Dez dias e uma certeza: vencer ou vencer!

Por Maria Caramez Carlotto (*)

Escrevo este texto saindo da manifestação de um milhão de pessoas na avenida Paulista. O ato histórico em São Paulo, ao lado de atos massivos em todo o país ao longo da semana, confirma uma impressão que eu tive no final do domingo: o resultado nos pegou em um ascenso de mobilização e a diferença não foi grande o suficiente para nos tirar do jogo: vamos vencer!

No começo da semana, não foram poucos os que olharam meu entusiasmo com pena. Alguns me tomaram por lunática quando, depois da marcha da UFF na segunda-feira à noite, eu aventei a possibilidade de um levante das universidades que tinha o potencial de contagiar todo o país. E foi justamente o que aconteceu ao longo da semana. Mostrando que estavam certos os que apostavam, desde o primeiro dia do primeiro turno, na importância da Campanha Lula nas universidades, os estudantes se levantaram país afora para lembrar que só está morto quem não luta.

Terminamos a primeira semana com uma grande missão cumprida: derrotamos o derrotismo. Enterramos os péssimos argumentos que brotaram dos que, sem ânimo de lutar, achavam melhor capitular. Mostramos que havia espaço numérico para virar; mostramos que já somos protagonistas de acontecimentos inéditos a história do país; mostramos que vale a pena ganhar, especialmente com esse Congresso; lembramos que o povo pobre trabalhador está do nosso lado e é também por eles que não temos o direito de desistir. Também ficou demonstrado que o Partido dos Trabalhadores segue sendo o maior instrumento da classe trabalhadora brasileira construiu e que, quando o bicho pega, é para estrela vermelha que as multidões recorrem, ao som de “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula!”.

A nação petista, a classe trabalhadora e todos os democratas de verdade do país estão de parabéns: cumpriram a sua principal tarefa da primeira semana, derrotaram o derrotismo e nos devolveram para o jogo, com a bola no pé. Agora, precisamos transformar essa vontade de vencer em vitória.

Para isso, a grande missão das próximas duas semanas do segundo turno é VIRAR VOTO. Isso não se faz apenas com grandes demonstrações de força como as que fizemos nos últimos dias, embora elas sejam muito importantes. Se faz com corpo a corpo, olho no olho, empatia, honestidade, escuta e diálogo. Precisamos buscar ativamente as pessoas. Falar da eleição, perguntar pelo voto, convencer quem não votou a votar, convencer quem votou branco ou nulo a votar 13, convencer quem votou em outros candidatos do que está em jogo e convencer quem votou Lula a fazer cada vez mais campanha.

Sobre números: acho importante frisar que a taxa geral de abstenção não cresceu muito além do patamar de 2022. Apesar disso, em algumas regiões e segmentos, houve um aumento significativo dos que não foram votar, com destaque para os grandes centros urbanos do Sudeste, em dois públicos em que Lula tem muitos votos: jovens até 29 anos e pessoas com mais de 70 anos. Esses são dois segmentos muito importantes, sempre com destaque para as mulheres, que tendem a votar mais em Lula do que em outros candidatos.

 Ainda sobre prioridades, seria muito importante atuar no interior de três estados chave para essa eleição: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. É fundamental chegar às pequenas e médias cidades desses estados, conquistando votos do nosso eleitorado mais fiel: jovens, trabalhadores pobres, mulheres, pretos e pardos e pessoas com mais de 70 anos.

Nesse movimento, é fundamental ter em mente que não houve uma onda da direita que contagiou a sociedade. Eles têm um teto que não conseguiram furar. Nós é que estamos no nosso piso, com condições de crescer. Para tanto, é fundamental passarmos os próximos 15 dias em campanha, campanha, campanha.

As redes sociais são importantes, mas não é ali que se vira voto. Para além da comprovada interferência das big techs na eleição, o que precisamos é de campanha de gente. É preciso conversar com as pessoas, entender suas dores, medos e angústias, falar dos nossos sonhos.

Faltam 15 dias. São os 15 dias mais importantes da história do Brasil neste século. Neste momento, só podemos ter um destino: vencer ou vencer.

(*) Maria Caramez Carlotto é professora da UFABC e presidenta da ADUFABC.

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