminário, cujas íntegras das várias mesas apresentadas estão disponíveis no seguinte endereço: https://www.youtube.com/playlist?list=PLtsJqckMj3D6WNbjVcQ2G9Ysj6vWHVZ9Y.

Esse seminário deu origem ao livro PALOP: Cinco décadas de independência e percurso dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que está disponível para download aqui: https://fpabramo.org.br/livro/palop-cinco-decadas-de-independencia-e-percurso-dos-paises-africanos-de-lingua-oficial-portuguesa/

Outro lugar que conhecemos pouco são os Estados Unidos. O que é absurdo, tendo em vista a importância mundial e regional daquele país, mas é verdade. O primeiro a dizer é que, nos EUA, a esquerda existe e tem uma longa e belíssima história. Nos tempos presentes, uma das manifestações desta esquerda é o Democratic Socialist of America, organização que nos últimos anos conseguiu crescer junto à juventude, ao movimento sindical e vem obtendo uma representação eleitoral muito importante. Para além disso, é preciso lembrar que boa parte dos partidos de esquerda latino-americanos e caribenhos tem presença organizada nos EUA, inclusive o PT. Tendo em vista o tamanho da classe trabalhadora naquele país e o peso dos migrantes nesta classe trabalhadora, é muito importante conhecer os processos organizativos e as lutas que ali estão sendo travadas.

Finalmente, chegamos aos nossos vizinhos da América Latina e Caribe. Em boa medida graças ao Foro de São Paulo, conhecemos bem melhor os partidos de trabalhadores existentes em nossa região. Uma visão panorâmica pode ser obtida da leitura dos livros da FPA sobre o Foro de São Paulo e dos livros da coleção Nossa América Nuestra (sobre Bolívia, Cuba, Chile, Uruguai, El Salvador, Equador, Paraguai e Venezuela, disponíveis no site da FPA. Veja item 19 das sugestões bibliográficas sugeridas neste livreto). Mas, exatamente porque conhecemos mais e são todos de muita importância para nós, é difícil sugerir os casos mais relevantes.

Entretanto, como escolher é preciso, vamos lá. As duas experiências mais longevas em nossa região são o Partido Comunista de Cuba e a Frente Ampla do Uruguai. A história de Cuba é mais conhecida e o funcionamento interno do PC não tem grandes surpresas. Já a história da Frente Ampla desde 1971 é menos conhecida e seu funcionamento interno tem particularidades muito interessantes. Por exemplo, trata-se de um partido-frente, o que se traduz inclusive no plano eleitoral, o que é possibilitado pela legislação uruguaia. Outra particularidade: as organizações integrantes possuem representação na direção da Frente, mas as bases que não pertencem a nenhuma dessas organizações também possuem representação própria (no caso do PT, seria como se os militantes que não pertencem a nenhuma tendência pudessem se fazer representar diretamente nas instâncias). Para além dessas características estatutárias, é interessante estudar o movimento político organizativo que a Frente Ampla fez quando perdeu a eleição presidencial em 2019, depois de 15 anos presidindo o Uruguai. A saber: um intenso debate político, combinando com um movimento organizado de contato com as bases sociais e eleitorais.

Falamos de duas experiências longevas, agora, recomendamos estudar duas experiências muito recentes: o Movimento de Renovação Nacional do México e o Pacto Histórico da Colômbia. Antes de mais nada, alertamos para uma falta de coincidência: entre 1999 (vitória de Chavez) e 2010 (eleição de Ollanta Humala no Peru), a América Latina e o Caribe viveram uma onda de vitórias eleitorais por parte de partidos de esquerda e progressistas. Durante essa onda, não tivemos êxito nem no México nem na Colômbia. Aí veio uma entressafra, com muitos golpes e derrotas. E foi exatamente nesta entressafra que conseguimos eleger Andrés Manuel López Obrador no México, em 2018; e Gustavo Petro na Colômbia, em 2022. Nos dois países, não há o instituto da reeleição. No México, o Morena conseguiu eleger Cláudia Scheinbaum. E, na Colômbia, a eleição presidencial que vai decidir o sucessor de Petro acontecerá em 31 de maio de 2026, cerca de um mês depois do 8º Congresso do PT.

México e Colômbia têm histórias muito singulares, impossíveis de resumir aqui. Nos dois casos, a esquerda possui uma longa presença na luta social, na luta eleitoral e também na luta armada. Em ambos os casos, há muitos partidos de esquerda, mas há duas organizações claramente hegemônicas: o Morena no México e o Pacto Histórico na Colômbia. O Pacto ainda está no começo de sua caminhada, possui uma natureza frentista e, evidentemente, parte de seu futuro depende do processo eleitoral presidencial deste ano. Já o Morena é um partido relativamente novo, mas com uma intensa experiência organizativa, de mobilização nacional e de disputa ideológica na sociedade mexicana, que — vamos lembrar — foi palco de uma das primeiras e maiores revoluções da história do século 20.

