Por Valter Pomar (*)

Não sou contra textão.
Mas tudo tem limite.
A executiva nacional do PT, reunida dia 10 de setembro de 2026, aprovou – por maioria – uma resolução com 37 itens, que na versão do Poder360 estão distribuídos por 7 páginas.
Quem tiver tempo e paciência, está aqui:
Grande parte da resolução – diria que 95% – é copy e cola de textos anteriores, escritos quando boa parte da executiva acreditava – ou deixava que acreditassem – inclusive em vitória no primeiro turno.
Pequena parte da resolução – diria que menos de 5% – dialoga com a situação atual, em que algumas pesquisas apontam o cavernícola filho como suposto vitorioso no segundo turno.
Desta parte eu extraio (e em seguida comento) as seguintes afirmações:
1/confiar no Fachin
-orientação errada, versão atual da confiança que alguns depositavam no Xandão;
2/o PT tem uma proposta de reforma do judiciário
-seria ótimo se fosse verdade. Acontece que no Congresso do PT se incluiu a frase num Manifesto, mas o conteúdo propriamente dito foi remetido para a segunda etapa do Congresso, que será em 2027. E o citado “seminário” que debateu o tema não é instância deliberativa. A verdade é outra: o dirigente responsável por bloquear o debate no congresso do Partido, agora tenta recontar a história, talvez para apagar suas digitais;
3/é preciso organizar uma ofensiva democrática
-trata-se da repetição, com outras palavras, da “frente ampla contra a extrema-direita”. Os fatos estão demonstrando que esta política não dá conta da tarefa de derrotar a extrema-direita em 2026;
4/reconhecimento de que as realizações do nosso governo estão “muito aquém do desejado”
-verdade, embora escrita numa linguagem (ver especialmente o ponto 24) de quem não percebe o ato falho cometido por quem afirma que a “economia” vai bem e o povo não tão bem assim;
5/a promessa de que, em nosso próximo mandato, vamos “fazer mais”
-correta orientação. Mas a maneira como isso é abordado na resolução converte a imprescindível batalha pelo futuro em promessa de campanha, o que já se demonstrou insuficiente para atrair quem ainda não vota em nós;
6/mobilizacão no dia 13/9
– totalmente correto. Infelizmente, este ponto está meio que perdido no penúltimo ponto da resolução. E, espero estar enganado, ainda não se tomaram as medidas necessárias.
Agrego o seguinte: a essa altura do campeonato, ganharemos a eleição se a “Nação Petista” ocupar as ruas.
Gente. Muita gente. Todo dia, toda hora. 247. 7×0.
O resto importa (TV, linha, o que fazer com STF etc). Mas o que importa mesmo é massa na rua.
Sendo assim, esta resolução da CEN é como os discursos de um certo presidente partidário: longos, repetitivos e inúteis.
Não se trata propriamente de uma resolução, mas de uma digressão.
Sem falar no custo humano e financeiro de uma reunião como essa, com um resultado tão pífio.
Certo fez quem votou contra esta “falta de resolução”.
Ainda bem que a base do Partido é melhor do que nossa direção.
É a resolução desta base que nos dará a vitória, no primeiro e no segundo turnos.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
