Por Valter Pomar (*)

A imprensa informou que haveria, no entorno do presidente Lula, diferentes posições sobre o que fazer com as BETS.
Esquematizando, haveria gente defendendo proibição parcial e gente defendendo proibição total.
Se havia mesmo e quem defendia o quê, só quem participa do tal entorno poderá confirmar.
Mas o fato é que Lula decidiu pela proibição total.
O filho do cavernícola não gostou: disse que a proibição seria oportunismo e sinal de desespero.
Até aí, normal.
O que surpreende é como tem gente boa que, a esta altura do campeonato, segue preocupada com possíveis repercussões eleitoralmente negativas da medida.
Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Mas tem horas em que o excesso de “direção defensiva” tende a provocar acidentes.
Para quem se preocupa com as críticas e ataques contra a medida – vindas, por exemplo, das empresas de comunicação que ganhavam muito dinheiro com as BETS – lembro que, se todos nós eleitores do presidente Lula decidíssemos pular num abismo, é muito provável que do lado de lá nos criticariam por ter demorado muito para tomar a decisão de pular e, claro, pela nossa falta de elegância ao praticar o salto mortal.
Noutras palavras: é óbvio que, numa disputa e numa sociedade polarizadas, sempre haverá repercussões negativas acerca de absolutamente tudo.
E aquilo que não tem solução, não é um verdadeiro problema.
O relevante, eleitoralmente falando, são três outras questões.
Primeira: vamos perder algum apoio entre quem, hoje, nos apoia?
Segunda: a proibição nos ajuda a disputar o apoio dos trabalhadores pobres, das mulheres e dos negros que, por enquanto, estão pensando em se abster, votar nulo, branco ou até no cavernícola?
Terceira: a medida anunciada por Lula deixa o lado de lá na defensiva, tendo que responder a uma iniciativa do nosso lado?
A resposta para essas quatro questões é, respectivamente: não, sim e sim.
Entretanto, o mais relevante não é a dimensão eleitoral; o decisivo é responder ao seguinte: a medida é justa? Protege o povo? Prejudica os criminosos?
A resposta é sim. Motivos pelo quais – talvez o entorno tenha o que dizer a respeito – a proibição poderia e deveria ter sido adotada antes.
Sem falar que ir para cima das BETS abre as “portas da percepção” para outra questão: a jogatina especulativa praticada pelo setor financeiro privado.
Mas, a cada dia, sua agonia.
No dia de hoje, vamos comemorar e difundir muito a nossa aposta certa.
E, sempre, manter a pólvora seca, pois Trump – o cavernícola ianque – tem um longo histórico de investimentos em cassinos e jogos de azar.
E vai seguir apostando tudo contra nós, como já fez noutras eleições latino-americanas. Mas, desta vez, vai perder.
Quem tiver dúvidas a respeito, infelizmente estou impedido de propor uma aposta…
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