Parte da história do Morena está vinculada ao fracasso de outro partido, chamado Partido da Revolução Democrática, criado em 1989 e um dos fundadores do Foro de São Paulo. Principal partido da esquerda mexicana ao longo dos anos 1990, o PRD foi aos poucos se institucionalizando, se burocratizando, vivendo lutas internas destrutivas entre líderes regionais, fazendo alianças descaracterizadoras, até perder sua legenda eleitoral em 2024. Andrés Manuel López Obrador foi uma liderança importante do PRD antes de romper, criar o Morena e eleger-se presidente.

Antes de terminar este roteiro, uma sugestão mais: a história dos partidos da classe trabalhadora, do anarquismo, do socialismo, do comunismo e da esquerda em geral é uma fonte praticamente inesgotável de livros, filmes, documentários, relatos, entrevistas e estudos. Na bibliografia que vem a seguir, indicamos algumas fontes. E pedimos a quem possa que nos sugira outros materiais. Parte dessas fontes trata da história das internacionais. Outra parte aborda as teorias políticas e organizativas das diferentes famílias da esquerda. Há, ainda, textos de viés mais acadêmico sobre “teorias dos partidos políticos”. Tudo muito importante e merecedor de ser lido com espírito crítico. Entretanto, é preciso lembrar dos fundamentos, no nosso caso, da classe trabalhadora.

Quando Marx e Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista, disseram que cabia ao proletariado construir uma nova sociedade, sem exploração nem opressão. Anos depois, quando Marx escreveu a declaração inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores (posteriormente conhecida como a Primeira Internacional), disse que a libertação da classe trabalhadora será obra da classe trabalhadora. Este deve ser o nosso espírito, quando construímos o nosso Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras e, também, quando buscamos aprender com experiências internacionais: partidos são instrumentos, são meios que contribuem para que algum dia os que produzem as riquezas detenham o poder de decidir o que produzir, como produzir e como distribuir essas riquezas. Nessa luta, o genial Lênin dizia que a classe trabalhadora só tinha uma arma: a organização. Fazer com que nosso Partido seja esta arma é o melhor que podemos almejar nesses tempos de crise e guerra em que vivemos.

Sugestões bibliográficas

1) Frente Ampla (FA), Uruguai

a) Documento de Balance y Autocrítica, VII Congresso Ordinario, 5 de Febrero de 1971, 50 Años de Unidad – FA (2021). Documento de balanço e autocrítica da FA que reúne uma avaliação interna das ações, erros e aprendizados, seguida de propostas de correção e recomendações.

Disponível em: https://www.frenteamplio.uy/documento/balance-y-autocritica-congreso-50-anos-de-unidad/

b) GARCÉ, A., & YAFFÉ, J. “La izquierda uruguaya (1971-2004): ideología, estrategia y programa”. América Latina Hoy, vol. 44, 2009. Estudo histórico analítico da FA (1971–2004) que descreve sua ideologia, estratégias e programa político, mapeando mudanças, debates internos e propostas estratégicas ao longo do período.

Disponível em: https://revistas.usal.es/cuatro/index.php/1130-2887/article/view/2486/2534

c) Principios y valores compartidos del Frente Amplio – FA (2016). Apresenta os princípios e valores compartilhados da FA, definindo fundamentos ideológicos, objetivos políticos e normas de atuação coletiva; reúne diretrizes programática e organizativas para orientar a ação e a coesão interna do partido.

Disponível em: https://www.frenteamplio.uy/wp-content/uploads/set6.pdf

2) Pacto Histórico, Colômbia

a) Contribuciones al Debate Estratégico sobre el Problema del Poder en el Gobierno del Pacto Histórico – Alejandro Guerrero Hurtado (2024).

Reúne reflexões estratégicas sobre o exercício e disputa do poder político dentro do governo do Pacto Histórico.

https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1zXZ8pjDRPcEENUY4gZB3ZaJyF85nzqR4

b) Movimiento Político Pacto Histórico. Estatutos (2025).

Disponível em: https://pt.scribd.com/document/896896612/2-Estatutos-Pacto-Historico ou https://www.movimientopacto.co/estatutos

c) Plataforma de Unidad del Pacto Histórico (2025).

Plataforma Programática Geral do Pacto Histórico.

Disponível aqui a versão digital publicada em dezembro de 2024: https://www.pactohistoricoparticipa.com/post/anuncio-político-general-unidad-del-pacto-histórico-hacia-la-victoria-electoral-en-el-2026

3) Morena, México

a) Programa de MORENA – Morena

Disponível aqui para download: https://morenacdmx.mx/documentos-basicos-de-morena/

Plataforma Programática Geral do Morena.

b) Estatuto de MORENA – Morena

Disponível aqui para download: https://morenacdmx.mx/documentos-basicos-de-morena/

c) IBARRA, Carlos Alberto Figueroa y VELADOR, Octavio Humberto Moreno. “Morena y la construcción de lo Nacional-Popular en México”. Religación, vol. 4 n. 17 (2019).

