Saiu a edição de setembro do jornal Página 13

Está disponível a edição de setembro do jornal Página 13, que pode ser descarregada aqui. Abaixo, os leitores poderão conferir o editorial na íntegra. A edição deste mês é a de número 306.

BOA LEITURA!

Editorial

Ampliar e muito a mobilização

As pesquisas indicam que, se a eleição fosse hoje, haveria segundo turno na disputa presidencial e para governo na maioria dos estados. As mesmas pesquisas apontam que a composição do Senado continuaria parecida com a atual. Não há pesquisas confiáveis para a Câmara e Assembleias Legislativas, mas é provável que — a preços de hoje — não aconteçam alterações qualitativas. 

De conjunto, se vier a ser confirmada, esse possível resultado das eleições não é positivo e precisa ser alterado, sob pena de não termos as condições institucionais adequadas para fazer um novo mandato superior ao atual. Sem falar no risco de uma catástrofe.

A única forma de criar as condições adequadas para um quarto mandato superior é… guerra total: mobilização integral de todas as nossas forças, com um discurso correto, concentrado em conseguir o voto do nosso eleitorado prioritário.

Quem nos deu a vitória, em todas as eleições presidenciais desde pelo menos 2006, foram os jovens, as mulheres, os negros e negras, os moradores das periferias, os setores mais pobres da classe trabalhadora, o povo de alma nordestina que nasceu em todas as regiões do Brasil. Esses são os setores sociais aos quais deve ser dirigida, prioritariamente, a nossa campanha. Mas só teremos êxito se a campanha fizer um discurso que, além de confirmar o apoio de quem já está conosco, ao mesmo tempo engaje quem está indeciso ou propenso a não votar. As pesquisas, mas principalmente a experiência cotidiana, comprovam que setores importantes do nosso eleitorado prioritário estão decepcionados, frustrados e desanimados. Estes setores não serão convencidos por argumentos que, principalmente, destaquem nossos êxitos administrativos, comparem realizações de governos, enfatizem o risco que o Brasil e o povo correm caso a extrema-direita volte à Presidência. Todos esses argumentos podem ser válidos, mas o grande argumento capaz de engajar os indecisos não diz respeito ao passado, tampouco ao presente. O argumento capaz de convencer os indecisos diz respeito, principalmente, ao futuro. Trata-se de disputar os sonhos coletivos da Nação Trabalhadora em torno do Brasil em que queremos viver nos próximos anos e décadas. Nação soberana ou colônia? Agrarismo ou industrialismo? Ciência ou obscurantismo? Desenvolvimento ou subdesenvolvimento? Igualdade ou mal-estar social? Reparação ou racismo? Feminismo ou feminicídio? Ambientalismo ou negacionismo? Tolerância ou fundamentalismo? Liberdade ou ditadura? Mudanças na jornada e na escala ou exploração até a morte? Capitalismo ou socialismo? Passado ou futuro? O debate político e ideológico joga um papel determinante na definição do voto de quem está indeciso ou propenso a não votar. Motivo pelo qual devemos emancipar nossas mentes dos limites impostos pelo agro, pelas mineradoras, pelo capital financeiro, pelo imperialismo e pelo neoliberalismo. E falar do Brasil e do mundo em que queremos viver.

É preciso combinar as grandes questões sobre o futuro do mundo e do Brasil, com as questões imediatas e relacionadas a sobrevivência da classe trabalhadora, de suas famílias e de cada indivíduo. Daí a importância de temas como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1, a redução dos juros, o aumento dos salários, a proteção dos endividados. Deve ter destaque, também, a política de cuidados, que fala diretamente ao coração do nosso eleitorado prioritário: as mulheres, a população negra, os jovens e os moradores das periferias, sobre os quais recai de forma desproporcional a sobrecarga do trabalho de cuidado não remunerado e precário. A afirmação do direito ao cuidado materializa a nossa disputa de projeto de sociedade: contra o modelo de “família” defendido pelos neoliberais da direita e extrema-direita, afirmamos o Estado como garante de direitos, da igualdade de gênero e raça, do futuro da Nação Trabalhadora.

Por esses e por outros motivos, é nocivo e deve ser combatido explicitamente o lobby dos que defendem que nossa candidatura se comprometa com um ajuste fiscal, mesmo quando esse lobby vem embalado no discurso de “reduzir gastos sociais para ampliar investimentos produtivos”. Precisamos escapar dos limites da “modernização conservadora” implementada no passado do Brasil, política que fez o povo pagar a conta do crescimento. Precisamos de industrialização de novo tipo. E para isso precisamos superar os limites do Marco Fiscal e do rentismo homologado pela atual diretoria do Banco Central. A esse respeito, vale dizer que Galípolo e sua trupe nunca enganaram a quem, como nós, sempre defendeu que não há conciliação possível com a quadrilha engravatada que dirige o sistema financeiro.

Caso se confirme o quadro atual e a disputa presidencial seja resolvida no segundo turno, será muito importante que tenhamos candidaturas majoritárias vitoriosas no primeiro turno e candidaturas a governador disputando o segundo turno no maior número de estados. Tudo indica que a disputa presidencial será resolvida por pequena diferença, motivo pelo qual cada voto é importante! A direita e a extrema-direita estão fazendo um esforço especial para derrotar as candidaturas petistas e de esquerda ao Senado e ao Governo. Dada a dimensão do eleitorado e as dificuldades envolvidas, cabe à direção nacional do Partido dar especial atenção para a campanha nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Levar Patrus Ananias e Fernando Haddad ao segundo turno contribuirá muito para nossa vitória nacional. E, ao mesmo tempo, pode nos levar a conquistar estes dois governos estaduais, o que ajudaria a criar um contexto muito mais favorável para o quarto mandato de Lula.

