Por Valter Pomar (*)

Um amigo é de opinião que os marqueteiros são uma “espécime” que precisa ter o mesmo destino dos latifundiários e especuladores.
Se a tese é, no geral, válida ou não, deixo para os especialistas. Mas, no particular, vale para um cidadão – que vou chamar aqui de “foguete super aquinhoado” – que anda defendendo duas teses exdrúxulas.
A primeira é que devemos “por medo nas pessoas”.
A segunda é que nosso “projeto” sofreria de “fadiga de material”.
Vamos por partes.
Devemos falar a verdade. E a verdade é que os imperialistas, os neofascistas e os ultraliberais não estão para brincadeira: onde ganham, vão para cima, sem dó nem piedade.
Mas dizer a verdade é uma coisa, “por medo” é outra, por pelo menos dois motivos:
I/algum medo, assim como algum estresse, é indispensável para sobreviver na selva e na luta de classes. Mas medo em excesso é paralisante. Motivo pelo qual medo sem esperança é a morte;
ii/a maior parte das pessoas são oprimidas pelo medo todo dia: medo de perder o emprego, medo do salário não chegar até o fim do mês, medo de ser vítima das grandes e pequenas desgraças que povoam, especialmente, a vida das pessoas mais pobres, mulheres, negros e negras, moradores das periferias. Nossa base social não precisa de mais medo, nossa base quer esperança, necessita de uma mensagem que convoque à luta por um futuro melhor.
Por isso mesmo, não há “fadiga de projeto”.
Esta tese da “fadiga” é do mesmo naipe de algumas outras “explicações”, segundo as quais o resultado do primeiro turno teria sido produto da “crise do capitalismo”, do “ascenso da extrema-direita” ou do “sentimento de mudança capturado pela direita”.
Quem arruma estas “causas” evita discutir os erros cometidos – por setores do governo, da campanha e do Partido – e coloca a “culpa” em variáveis genéricas, que têm a “vantagem” de não ter CPF, nem RG.
Portanto, para citar uma frase que não é minha, os responsáveis escapam de serem “afogados no lago”.
A tese da “fadiga de projeto” incide, ademais, noutro erro: não explica de que “projeto” estaria falando. É uma referência a Lula? Ao PT? Ao programa democrático-popular e socialista? Ou ao que foi efetivamente praticado no terceiro mandato de Lula?
Seja o que se queira dizer, adotar a tese da “fadiga” é aceitar que a extrema-direita teria alguma dose de razão, ou seja, de que não teríamos mais o que oferecer ao povo brasileiro.
Que alguém pense assim, normal.
Mas que um funcionário muito bem assalariado, com altas responsabilidades, pense algo assim, é a prova de que a tal “crise de direção” existe. Ou, pelo menos, que nosso setor de RH é de uma incompetência ímpar.
Por estas e outras, a nossa única “bala de prata” é a maravilhosa Nação Petista, que junto com milhões de pessoas sem partido ou de outros partidos, está nas ruas, nas redes e nos “pé de ouvido”, para garantir que haja futuro para o povo brasileiro.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