Disponível em: https://revista.religacion.com/index.php/religacion/article/view/385.

Discute o papel do partido Morena na construção de um projeto nacional-popular no México.

d) OBRADOR, Andrés Manuel López (Amlo). ¡Gracias! México: Planeta, 2024.

Coletânea que analisa o projeto político de Amlo e do Morena para a transformação social no México.”

4) Partido da Revolução Democrática (PRD), México

a) MEZA, Rosendo Bolívar. “Debacle electoral y fractura interna en el Partido de la Revolución Democrática”. Estudios Políticos, n.52, Cidade do México jan./abr. 2021.

Disponível em: https://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0185-16162021000100037.

Analisa a debacle eleitoral e a fratura interna do PRD, mapeando causas, disputas de liderança e impactos na capacidade de articulação política.

b) ESPINOZA, Alberto Espejel. “El ocaso del Partido de la Revolución Democrática del consenso y la competencia fraccional a la degeneración partidária”. (2019).

Disponível em: http://ri.uagro.mx/handle/uagro/2366?locale-attribute=en

Analisa a crise e o declínio do Partido da Revolução Democrática (PRD).

c) MODONESI, Massimo. “México: el crepúsculo del PRD”. Nueva Sociedad, n. 234, jul.-ago. 2011.

Disponível em: https://nuso.org/articulo/mexico-el-crepusculo-del-prd/

Causas internas, disputas de liderança e seu impacto na crise do PRD.

5) Linke, Alemanha

a) Programme of the DIE LINKE Party – Die Linke EN (2011).

Disponível em alemão aqui: https://www.die-linke.de/fileadmin/1_Partei/grundsatzdokumente/programm_englisch/englisch_die_linke_programm_erfurt.pdf

Disponível em inglês aqui: https://en.die-linke.de/party/documents/party-programme/

Plataforma Programática Geral do Die Linke.

b) ALCÁNTARA, Miguel Sanz. “Las elecciones alemanas y el auge de la izquierda_ renovación y nueva política electoral (de base)”. Viento Sur, 7/4/2025.

Disponível em: https://vientosur.info/las-elecciones-alemanas-y-el-auge-de-la-izquierda-renovacion-y-nueva-politica-electoral-de-base/

Analisa as eleições alemãs e o crescimento do Die Linke.

c) BALHORN, Loren. “El improbable resurgimiento de Die Linke”, tradução de Florencia Oroz. Jacobin, 13/2/2025.

Disponível em: https://jacobinlat.com/2025/02/el-improbable-resurgimiento-de-die-linke/

Analisa o improvável ressurgimento do partido Die Linke, examinando causas, estratégias e o contexto político que permitiram sua recuperação.”

6) Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD)

a) Programa de principios del Partido Socialdemócrata Alemán – SPD ES (2007).

Disponível em: https://www.spd.de/fileadmin/Dokumente/Beschluesse/Grundsatzprogramme/hamburger_programm_spanische_fassung.pdf.

Plataforma Programática Geral do SPD.

b) MERKEL, Wolfgang. “A tarefa que o SPD tem pela frente: promover valores comunitários e cosmopolitas”. Friedrich Ebert Stiftung Brasil, 2018.

Disponível em: https://collections.fes.de/publikationen/ident/fes/14142.

Analisa os desafios que o SPD enfrenta para renovar sua estratégia política e reconquistar apoio popular, identificando fraquezas organizativas e eleitorais.”

c) MERKEL, Wolfgang e SCHROEDER, Wolfgang. “O dilema de um partido popular reduzido à metade do tamanho original”. Nueva Sociedad, julho 2018.

Disponível em: https://nuso.org/articulo/o-dilema-de-um-partido-popular-reduzido-metade-do-tamanho-original/.

Analisa o dilema do SPD ao ver‑se reduzido à metade de seu tamanho, investigando causas da perda de apoio e desafios organizacionais.”

7) Partido Comunista da China (PCCh)

a) Constitution of the Communist Party of China – PC China (2022).

Disponível em inglês aqui: http://eng.chinamil.com.cn/CHINA_209163/TopStories_209189/10195159.html. Acesso em 29/1/26.

Plataforma Programática Geral do PC chinês.

b) Organizational Principles and Institutions of the Communist Party of China – Zhang Rongheng (2015).

Disponível em inglês aqui: https://cpim.org/wp-content/uploads/old/marxist/201504-marxist-china.pdf. Acesso em 29/1/26.

Analisa os princípios organizacionais, as estruturas e os mecanismos institucionais do PC Chinês.

c) PROZCZINSKI, Daniele. “As Quatro Gerações do Partido Comunista Chinês: Mídia e Cartazes de Propaganda”. Tese (doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Florianópolis, 2019.

Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/215136

Reúne cartazes, imagens e análise histórica sobre as quatro gerações do PC Chinês, com foco em mídia e propaganda.”

8) Partidos políticos de esquerda na América Latina atual

a) ESPINOZA ROJAS, Francisco e CUBILLOS CELIS, Paula. “Hacia una Cartografía de Partidos de Izquierdas en América Latina: Imensiones de Convergencia y Diferenciación”. Santiago de Chile, Friedrich-Ebert-Stiftung, nov. 2023.

Disponível em: https://collections.fes.de/publikationen/content/titleinfo/450323

Reúne uma cartografia e análise comparativa de partidos de esquerda na América Latina.

b) GALLEGOS, René Ramírez (coord.). Tomar partido: Trayectos, aprendizajes y desafíos para los partidos progresistas en América Latina y el Caribe. Buenos Aires: CLACSO, 2023.

Disponível em: https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/249066/1/Tomar-partido.pdf

Analisa trajetórias, aprendizagens e desafios de partidos progressistas na América Latina e Caribe, reunindo estudos de caso e reflexões comparativas.

c) GAUDICHAUD, Franck; WEBBER, Jeffery R. e MODONESI, Massimo. “Los gobiernos progresistas latinoamericanos del siglo XXI. Ensayos de interpretación histórica”. México, abr. 2019.

Disponível em: https://dds.cepal.org/redesoc/publicacion?id=5050

Analisa os governos progressistas latino‑americanos do século XXI, suas origens, programas e dinâmicas de poder.

9) Partidos políticos de Esquerda na Europa atual

a) Congreso Resoluciones 2025 – Partido Socialista Europeu PES (2025)

Disponível em espanhol aqui: https://pes.eu/wp-content/uploads/2025/10/Resolutions_ES_00_Final.pdf

Disponível em inglês aqui: https://pes.eu/wp-content/uploads/2025/10/Resolutions_EN_02_final.pdf

Resoluções do Congresso do PES (2025).

b) Manifiesto Elecciones Europeas 2024 – Partido de la Izquierda Europea (2024).

Disponível em espanhol aqui: https://www.european-left.org/wp-content/uploads/2024/03/Manifesto-Castellano.pdf

Manifesto Eleitoral da Esquerda Europeia.

c) RODRIGUES, Theófilo Codeço Machado. “Metamorfoses políticas: da social-democracia aos partidos-movimento”. Princípios, v. 40 n. 161 (2021).

Disponível aqui: https://revistaprincipios.emnuvens.com.br/principios/article/view/91

Analisa a transformação dos partidos de esquerda, da social‑democracia tradicional aos partidos‑movimento, destacando mudanças organizacionais, estratégias de mobilização e novas formas de representação.

d) CUNHAL, Álvaro. O Partido com Paredes de Vidro. 6ª ed., 2002.

Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/cunhal/1985/08/partido.pdf

Analisa o Partido Comunista Português (PCP), sua organização interna, práticas de comunicação e os desafios enfrentados ao longo do tempo.

e) DALMASSO, Sergio. Rifondare è Difficile. Rifondazione Comunista Dallo Scioglimento del PCI al “Movimento dei Movimenti”. Torino: Edizioni Centro di Documentazione di Pistoia e CRIC, 2002.

Analisa a tentativa de refundação do comunismo na Itália desde o fim do PCI.

10) Partidos políticos de esquerda na África atual

a) BARBOSA, Muryatan S. “Pan-africanismo e marxismo: aproximações e diferenças a partir do pensamento africano contemporâneo”. Fim do Mundo, n. 4: jan./abr. 2021.

Disponível aqui: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/RFM/article/view/11675

Analisa as convergências e tensões entre o pan‑africanismo e o marxismo a partir do pensamento africano contemporâneo.

b) BRAGA, Manuel Maria. “Os partidos políticos africanos no virar do milénio: um ensaio preliminar”. Cadernos de Estudos Africanos, 7/8/2005, pp. 53-77.

Disponível aqui: https://journals.openedition.org/cea/1066

Analisa a evolução e os desafios dos partidos políticos africanos no fim do século 20 e início do 21, examinando sua organização, relações com o Estado.

c) PEDRO, Martinho. “Elitização em ‘Partidos Históricos’ como fonte de uma fraca convivialidade e de graves conflitos sociais na África Austral: um estudo com enfoque em Moçambique”. Revista Cadernos de África Contemporânea, v. 7 n. 13, 2024.

Disponível em: https://revistas.uneb.br/cac/article/view/22729

Analisa a elitização em partidos históricos na África Austral, mostrando como a captura por elites enfraquece a convivência social e alimenta conflitos graves e instabilidade política.

d) VISENTINI. Paulo G. Fagundes; PEREIRA, Analúcia Danilevicz (orgs.). África do Sul: História, Estado e Sociedade. Brasília: FUNAG, 2010.

