Orientação Militante N°526 (23 de março de 2026)

Boletim interno da Direção Nacional da

tendência petista Articulação de Esquerda

***

1/Opinião sobre a crise no PT do Ceará

No dia 17 de março, ocorreu uma reunião da tendência petista Articulação de Esquerda, para discutir a situação do Partido dos Trabalhadores no Ceará.

A reunião foi uma iniciativa da direção da tendência no estado do Ceará. Ao final da reunião, os dirigentes nacionais presentes informaram que fariam um relato da situação para a direção nacional, relato que serviria de base para uma resolução política pública a respeito.

Este é o status do presente texto: um relato e uma opinião, que visa converter-se, com ou sem emendas, num documento oficial.

O ponto de partida do relato é o seguinte: a deputada federal petista Luizianne Lins está cogitando sair do PT, provavelmente em direção à Rede, legenda a partir do qual sairia candidata ao senado.

Além disso, está em curso uma articulação que visa impedir que o PT tenha candidato próprio ao Senado. Embora o deputado federal José Guimarães seja pré-candidato ao Senado, uma operação comandado pelo ministro Camilo, respaldada tanto pelo governador Elmano quanto pelo “Campo Democrático” liderado por José Guimarães, visa entregar à “aliados” de direita as duas vagas no Senado.

Outro aspecto da situação é a alteração na composição do Partido, resultado do ingresso de grande número de políticos de direita, alguns dos quais estão envolvidos em crimes, processos e prisões, como as ocorridas e amplamente noticiadas nos últimos dias. Nesse particular, o protagonismo cabe a Camilo, cuja conduta inclui trazer para dentro do PT ou para s condução de aliados setores da direita, inclusive golpistas vinculados em alguma medida ao bolsonarismo.

Além disso, o quadro eleitoral no estado está muito longe de ser tranquilo. Para além dos problemas e debilidades do governo Elmano, existe uma movimentação na direita local – com destaque para Ciro Gomes – que visa derrotar o PT na eleição para governador.

Compõe a situação, finalmente, o contexto nacional e internacional, que influi direta e indiretamente nas ações, sonhos e pesadelos que se abatem sobre a militância, levando alguns à cooptação, outros a acomodação e alguns à ruptura.

Sendo este o quadro, o que fazer? A resposta é ao mesmo tempo fácil e difícil.

É fácil porque acumulamos, desde 1993, uma opinião sobre a situação do PT e da política brasileira, opinião que vem sendo no fundamental confirmada pelos fatos, a saber: na atual situação histórica, não existe para a classe trabalhadora uma alternativa sem o PT ou contra o PT.

Ao longo dos últimos 46 anos, o PT se consolidou como o Partido preferido pela maioria esmagadora dos trabalhadores com consciência de classe. Fracassaram absolutamente todas as tentativas de construir alternativas ao PT e fora do PT. Aliás, o que temos visto nos últimos anos é o ingresso, no PT, de pessoas que anteontem diziam que o PT estaria esgotado. Por uma dessas ironias da história, boa parte desses ex-esquerdistas ingressam no PT em aliança com a chamada direita do Partido.

A resposta é fácil, também, porque movimentos individuais não constituem alternativa para a crise que vivemos. Um dos componentes desta crise é a dupla eleitoralismo & institucionalismo, ou seja, transformar a disputa de eleições e o exercício de mandatos em aspectos supremos da vida partidária, em detrimento de todo o restante: a disputa ideológica, a construção partidária e a luta social. No lugar da ação coletiva da classe, se coloca no centro a ação do indivíduo e sua “carreira política”. No passado, quem defendia esta conduta era basicamente a chamada direita do PT. Mas no presente, personagens de esquerda adotam o mesmo procedimento, agindo quase como se não existisse vida possível fora das eleições e das instituições.

Em 2024 tivemos um caso exemplar: Eloi Pietá, fundador do PT, foi impedido de disputar uma prévia. O impedimento era ilegal e imoral. Em protesto ele saiu do Partido e se filiou a um partido de direita. Questionado, disse estar seguro de que ganharia a eleição, a partir do que usaria a prefeitura para reconstruir o PT de Guarulhos. O que ocorreu: Eloi efetivamente foi ao segundo turno, mas perdeu a eleição. Hoje “milita” num partido de direita, onde sua meta principal é fazer com que este partido apoie Lula em 2026. Mas suponhamos que Eloi tivesse vencido e que tivesse cumprido sua promessa. Neste caso, perguntaria: seria correto “usar a máquina” para refazer o que o “uso da máquina” corrompeu?