O governo dos Estados Unidos, o governo de Israel, os governos de extrema-direita na América Latina e Caribe, a Internacional Fascista e as redes antissociais estão em campanha aberta em favor da candidatura dos cavernícolas. Ao mesmo tempo, a Rede Globo demonstrou, mais uma vez, não ser aliada nem tampouco neutra. Venceremos contra esta aliança pouco santa, mas a luta não cessará no segundo turno. É preciso preparar nossa militância para um período prolongado de conflitos entre as forças democráticas, populares e socialistas contra os inimigos do povo, das liberdades, da soberania, do desenvolvimento e da igualdade.

As escolhas feitas no PED e no 8º Congresso não prepararam o Partido para os tempos de guerra em que vivemos. Uma prova disso é a atual crise envolvendo o Judiciário. A Folha, o Estadão e cavernícola filho pedem o impeachment do ministro que, segundo as acusações, estaria em conluio com o empresário.  Há quem ache mais provável um péssimo acordo, já que o Master é um escândalo em fase de metástase, motivo pelo qual medidas radicais podem respingar em muita gente fina. Mas, como não podia deixar de ser, porta-vozes do PT admitem, ao menos em tese, a possibilidade de um impeachment.  Por exemplo: Gleisi Hoffmann, ex-presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores e candidata ao Senado pelo PT do Paraná, afirmou o seguinte: “Eu não vejo problema nenhum em fazer o impeachment e o julgamento de ministro do Supremo. Até porque isso é função do Senado. Se tiver crime, tem que ter”.

Verdade. Um problema é que é notória a promiscuidade entre ministros do Supremo, grandes empresários, políticos de direita (inclusive alguns abrigados noutros pontos do espectro partidário) e meios de comunicação. Portanto, para além do que fazer nos casos específicos de Gonet, Mendonça e Xandão, entre outros acusados, cabe discutir o que fazer com o Judiciário. Infelizmente, o recente Congresso do PT rejeitou uma proposta de resolução a respeito, apresentada pela tendência petista Articulação de Esquerda e defendida em plenário por Natália Sena. A rejeição da referida proposta foi liderada, também em plenário, por José Dirceu, que mesmo reconhecendo a procedência do debate e a justeza de pelo menos alguns pontos da proposta, defendeu nada decidir. No que foi apoiado pela maioria dos congressistas. O argumento implícito foi deixar este tipo de assunto para depois da eleição. Como se vê, foi (mais) um erro cometido pelos que parecem não se dar conta — ou pelo menos não querem tirar as devidas consequências — da crise profunda que afeta quase todas as instituições do “Estado democrático da direita”. 

Ou o PT toma a iniciativa de defender uma reforma global do Estado brasileiro — através de uma Assembleia Constituinte — ou a extrema-direita abrirá o baú da demagogia e do cinismo e vai deitar e rolar. O argumento de que seria perigoso mexer nesse vespeiro, nesse momento, não dá conta de algo simples: uma reforma do Estado já está em curso, sem Constituinte, sem povo e contra o povo. Um bom momento, portanto, para o presidente Edinho lembrar do que já disse sobre sermos antissistema. A candidatura Lula, nosso futuro governo e o povo brasileiro só têm a ganhar com isso. 

A verdade é que, do Oiapoque ao Chuí, experimentamos inúmeros problemas políticos e organizativos, que decorrem de escolhas incorretas, que precisariam ser corrigidas imediatamente. Os problemas na produção e entrega de materiais da campanha nacional são um exemplo disso. Outro exemplo é o tema do financiamento das candidaturas. Um terceiro exemplo é o tempo de cada candidatura no horário eleitoral gratuito. 

As críticas de muita gente, inclusive candidaturas petistas, sobre a distribuição dos recursos do fundo eleitoral dizem respeito, na verdade, a um dos efeitos colaterais de um sistema político profundamente determinado pelo dinheiro, fato que torna cada vez mais verdadeira a denominação “democracia burguesa”.

Devemos cobrar das direções partidárias que enfrentem e corrijam esses e outros problemas agora, não depois. Imediatamente, não tarde demais. Ao mesmo tempo, devemos estimular a militância a assumir o protagonismo. Existem milhões de pessoas que não estão engajadas nas campanhas proporcionais, que querem se engajar nas campanhas majoritárias e cabe às direções partidárias e de campanha viabilizar isso. Se as direções não cumprem seu papel, façamos nós com nossas mãos o que precisa ser feito, inclusive materiais e agenda de campanha.

Nesse espírito, da mobilização imediata, Lula está certo em insistir no caminho das grandes mobilizações, caminhadas, carreatas e comícios. Mobilizar e orientar a militância, mostrar nossa força, avermelhar as redes e principalmente as ruas. Venceremos as eleições presidenciais de 2026, realizaremos um próximo mandato presidencial superior ao atual, construiremos o caminho para vitórias futuras, se lembrarmos sempre que — para além da necessária conquista de mandatos institucionais — o fator decisivo na luta de classes é o nível de consciência, de mobilização e de organização da nossa classe. Sindicatos, movimentos, organizações populares, de jovens, mulheres, negros e negras, indígenas, quilombolas, sem-teto e sem-terra, oprimidos e explorados, nosso Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras: nossa campanha deve lembrar sempre que é deste povo heroico que depende a nossa vitória!

Faltam 30 e poucos dias para o primeiro turno das eleições. É preciso ampliar e muito a mobilização. Cada militante, filiado e simpatizante deve ser convocado a liberar o máximo de tempo possível para a campanha de nossas candidaturas proporcionais e majoritárias, com destaque total para o voto no presidente Lula. Panfletos, adesivos, bandeiras, camisetas, bottons, postagens: toda hora é hora de chamar o voto no número 13.

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