Disponível aqui: https://funag.gov.br/loja/download/709-africa_do_Sul_-_Historia_Estado_e_Sociedade.pdf

Radiografia político-social da África do Sul.

e) Frente Polisario Programa de Acción Nacional – Frente Polisario ES (2023).

Plataforma Geral Programática da Frente Polisario.

Página web da representação da Frente Polisário no Brasil: https://frentepolisario.com.br

f) Frente Polisario: 50 anos de luta pela autodeterminação e independência do Saara Ocidental – Vários Autores (2023).

Traça a história e a luta da Frente Polisario ao longo de 50 anos, documentando sua formação, estratégias de resistência e reivindicação de autodeterminação do Saara Ocidental.

Página web da representação da Frente Polisário no Brasil: https://frentepolisario.com.br

Sobre Partidos da África Austral

a) PAIGC. Manual Político – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). 2ª Edição. Editora Maria da Fonte. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/cabral/ano/paicg/index.htm

b) CABRAL, Amílcar (1969). Alguns princípios do Partido. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/cabral/1969/11/24.pdf

c) FRELIMO (1968). Programa e Estatutos da FRELIMO [Frente de libertação], s/l, Cidac. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/frelimo/pdf/43.pdf

d) Partido Frelimo (1977). Estatutos e Programa da Frelimo [Partido Frelimo M-L]. Documentos do 3º Congresso, Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/Programa_e_estatutos/GvhEAQAAIAAJ?hl=pt-PT&gbpv=1&dq=inauthor:%22FRELIMO+(Organization)%22&printsec=frontcover

e) Partido Frelimo (1983). Estatutos e Programa. Coleção do 4º Congresso. Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/Estatutos_e_programa_do_Partido_FRELIMO/nlYLAQAAIAAJ?hl=pt-PT&gbpv=1&dq=inauthor:%22FRELIMO+(Organization)%22&printsec=frontcover

f) Partido Frelimo (1989) 5º Congresso. Documento Final. Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/Documento_final_resolu%C3%A7%C3%B5es_mo%C3%A7%C3%B5es/ypsNAQAAIAAJ?hl=pt-PT&gbpv=1&dq=inauthor:%22FRELIMO+(Organization)%22&printsec=frontcover

g) Frelimo (1974). Comitês do Partido. Lourenço Marques (Maputo).

h) Frelimo (1975). As qualidades de um membro do Comitê Central. Maputo, Textos políticos-SIPEAAM.

i) BITTENCOURT, Marcelo (2002). “As linhas que formam o EME”. Um estudo sobre a criação do Movimento Popular de Libertação de Angola.” [MPLA] Tese de mestrado em antropologia na USP.

11) Partidos políticos de esquerda na Ásia atual

a) NAUDET, Jules e REWAL, Stephanie tawa-lama. “¿Dónde está la izquierda en la India?”. Nueva Socieade, n. 276, jul./ago. 2018.

Disponível aqui: https://nuso.org/articulo/donde-esta-la-izquierda-en-la-india/

Analisa a presença e os desafios da esquerda na Índia, mapeando atores, estratégias e declínio eleitoral.”

b) Vários autores. “O movimento de cooperativas no estado de Kerala, na Índia”. Estudos sobre o socialismo em construção, n.2, dez. 2025. Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

Disponível aqui: https://thetricontinental.org/pt-pt/estudo-kerala-cooperativas/

Analisa o movimento de cooperativas no estado de Kerala, Índia, descrevendo sua história, organização e impacto socioeconômico local.

c) LUEDEMANN, Marta da Silveira. “Vietnã: formação econômica e social e socialismo de mercado”. Revista Ciência Geográfica, v. 29 n. 2 (2025).

Disponível aqui: https://ppg.revistas.uema.br/index.php/cienciageografica/article/view/4215

Analisa a formação econômica e social do Vietnã e a transição para um socialismo de mercado, descrevendo reformas, políticas públicas e seus efeitos socioeconômicos.

d) Monografia “The Communist Party of Vietnam: Empowering National Progress”, de autoria de pesquisadores russos e vietnamitas. Institute of China and Contemporary Asia of the Russian Academy of Sciences & Faculty of Political Science Vietnam University of Social Sciences and Humanities, 2022.

Disponível em inglês aqui: https://www.iccaras.ru/files/abook_file/The_Communist_Party_of_Vietnam_Empowering_National_Progress.pdf

Analisa o papel do Partido Comunista do Vietnã na promoção do progresso nacional e na condução das reformas econômicas/sociais e descreve sua organização.

e) Communist Party of India (Marxist) Programme (Adopted At the Seventh Congress of the Communist Party of India held at Calcutta, October 31 to November 7, 1964 * Updated at the Special Conference of the Communist Party of India (Marxist) held at Thiruvananthapuram, October 20-23, 2000).

