Janja, Deus e a campanha eleitoral

Por Valter Pomar (*)

Às vezes, como Eduardo, é melhor não comentar.

Mas outras vezes precisamos falar, nem que seja para salvar a própria alma.

Por isso vou comentar, aqui, um trecho do discurso feito pela companheira Janja no Piauí.

O discurso integral de Janja está aqui:

https://www.instagram.com/reel/DdFoQvJOREh/?stkn=MW9kdXZ5aDJsOWczcQ==

Como se pode constatar, o discurso trata de temas fundamentais, adotando posições corretas.

Entretanto, quase no final, Janja diz – apontando para Lula – a seguinte frase: “esse é o verdadeiro ungido de Deus”.

Como é óbvio, mas o óbvio precisa ser dito, Janja tem todo o direito de dizer e de pensar o que quiser.

E como Janja escreveu o discurso, tenho certeza de que ela refletiu sobre a referida frase, inclusive sobre o sentido da “verdade” num contexto teológico e, também, sobre a conveniência de citar o nome de Deus numa disputa eleitoral.

Dito o óbvio, quero deixar uma opinião a respeito.

Opinião vinda, é bom confessar, de alguém que integra uma das minorias de nossa sociedade: os ateus.

A extrema-direita tenta transformar a disputa política-ideológica em uma guerra religiosa.

Faz isso no Brasil, faz isso no mundo inteiro, a começar pelos Estados Unidos, onde volta e meia Trump e os seus atribuem aos inimigos propósitos “satânicos”.

Na minha opinião, a esquerda não deveria embarcar nessa canoa, nem em nenhuma outra parecida.

Estamos sim diante de uma batalha existencial.

Mas não é apelando para Deus que venceremos esta batalha.

Não apenas porque é errado (afinal, um Estado republicano e laico não é dirigido pelo “verdadeiro ungido por Deus”, mas sim por quem o povo escolha).

Mas principalmente porque, como a experiência demonstra, este tipo de argumento não produz os efeitos pretendidos.

Além de passar uma impressão totalmente desnecessária. 

Estava na cara deste o início que esta eleição seria duríssima, que seria resolvida no segundo turno e que ganharemos por pouco.

Logo, não há motivo para desespero.

Venceremos! 

Venceremos, claro, se entendermos que se trata de uma guerra, onde podem e devem ser usadas todas as armas, desde que funcionem! 

Dixi et salvavi animam meam.

(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA

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