Por Patrick Campos (*)

Quatro anos após a difícil batalha do primeiro turno das eleições de 2022, o candidato de esquerda mais votado em Pernambuco voltou a ser o presidente Lula, com 3.553.971 votos (63,45% dos votos válidos), mas com uma diminuição de aproximadamente cinco mil votos em relação a eleição anterior, quando o percentual no primeiro turno foi de 65,27%.
O segundo candidato de esquerda mais votado foi o senador Humberto Costa, com 2.531.389 votos (27,19% dos votos válidos para senador). Humberto teve mais votos do que o candidato ao governo do estado apoiado pelo PT, o ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, que teve 2.360.469 votos (44,82% dos votos válidos para governador).
Marília Arraes (PDT), a outra senadora eleita pela chapa, obteve 2.325.127 votos (24,97% dos votos válidos). Ou seja, todas as candidaturas da chapa apoiada pelo PT em Pernambuco tiveram cerca de um milhão de votos a menos do que a votação de Lula no estado.
As demais quatro candidaturas de esquerda ao governo do estado, somadas, obtiveram 82.605 votos.
Com relação ao quadro das candidaturas proporcionais, o PT obteve 512.371 votos, sendo que 41.963 foram votos de legenda (pessoas que apenas digitaram 13 na urna). O partido conseguiu ampliar sua bancada federal de um para três deputados e deputadas (Rosa Amorim, com 144.101 votos; Carlos Veras, com 133.118 votos; e Liana Cirne, com 85.039 votos).
Já a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) obteve 717.053 votos, reelegendo ainda o atual deputado federal pelo PV, Clodoaldo Magalhães, com 92.229 votos. Em 2022, o PT havia obtido 355.602 votos para a Câmara dos Deputados. A Federação, por sua vez, havia obtido 535.934 votos.
Do quadro acima é preciso destacar, de imediato, duas coisas. Primeiro: a diminuição da votação do presidente Lula, num universo de ampliação dos votos válidos de 5.452.009, para 5.601.017 eleitores. Neste ano, dos 7.225.744 eleitores que estavam aptos a votar em Pernambuco, 1.311.753 não compareceram ao local de votação, um índice de abstenção de 18,18% (em 2022 o índice foi de 18,21%. Em quatro anos, Pernambuco apresentou 35.247 abstenções a mais).
O mesmo ocorreu em relação aos votos brancos e nulos (de 90.092 votos brancos em 2022 para 109.491 em 2026, e de 196.270 votos nulos em 2022 para 200.554 em 2026).
Ou seja, mesmo com um aumento no número de eleitores, menos gente digitou 13 na urna do que em 2022, mais gente decidiu não sair de casa para votar e, dos que saíram, mais gente votou branco ou anulou o voto.
A segunda coisa a se destacar é que, ao mesmo tempo, cresceu a votação das candidaturas proporcionais de esquerda para a Câmara dos Deputados. Somados os votos da Federação Brasil da Esperança com a votação das candidaturas dos demais partidos de esquerda (Federação PSOL-Rede, UP e PCO), estas candidaturas receberam 983.114 votos, ante os 806.184 votos de 2022, um crescimento de 176.930 votos.
Algo semelhante ocorreu na Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde o PT aumentou sua bancada eleita de três para cinco representantes e da Federação de sete para nove (com uma votação total de 913.619 votos, sendo 100.983 na legenda do PT).
Esta aparente contradição pode ajudar a entender uma das nuances desta eleição: a tática de priorização das eleições de deputados e senadores. A falta de material da campanha presidencial, o baixo grau de mobilização e as poucas agendas sem a presença de Lula foram uma marca do primeiro turno em Pernambuco.
Por outro lado, as candidaturas proporcionais ocuparam o centro da campanha, tanto nas ruas quanto nas redes. Se a candidatura de Lula apareceu em algum momento, foi como reforço para as candidaturas à deputado e senador, e não o contrário.
Acontece que apenas colar a imagem de Lula nos materiais e fazer o L nas fotos não foi suficiente para convencer uma parcela importante da população a decidir pelo 13. Principalmente quando a extrema-direita manipula os algoritmos das redes sociais, compra votos, disputa ideologicamente e utiliza todas as suas forças para convencer essa mesma população de que a culpa dos problemas cotidianos é de Lula e do PT.
Não haverá segundo turno para governador em Pernambuco e tampouco teremos as candidaturas proporcionais e ao Senado com as condições de mobilização que tiveram no primeiro turno. Ainda assim, a primeira semana de campanha em Pernambuco está demonstrando que é possível ampliar a votação de Lula do estado, a partir de muito esforço militante.
Se, no primeiro turno, ocorreu apenas uma única grande mobilização da campanha de Lula quando ele esteve no Recife, agora, estamos vendo uma profusão de atos, mobilizações, caminhadas e plenárias populares que faz lembrar o segundo turno de 2014, quando polarizamos a disputa e vencemos com a presidenta Dilma, a partir de muita mobilização nas ruas e redes.
Mas 2026 não é 2014, principalmente no que diz respeito à força organizada da extrema-direita. Por isso, é preciso polarizar a disputa em torno dos grandes temas do futuro, mas sem esquecer o presente: o preço do combustível e da comida, a precarização do trabalho por aplicativos, a dificuldade de pagar o aluguel e o transporte e as tantas questões que tocam o cotidiano da grande maioria da população brasileira.
Em Pernambuco, temos espaço para crescer, ampliar a votação no segundo turno e ajudar Lula a vencer as eleições. Para isso, devemos corrigir os erros do primeiro turno e fazer neste segundo aquilo que sabemos que funciona: mobilizar, conversar, convencer e organizar. Será assim que derrotaremos, mais uma vez, o fascismo nas urnas e criaremos as condições para derrotá-los nas ruas.
(*) Patrick Campos é professor e militante do PT em Pernambuco.