A resposta ao que fazer é fácil por um terceiro motivo: não há solução local para problemas nacionais. A degeneração não é “pior” no Ceará; isto é uma ilusão causada pelo proximidade. Basta pensar no que ocorre na Bahia ou no Rio de Janeiro, para ficar nesses dois exemplos, para concluir que estamos diante de problemas nacionais. Nesse sentido, vale algo que dizemos desde 1993: a esquerda que sai do PT contribui para fortalecer a direita do Partido.

Em resumo, a resposta é fácil. Mas tombem é difícil. A degeneração operada principalmente sob comando do ministro Camilo é brutal. Além disso, as pessoas tem suas concepções e limitações: o que para nós da AE constitui cláusula pétrea – somos petistas – para outros vai se convertendo numa circunstância, provocando rupturas que afetam para pior a situação interna e complicam a situação externa. Criando em muitas pessoas a impressão de que não haveria alternativa real, pois sair não resolve, mas ficar supostamente também não resolveria. O que na prática faz com que milhares de pessoas deixem de militar e se convertam apenas em eleitoras, ou seja, exatamente o que denunciamos como um dos efeitos colaterais da política da direita do Partido.

Sabendo dessas dificuldades todas, o que propomos à militância da AE e do PT no Ceará é:

1/não naturalizar a possível saída de Luizianne, militante que sempre foi vinculada a esquerda petista e nossa companheira em incontáveis lutas, inclusive contra as práticas que vem degenerando o PT no Ceará: mesmo reconhecendo os motivos, reafirmamos pública e abertamente que sair do PT não é solução, nem estratégica, nem tática;

2/não naturalizar o neocoronelismo de Camilo: o PT deve ter candidatura própria ao Senado, como defende inclusive o companheiro José Guimarães;

3/não assistir passivamente o desastre: preparar o lançamento de uma candidatura da AE para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Se prevalecer o pior, vamos lutar para que o eleitorado petista, fiel a seu Partido, tenha em au votar.

4/prosseguir no trabalho político e organizativo junto à classe trabalhadora: só uma nova onda de luta de massas pode resgatar o PT.

Por fim, destacamos que a proximidade da janela partidária torna visível um dos aspectos mais deletérios da democracia burguesa realmente existente no Brasil: a conversão dos mandatos em propriedade privada dos seus titulares.

Ninguém no PT – nem Lula – é o que é por obra e graça de si mesmo. Todos somos produto coletivo do trabalho de milhões de pessoas, muitas das quais já não estão entre nós. Portanto, se alguém quer seguir outro rumo, tem o direito de fazê-lo. Mas o certo nesse caso é deixar para o Partido o mandato que foi uma construção coletiva.

Esperamos continuar contando com a companheira Luizianne na batalha por resgatar o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.

Brasília, 18/3/2026

2/Conferência antifascista

1ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL ANTIFASCISTA PELA SOBERANIA DOS POVOS
De 26 a 29 de março de 2026, Porto Alegre – Brasil

Confira a programação completa aqui: https://antifas2026.org/programacao/

3/edição de abril do Página 13

Textos devem chegar até o dia 27/3. Pauta: Capa: congresso do PT. Página 2, editorial e expediente. Página 3 a 6 conjuntura internacional, Estados Unidos Jana Silverman, Irã, Venezuela, Cuba Soraya Zanforlin, China Vladimir Milton Pomar. Página 7, conjuntura nacional Natália Sena, Página 8 a 10, eleição nos estados; texto Ary Vanazi; entrevista Guida. Página 11, balanço do Congresso do Andes. Página 12: balanço do 8 de março Suelen Gonçalves; página 14: congresso do PT; página 14: zodíaco.

4/Reunião da DNAE

A próxima reunião da Dnae será no dia 29 de março, com a seguinte pauta: 1/conjuntura, 2/Congresso do PT, 3/escolha da titular da SNFP da AE; 4/coeditor do jornal; 5/data da próxima edição da Esquerda Petista; 6/lista de cidades que devem ser visitadas durante o ano de 2026; 7/informe sobre estados de Santa Catarina, Marcos Jakoby; Goiás, Múcio Magalhães; Roraima, Rondônia e Acre, Valter Pomar; 8/informes sobre estados de Paraná, Júlio Quadros; Mato Grosso, Wilma; Amapá, Bahia e Amazonas, Valter; Paraíba, Eliane; 9/informes sobre estados de Minas Gerais, Suelen; Piauí, Patrick; Maranhão, Hilton; Ceará e Alagoas, a executiva da tendência vai decidir; 10/informes sobre estados de Espírito Santo, Suelen; Sergipe, Jandyra; Pernambuco, Ivonete; 11/definir acompanhamento dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal; 12/aprovar roteiro de acompanhamento dos estados (cabe ao Valter redigir); 13/indicação da secretaria nacional de organização; 14/debate geral sobre eleições 2026; 15/data da plenária ou conferência de militantes da AE na área da saúde.