Disponível em inglês aqui: https://cpim.org/party-programme/

Plataforma Geral Programática do Partido Comunista da Índia (Marxista).

f) The CPI(M) Programme: Updated In Tune with Changing Times EN (Harkishan Singh Surjeet 2009)

Disponível em inglês aqui: https://cpim.org/programme-updated-changing-times/

Analisa o programa do CPI(M), suas atualizações e estratégias para responder às mudanças sociais e políticas contemporâneas.

g) KARAT, Brinda (introdução). 100 Years of the Formation of the Communist Party of India (Marxist). 2019.

Disponível em inglês aqui: https://catalog.princeton.edu/catalog/99126207227806421#view

Traça a história centenária da formação do Partido Comunista da Índia (Marxista), examinando suas origens, organização e papel político.

h) Communist Party of India’s Manifesto (CPI, 2021).

Disponível em inglês aqui: https://cpim.org/wp-content/uploads/old/marxist/2021-03-04-cpi-manifesto.pdf

Apresenta o manifesto do Communist Party of India (CPI) para 2021, detalhando propostas políticas, prioridades socioeconômicas e a agenda eleitoral.

12) Partidos políticos nos EUA atual

a) GOMEZ, Nicolás. “‘Cazar donde están los patos’: radicalización del Partido Republicano en los Estados Unidos através de estrategias electorales de movilización del voto blanco y conservador”. Tese de graduação. Universidad Nacional de La Plata. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, 2024.

Disponível em espanhol aqui: https://www.memoria.fahce.unlp.edu.ar/library?a=d&c=tesis&d=Jte2865

Analisa a radicalização do Partido Republicano nos Estados Unidos, investigando suas estratégias, atores e dinâmicas internas.

b) ALONSO, Agustina. “La crisis identitaria del Partido Demócrata estadounidense: voto joven, influencia de los nuevos medios de comunicación y el fenómeno Alexandria Ocasio Cortez”, 2022.

Disponível em espanhol aqjui: https://repositorio.uca.edu.ar/handle/123456789/18531

Analisa a crise de identidade do Partido Democrata dos Estados Unidos, identificando divisões internas, tensões ideológicas e desafios de coalizão.

c) ZANETTI, Carlos Ciaño. “Los Partidos Demócrata y Republicano del siglo XXI”, 2021.

Disponível em espanhol aqui: https://www.cipi.cu/los-partidos-democrata-y-republicano-del-siglo-xxi/

Analisa a evolução, desafios e transformações dos partidos Democrata e Republicano no século 21, enfocando polarização, estratégias eleitorais e mudanças organizacionais.

d) Estatuto CPUSA (Partido Comunista dos Estados Unidos).

Disponível em inglês aqui: https://cpusa.org/party_info/cpusa-constitution/

e) Estatuto DSA (Socialistas Democráticos da América).

Disponível em espanhol aqui: https://www.dsausa.org/sobre-dsa/constitucion-y-estatutos-de-dsa/

f) Estatuto Socialist Party USA (Partido Socialista dos EUA)

Disponível em inglês aqui: https://www.socialistpartyusa.net/constitution

g) Princípios [e valores] do FSP-USA – (Partido da Liberdade Socialista)

Site do partido: https://socialism.com

g) DUHALDE, David. The Long Reroute: A Historical Comparison of the Debsian Socialist Party of America and the New Democratic Socialists of America. Rosa Luxemburg Stiftung, New York Office, jul. 2025.

Disponível em inglês aqui: https://rosalux.nyc/wp-content/uploads/2025/07/the-long-reroute-historical-comparison_FINAL.pdf

Analisa a trajetória, estratégias e dilemas dos Socialistas Democráticos da América (DSA) focando seu crescimento, organização interna e tensões entre militância e institucionalização.

13) Partidos políticos de extrema-direita no mundo atual

a) DIBAI, Priscilla Cabral. “A Ascensão do Radicalismo de Direita no Mundo: Novos Dilemas de um Velho Problema”. Mediações. Revista de Ciências Sociais, v. 25, n. 3, set./dez. 2020.

Disponível aqui: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/39432

Analisa a ascensão do radicalismo de direita no mundo, suas causas, estratégias de mobilização e impacto sobre as democracias.

b) Vários autores. “Apoio e rejeição à ultradireita, estudo comparado sobre Argentina, Brasil e Chile”. Friedrich Ebert Stiftung no Chile, out. 2024.

Disponível aqui: https://collections.fes.de/publikationen/ident/fes/21539

Analisa padrões de apoio e rejeição à ultradireita, identificando perfis sociais, narrativas e fatores que explicam sua difusão.

c) SANAHUJA, José Antonio e BURIAN, Camilo López. “Las variaciones en la geopolítica de la ultraderecha neopatriota y la contestación al orden internacional”. CEBRI Revista, n. 11, nov. 2024.

Disponível em espanhol aqui: https://cebri-revista.emnuvens.com.br/revista/article/view/226

Analisa as variações na geopolítica da ultradireita neopatriota, mapeando atores, estratégias e redes transnacionais.

