Por Fausto Antonio (*)

Epigrafia do escudo contra o Estado policial racista
O foco no pleito eleitoral de 2026, na política e ideologia racista e fascista nos discursos dos candidatos proporcionais da extrema-direita, tem amarras com o estágio de intervenção direcionado internamente pelo campo extremista e, ao mesmo tempo, é fruto de uma política central para a implementação do propalado “Escudo das Américas”. Trocando em miúdos, o bolsonarismo, carro-chefe da extrema-direita brasileira, revela um mecanismo opressor que tem raiz na história do país e que permite a naturalização do racismo, da segregação e da violência que conformam e materializam ou comprovam a extensão das forças reacionárias no seio da sociedade brasileira. Noutros termos, o bolsonarismo tem força social organizada e racializada.
O campo revelou, com a delimitação sistemática do foco no Senado, notadamente, que tem organização política e uma concepção de Estado Policial, que deve ser o foco de uma política antirracismo no contexto do segundo turno, revelando que no primeiro turno, infelizmente, não enfrentamos com discurso, mobilização e voto negro e antirracismo a proposta de Estado Policial apresentada e defendida pelos candidatos proporcionais da extrema-direita e pelo comando político do PL.
Estado policial e racista anunciado pelo bolsonarismo
O Bolsonarismo, força política de extrema-direita, tem como política central, conforme declarações de Flávio Bolsonaro, a implantação, no Brasil, de um Estado Policial. O modelo de encarceramento em massa existente em El Salvador e definido e imposto pelos EUA faz parte da conexão internacional que orienta a extrema-direita e, especialmente, revela o direcionamento ancorado no estágio atual do imperialismo, vide o chamado “Escudo das Américas”, instrumento de dominação, exploração, opressão e poder intervencionista assegurador de privilégios para os EUA, notadamente. Quem quiser acompanhar, retrospectivamente, a política orientadora do Estado Policial e racista proposto pelo representante dos interesses dos EUA no território brasileiro, acesse os vídeos seguintes: https://youtu.be/qkrcxBsBhgM e https://youtu.be/jMNoDQcMtP0 .
Prospectivamente, na campanha para o Senado e dos proporcionais, a chamada para o voto foi didaticamente voltada para a defesa intransigente do encarceramento, violência policial e pela afirmação da política construtora do Estado Policial, repressor e executor, sem julgamento e criminalizando, em concordância com as deliberações dos EUA, jovens negros, pobres e ativistas de partidos, movimentos sociais e opositores do Estado opressor proposto. A violência em El Salvador é praticada pelo Estado e assegura o trânsito e a ingerência dos EUA no país e região, principalmente.
A política de violência policial e racista contra negros tem uma longa história no país; ela tem seu advento no processo que marcou, no plano jurídico e institucional formal, o fim do trabalho escravizado, 13 de maio de 1888. Desde então, os negros estão na mira do aparato repressor. Nos dias atuais, a violência contra jovens negros conta com a atuação conjunta dos sistemas policial, jurídico e de comunicação, que conjuntamente dão suporte e sustentação repressiva, jurídica e comunicacional naturalizadora para o genocídio negro. Com um sistema carcerário com população estimada de aproximadamente um milhão de presos(as), o candidato de extrema-direita, propugnador do Estado Policial e da ditadura militar, acena para os eleitores com a política racista e fascista de redução da maioridade penal, de ampliação das penas e da construção de mais presídios.
Por que a política policial, racista e fascista de encarceramento e de defesa da violência policial e do Estado tem a adesão de expressiva fração da sociedade brasileira? O racismo é um elemento fundamental para a compreensão do fenômeno e da sua naturalização. Há uma intervenção articulada no Brasil do sistema policial, do sistema jurídico e do sistema de comunicação capitalista na manutenção dessa política que, na ditadura militar e branca de 1964, foi canonizada pelo esquadrão da morte e iconizada e racializada pela denominada “mão branca”. Assim, temos o encontro desses sistemas e com a afirmação, a partir do esquadrão da morte, do genocídio de negros e a explicitação do discurso racista epíteto do ícone “mão branca”, expressao sinonímica, na ditadura militar branca de 1964, do esquadrão da morte.
O foco no pleito eleitoral de 2026, na política e ideologia racista e fascista nos discursos dos candidatos proporcionais da extrema-direita, tem amarras com o estágio de intervenção direcionado internamente pelo campo extremista e, ao mesmo tempo, é fruto de uma política central para a implementação do propalado “Escudo das Américas”. Trocando em miúdos, o bolsonarismo, carro-chefe da extrema-direita brasileira, revela um mecanismo opressor que tem raiz na história do país e que permite a naturalização do racismo, da segregação e da violência que conformam e materializam ou comprovam a extensão das forças reacionárias no seio da sociedade brasileira. Noutros termos, o bolsonarismo tem força social organizada e racializada.
O campo revelou, com a delimitação sistemática do foco no Senado, notadamente, que tem organização política e uma concepção de Estado Policial, que deve ser o foco de uma política antirracismo no contexto do segundo turno, revelando que no primeiro turno, infelizmente, não enfrentamos com discurso, mobilização e voto negro e antirracismo a proposta de Estado Policial apresentada e defendida pelos candidatos proporcionais da extrema-direita e pelo comando político do PL.
É fundamental e útil destacar que, além de base social racializada, racista, classista, fascista, e do direcionamento político muito bem orientado para a defesa do Estado Policial, o campo não é tão-somente conectado aos direcionamentos do imperialismo estadunidense: a rigor, é dirigido, comandado financeiramente e conta com agências e agentes dos EUA para viabilizar o perverso “Escudo das Américas”, que destruirá, com certeza, a soberania nacional e deixará o território brasileiro e os seus recursos à mercê da rapinagem estadunidense.
Apresentado o quadro, cresce a importância da militância negra e antirracismo, que inclui amplos setores de esquerda e movimentos sociais diversos, na mobilização e no processo e projeto de denúncia e, de modo concreto, de adesão à campanha nas ruas e nos espaços negro-populares de defesa da soberania nacional, contra o racismo e contra o Estado Policial e de voto para o presidente Lula e, sobretudo, de mobilização permanente para a sustentação, a partir das ruas, dos lugares, do território, do futuro governo do Partido dos Trabalhadores e do campo que o apoiará.
Nossa intervenção não pode desconsiderar a luta real e a oposição ao bolsonarismo, que é a voz e o corpo do império estadunidense e da burguesia branca e racista brasileira na imposição do chamado “Escudo das Américas”, que exige um Estado Policial e de encarceramento dos pretos, dos pobres e da soberania nacional.
(*) Fausto Antonio é escritor, poeta, dramaturgo e professor Associado da Unilab-Bahia.