5/Ajuda memória da divisão de tarefas na Dnae

Adriana Souza (MG) será candidata em 2026
Ana Affonso (RS) será candidata em 2026
Ana Flávia (RN), agenda de cidades onde conseguimos maioria
Damarci Olivi (MS) tesouraria
Daniela Matos (DF), tesouraria adjunta
Eliane Bandeira (RN), acompanhamento Sergipe
Fátima Lima (RJ) acompanhamento dos setoriais nacionais
Gleice Jane (MS) será candidata em 2026
Hilton Faria da Silva (TO), acompanhamento Maranhão
Humberto Amaducci (MS)
Ivonete Alves (SE), direção da CNTE e acompanhamento de Pernambuco
Jandyra Uehara (SP) direção nacional da CUT e coordenação sindical nacional da AE, acompanhamento Sergipe
Júlio Quadros (RS), DN e acompanhamento Paraná
Leirson Azevedo (PA)
Luiz Boneti (RS), DN
Marcos Jakoby (RS), edição do site, coedição do OM, acompanhamento Santa Catarina
Múcio Magalhães (PE), acompanhamento Goiás
Natália Sena (RN) DN, CEN, coordenação do GTE eleitoral, coedição do podcast
Patrick Campos (PE), edição do podcast e acompanhamento Piauí
Suelen Aires Gonçalves (RS), coedição da Esquerda Petista, acompanhamento de Minas Gerais e do Espírito Santo
Valter Pomar (SP), edição do OM, edição do Página 13, edição da Esquerda Petista, acompanhamento dos estados do AM, AC, RR, RO
Wilma dos Reis (DF), acompanhamento do MT

6/agenda atualizada

26 a 29 de março – I Conferência Internacional Antifascista (POA)

28 de março, plenária da pré-candidatura a deputada federal da Guida Calixto

29/3 reunião da Dnae

01/04 Reunião da Comissão Executiva Nacional do PT

10 a 12 de abril – Elahp RN Curso América Latina

24 a 26/4/2026 CONGRESSO NACIONAL DO PT

26/4 reunião da Dnae

01/05 Dia de luta da classe trabalhadora

01/05 festa de 10 anos do Centro Cultural Esperança Vermelha

2/5 reunião virtual nacional de formadoras e formadores da AE

2/5 congresso municipal da AE SP SP

04/05 Reunião da Executiva Nacional do PT

16 de maio – X congresso estadual da Articulação de Esquerda do RS

22 de maio, curso da Elahp em Neves (MG)

23 de maio, curso da Elahp em Belo Horizonte (MG)

24 de maio, congresso estadual da AE MG

30 e 31 de maio, curso da Elahp em Porto Alegre

31/5 reunião da Dnae

5 de junho – curso da Elahp em Salvador

6 de junho – curso da Elahp em Feira de Santa

7/6 – congresso da AE Bahia em Feira de Santana

11/06 Reunião da Executiva Nacional

13/06 Reunião do Diretório Nacional

28/6 reunião da Dnae

JULHO Convenções partidárias

26/7 reunião da Dnae

30/8 reunião da Dnae

27/9 reunião da Dnae

04/10 Primeiro Turno das Eleições

08/10 Reunião da Executiva Nacional

10/10 Diretório Nacional

25/10 Segundo Turno das Eleições

01/11 reunião da Dnae

27, 28 e 29/11/2026 XI Congresso Nacional da AE

29/11 reunião da Dnae

10/12 Reunião da Executiva Nacional

12/12 Diretório Nacional

13/12 reunião da Dnae

7/eleições sindicais

Sindicato Bancários SP, Osasco e região: 2027
FETEC: segundo semestre 2026
CONTRAF: primeiro semestre 2026
Petroleiros SJC: 2027
Servidores SJC: eleição 2027
ADUFABC: eleição em 2026
Jornalistas SP: eleição 2027
SINPRO Guarulhos: abril 2028
APEOESP: 2026
Servidores Santo André: 2026

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