14) Teoria dos partidos políticos

a) LÖWY, Michael. “A teoria marxista do partido”. Crítica Marxista, v. 30 n. 56, 2023.

Disponível aqui: https://econtents.sbu.unicamp.br/inpec/index.php/cma/article/view/18790

Analisa a teoria marxista do partido, suas bases teóricas e a função organizativa do partido como instrumento da luta de classes; examina conceitos como vanguarda, centralismo democrático e estratégias de construção partidária.

b) BOLOGNESI, Bruno. “Organização partidária: modelos de análise e novas agendas”. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n. 95, 2021.

Analisa modelos de organização partidária e propõe novas agendas teóricas e metodológicas para estudar partidos contemporâneos.”

c) MICHELS, Robert. Sociologia dos Partidos Políticos. Editor: Universidade de Brasília, 1982.

Analisa a dinâmica interna dos partidos políticos e formula a crítica segundo a qual organizações democráticas tendem a burocratizar-se e concentrar poder numa elite dirigente.

15) Classe trabalhadora no mundo hoje

a) Vários autores. “Desafios para a liberdade e a ação sindical no século XXI”.

 Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil, nov. 2025.

Disponível para download na lista constante neste link: https://www.fes.de/themenportal-gewerkschaften-und-gute-arbeit/publikationen-zu-gewerkschaften

Analisa os desafios contemporâneos à liberdade e à ação sindical, identificando restrições legais, pressões econômicas e táticas de organização e resistência.”

b) ROSSI, Gastón Gutiérrez y VARELA, Paula. “¿Hacia dónde va el trabajo? Apuntes sobre la clase trabajadora global”. Corsario Rojo, n. 2, verano austral 2023, sección Bitácora de Derrotas.

Disponível em espanhol aqui: https://kalewche.com/wp-content/uploads/2023/03/3-RossiVarela-Hacia-donde-va-el-trab.pdf

Analisa as transformações do trabalho e da classe trabalhadora em escala global, identificando tendências, desafios e dinâmicas de organização.”

c) Informe Mundial sobre Salarios 2024/2025 ¿Está disminuyendo la desigualdad salarial en el mundo? – OIT (2025)

Disponível em espanhol aqui: https://www.ilo.org/sites/default/files/2025-08/Spanish%20full%20report.pdf

Relatório da OIT sobre salários globais 2024–2025 que mapeia tendências recentes de remuneração, desigualdade salarial e variações regionais, analisando fatores macroeconômicos que pressionam salários.

d) Preamble, Constitution & General Bylaws of the Industrial Workers of the World (2024)

Disponível em inglês aqui: https://www.iww.org/wp-content/uploads/2024/06/iww-constitution-en.pdf

Constituição e estatutos da Industrial Workers of the World (IWW) — edição 2024 — que definem a estrutura organizacional, princípios e objetivos do sindicato.”

16) Organizações internacionais de partidos políticos

a) RIBEIRO, Jackson Silva. Nuestra América: um estudo da “economia política” do Foro de São Paulo. Fundação Perseu Abramo, Coleção Internacional, 2025.

Disponível aqui: https://fpabramo.org.br/editora/livro/nuestra-america-um-estudo-da-economia-politica-do-foro-de-sao-paulo/

Analisa o FSP não apenas como um fórum político, mas como um projeto de economia política que articula ideias, estratégias e alianças em torno de um modelo alternativo ao capitalismo neoliberal.”

b) Estatuto Conferencia Permanente de Partidos Políticos de América Latina y el Caribe (COPPPAL) – COPPAL (2023)

Disponível em espanhol aqui: https://copppal.org/wp-content/uploads/2022/06/ESTATUTOS-DE-LA-COPPPAL.pdf

c) Declaração de Princípios da Internacional Socialista (1989)

Disponível em português aqui: https://www-socialistinternational-org.translate.goog/about-us/declaration-of-principles/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

d) Principios rectores y Estatutos de la Alianza Progresista – Progressive Alliance (2024)

Disponível em espanhol aqui: https://alianza-progresista.info/principios-rectores/

Princípios e Estatutos da Aliança Progressista.

e) Histórico LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional) – (2022)

Disponível aqui: https://litci.org/pt/2022/11/19/a-lit-qi-e-a-iv-internacional/?utm_source=copylink&utm_medium=browser

f) COLE, George D. H. Historia del pensamiento socialista – Tomo I: Los Precursores, 1789-1850. México (DF): Fondo de Cultura Econômica. Quarta reimpressão, 1975.

Disponível aqui: https://erikafontanez.com/wp-content/uploads/2017/08/cole-douglas-howard-historia-del-pensamiento-socialista-1.pdf

Traça a evolução do pensamento socialista nas suas origens, mapeando correntes, autores e debates centrais.

17) Organizações feministas e de juventude

a) Quem somos – Marcha Mundial das Mulheres.

