
Meu nome é Ronaldo Hipólito e conheci a Wanda em 1972, ao ingressar na refinaria de Paulínia.
Wanda Conti, que nos deixou a 18 dias, hoje recebe esta merecida homenagem.
É uma honra, para mim, ser convidado para fazer parte deste ato, que homenageia e eterniza o nome desta guerreira, neste espaço de debate, formação e cultura.
Wanda Conti, sempre lutou pelo tratamento igualitário para todos, pela inclusão social, pela fraternidade e pela solidariedade entre as pessoas.
Foram estes sentimentos, enraizados desde a sua infância, que segundo ela própria, a levaram a trilhar estes caminhos, dentro da comunidade religiosa, e das lutas sindicais, sociais e políticas.
Ela tinha um temperamento forte, mas terno; crítico, mas aberto ao debate; ácida, mas de elogios generosos; guerreira, mas defensora de eventos festivos, para aglutinar pessoas e fortalecer a luta..
Wanda sempre teve uma atuação marcante na igreja, desde a organização das pastorais, culminado com, junto com o companheiro Carlos Signorelli, que faleceu uma semana antes dela, a fundação do conselho de leigos da regional sul i, da CNBB.
Wanda foi uma mulher pioneira no sindicalismo brasileiro; foi uma das fundadoras do sindicato dos petroleiros de Campinas, sendo a primeira mulher na executiva de um sindicato de trabalhadores deste setor.
Wanda foi uma das fundadoras do partido dos trabalhadores, militante de primeira hora da tendência Articulação de Esquerda e uma defensora ferrenha do socialismo como forma de organização da sociedade.
Foi demitida, junto com toda a diretoria do sindipetro, na greve de 1983, e continuou a luta, a partir deste momento, pela reintegração de todos os que foram demitidos nesta greve.
Neste mesmo ano ajudou a fundar a CUT, participando da direção estadual, nas primeiras gestões, com uma preocupação e um trabalho constante na formação sindical e política.
Wanda também foi uma das fundadores deste Centro Cultural Esperança Vermelha – CCEV, que hoje completa 10 anos, para juntar duas atividades que ela sempre incentivou e se envolveu: formação e cultura.
Foi a Wanda conti que me ajudou a ingressar na chapa reconquista, que retomou o controle do sindicato, expulsando o interventor, imposto pelo regime militar da época.
Sempre defendeu que, para manter o nosso ideal e não ser seduzido pelo poder, nunca deveríamos abrir mão do contato e do trabalho de base, junto aos trabalhadores e também junto às nossas bases sociais.
Muitos de nós, aqui presentes, somos privilegiados por ter acompanhado parte desta trajetória de luta, resiliência e resistência.
Agora vamos assistir um vídeo, que foi produzido pelo Sindipetro, em que ela mesma faz um resumo da sua história política/sindical.
Vamos ao vídeo!
Ronaldo Hipólito Soares
