Por Valter Pomar (*)

Tem uma guerra mundial em curso. Quem não se deu conta, não entendeu nada.
O segundo turno presidencial no Brasil é uma batalha decisiva. Não vai decidir a guerra. Mas vai decidir em que condições nós seguiremos participando dela.
Há um conflito, em nosso Estado Maior, sobre como conduzir esta batalha. Generais batendo cabeça, oficiais desnorteados, bizarrices na logística e na comunicação, uma polifonia de candidatos a salvador da pátria, confusão quase caótica que inclui – vide RJ – ratos que tentam manter um pé em cada canoa.
E, como se não bastasse, tem entre nós uma quinta coluna, composta pelos que não acreditam ser possível vencer e, também, pelos que, no fundo, torcem pela derrota. Entre esses últimos, há personagens que, incapazes de superar pela esquerda o PT e Lula, inconscientemente torcem para a direita fazer o serviço sujo, limpando o caminho para que uma supostamente “verdadeira esquerda” possa florescer.
Se por acaso ousamos defender o PT dos ataques, sempre haverá os que dizem não ser hora deste tipo de polêmica, afinal “partidarizar” atrapalharia a construção da ampla frente necessária para derrotar o fascismo. E, claro, argumentam que é preciso separar o que é de Lula e o que é do PT: os problemas, deveriam ser todos debitados na conta do Partido-Geni. Ou seja, nos azucrinam, confundem nossos ouvidos com privada, mas querem que fiquemos de cabeça baixa, ginuflexos, pedindo perdão por existir e, se possível, nos chicoteando em praça pública.
As vezes dá vontade de responder detalhadamente aos argumentos supostamente cheios de razão que esta gente anda expelindo. Mas, cá entre nós, não é a primeira e não será a última vez que publicam o obituário do PT antes da hora. E, como das vezes anteriores, a última palavra nessa história não será dada pelo “marxismo acadêmico”, nem pela “fração do teclado vermelho”, muito menos pelas seitas autoproclamadas revolucionárias. A última palavra será dada pela luta de classes. E, nesta luta, vale lembrar que são acima de tudo os fascistas que desejam destruir o PT.
Os erros e coisas piores cometidos pelo PT ou por petistas, especialmente a frente de mandatos, podem contribuir para a destruição desejada pelos fascistas? Seguramente pode. Mas, pelo menos até agora, as dezenas de milhões de pessoas que compõem a Nação Petista, nossa base vietnamita, a “militância para tempos de guerra”, sempre conseguiu segurar a onda, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Aliás, é o que já estão fazendo, desde a noite de domingo 4 de outubro. Não foi preciso ordem nem orientação: foram à luta, conscientes de que precisamos vencer, porque uma alternativa tão ruim simplesmente não pode existir.
É isso que torna, no fundo, tão triste e melancólica a vida desses que volta e meia publicam, prematuramente, o obituário do PT. Pois a nossa hipotética derrota seria, também, a derrota da grande maioria do povo brasileiro, da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras, da juventude, dos “danados da Terra”.
Em respeito ao nosso passado e à serviço do nosso futuro, a única atitude vermelha é combater. Não se trata de “organizar a resistência” ou de “lutar até o final”, se trata de derrotar o inimigo e triunfar. E aí, goste ou não a turma da quinta coluna, vamos cantar que vai dar PT, vai dar!
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