Disponível aqui: https://marchamundialdasmulheres.org.br/a-marcha/quem-somos/

Breve histórico da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

b) Declaration on the crises, reactionary upsurge and risks and potentials of the current situation – World Federation of Democratic Youth (2023).

Disponível aqui: https://wfdy.org/meetings/gc-cuba-2023/

Declaração da Federação Mundial da Juventude Democrática que analisa as crises globais e o ressurgimento reacionário, avaliando riscos políticos e sociais.

c) Revista OCLAE Edición Especial 50 Años – OCLAE (2016)

Disponível aqui: https://www.anpg.org.br/wp-content/uploads/2017/03/Revista-de-la-OCLAE-ESPECIAL-50-AÑOS.pdf

Revista comemorativa da OCLAE pelos 50 anos, reunindo artigos, entrevistas e balanços sobre a história, lutas e conquistas da organização na América Latina.

d) Quem somos y que hacemos – Asociación para los Derechos de las Mujeres y el Desarrollo AIWD – AIWD (2026)

Disponível aqui: https://www.awid.org/es/quienes-somos

Breve histórico da Associação para os Direitos das Mulheres e o Desenvolvimento (AIWD).

Sobre libertação da mulher (Moçambique)

a) MACHEL, Samora Moisés. A libertação da mulher é uma necessidade da revolução, garantia da sua continuidade, condição do seu triunfo. Disponível em:  http://cemflores.org/index.php/2014/03/19/a-libertacao-da-mulher-e-uma-necessidade-da-revolucao-garantia-da-sua-continuidade-condicao-do-seu-triunfo-2/.

b) OMM. Estatutos e Programa da Organização da Mulher Moçambicana. s/d (1977?) Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/frelimo/pdf/48.pdf

18) Estatutos de outras organizações partidárias

a) Programa e Estatutos – Partido Comunista Português (2013)

Disponível aqui: https://www.pcp.pt/sites/default/files/documentos/201212_programa_e_estatutos_aprovados_xix_congresso.pdf

b) Programa Estratégico Partido Comunista de España – PC Espanha (2025)

Disponível aqui: https://www.pce.es/el-programa-estrategico-a-debate/

Plataforma Geral Programática do PC Espanhol.

c) Ideas, Conceptos y Directrices – 8º Congresso PC Cuba – PCC (2021)

Disponível aqui: https://www.pcc.cu/ideas-conceptos-y-directrices

Resoluções, Conceitos e Diretrizes do 8º Congresso do PC cubano.

d) Statuts du Parti communiste français – PC França (2023).

Disponível aqui: https://assets.nationbuilder.com/pcf/pages/15897/attachments/original/1684999315/document_-_Statuts_39e_Congrès.pdf?1684999315

Estatutos do PC francês.

e) L’avenir en commun le programme en version abregee – França Insubmissa FR (2025) – Plataforma Geral Programática da França Insubmissa.

https://melenchon2022.fr/wp-content/uploads/2022/04/LAvenir-en-commun-le-programme-en-version-abregee.pdf

f) Resoluciones del XXVII Congreso Nacional Partido Comunista de Chile – PC Chile (2025). Informe de Resoluções do XXVII Congresso do PC chileno.

Disponível aqui: https://pcchile.cl/2025/01/23/documento-resoluciones-del-xxvii-congreso-nacional-partido-comunista-de-chile/

g) Declaración de Principios y Estatutos del Partido Socialista de Chile – PS Chile (2019). Declaração de Princípios e Estatutos do PS chileno.

Disponível aqui: https://www.pschile.cl/estatutos/

h) Reglamento General de Organización/Partido Aprista Peruano – APRA (2005).

Disponível aqui: https://apraperu.com/wp-content/uploads/2019/04/Reglamento-de-Organización-PAP.pdf

Princípios Programáticos e Estatutos do APRA.

i) Bases de Acción Política Patria de los Comunes – La Patria de los Comunes (2022). Declaração de Princípios de La Patria de los Comunes.

https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1zXZ8pjDRPcEENUY4gZB3ZaJyF85nzqR4

19) Coleção Nossa América Nuestra – FPA

Disponível em:

Bolívia: https://fpabramo.org.br/livro/bolivia/

Chile: https://fpabramo.org.br/livro/chile/

Cuba: https://fpabramo.org.br/livro/cuba/

El Salvador: https://fpabramo.org.br/livro/el-salvador-da-luta-armada-aos-governos-eleitos/

Equador: https://fpabramo.org.br/livro/equador/

Paraguai: https://fpabramo.org.br/livro/paraguai/

Uruguai: https://fpabramo.org.br/livro/uruguai-2/

Venezuela: https://fpabramo.org.br/livro/colecao-nossa-america-nuestra-venezuela/

Nota do editor: os links indicados foram acessados em 29 de janeiro de 2026 ou 20 de abril de 2026.

(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA

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