Primeiras impressões sobre o debate na BAND

Por Valter Pomar (*)

Quem ainda não havia entendido, agora certamente entendeu o quanto é arriscado debater com um marginal fascista, num ambiente controlado pelas grandes empresas de comunicação.

O primeiro bloco do debate entre Lula e o Cavernícola Filho, na Rede Bandeirantes, começou com os candidatos respondendo a perguntas feitas pelos mediadores.

A primeira pergunta feita pelos mediadores foi sobre segurança publica, destacando os temas da maioridade penal e do avanço do crime organizado no controle de territórios.

O Cavernícola Filho defendeu classificar as organizações criminosas como narcoterroristas, prometeu leis mais duras e mais vagas no sistema penitenciário. Acusou o atual governo de “passar a mão em bandido”.

Lula criticou o Cavernícola Filho por não ter votado na PEC da Segurança, lembrou que segurança é responsabilidade dos estados, disse que os estados fracassaram, falou que já aprovamos a lei contra as facções e que estamos combatendo o crime também no andar de cima. Assumiu o compromisso de criar o ministério da Segurança Pública, inclusive para enfrentar os milicianos. 

A segunda pergunda feita pelos mediadores foi sobre a economia, que – palavras deles – nos últimos anos teria crescido abaixo da média mundial, com uma carga tributária que só sobe, com uma dívida que é das que mais cresce, a maior taxa de juros do planeta. 

Lula citou vários indicadores positivos, reafirmou ser necessário fazer o dinheiro circular na mão das pessoas, falou da lei geral da pequena e media empresa,  lembrou como estava o país quando chegamos em 2023, concluiu enumerando a economia nova, digital, verde e criativa.

O Cavernícola Filho disse que o PT já governa esse pais há 20 anos, perguntou se a vida melhorou ou piorou, se tá mais cara ou mais barata. Diz que bastará ele ser eleito para criar um espaço de 200 bilhões no orçamento. E que o primeiro passo para arrumar a economia seria “tirar o Lula, tirar do Lula e devolver para você”.

Em seguida veio o primeiro confronto direto. 

Lula iniciou lembrando que o Cavernícola Filho votou, no passado, contra a a ampliação da licença maternidade. E perguntou o que o Cavernícola Filho tem contra as mulheres.

O Cavernícola Filho não respondeu a pergunta (aliás, não respondeu a nenhuma das perguntas), usando seu tempo para questionar se Lula conhece dona Roberta Luchsinger.

(Comprovou-se, desta forma, por quais motivos a entrevista com dona Roberta foi feita ontem.)

Lula reclamou da ausência de resposta e, em seguida, disse que dona Roberta é um assunto da Polícia Federal, inclusive porque ela seria parceira do Careca, sócio do Cavernícola Filho. Este retrucou que dona Roberta seria sócia do filho do presidente. 

Depois de várias altercações entre os dois candidatos, Lula recordou que o Cavernícola Pai demitiu um ministro e mexeu na PF para proteger o Cavernícola Filho. E lembrou do envolvimento entre os Cavernícolas e a quadrilha do INSS. 

O Cavernícola Filho disse que o filho do presidente está em Madri, Lula lembrou que o irmão do Cavernícola está nos EUA, traindo a pátria. 

As altercações prosseguiram, com Lula perguntando que fim teve o dinheiro que o Cavernícola Filho pegou com Vorcaro e lembrando que o Cavernícola Filho vai perder os privilégios de Senador e terá problemas, pois os inquéritos vão andar. 

E assim seguiu a altercação, até que num determinado momento o Cavernícola chegou perto demais e Lula disse “não quero ficar perto de você, com miliciano quero distância”. 

(Para os que não gostaram do bate-boca, sugiro incluir nas contas que Lula demonstrou vitalidade, presença de espírito e sangue nos olhos, sem apelar para a baixaria como fez o Cavernícola Filho.)

O bate-boca prosseguiu, com direito a Lula perguntar sobre a casa de 10 milhões adquirida pelo Cavernícola Filho. Este, entre ofensas e baixarias, disse que vai tirar o povo do sufoco. 

Lula perguntou por qual motivo o Cavernícola interferiu em favor de um policial que matou uma criança de 5 anos. O Cavernícola respondeu dizendo que a maioria dos presos teria votado em Lula. Este teve a presença de espírito de afirmar que deseja 100% dos votos dos presos, inclusive do Cavernícola Pai.

Em seguida Lula perguntou sobre o projeto do Cavernícola, propondo tirar as marcas das cápsulas das balas, lembrando de sua proximidade com os criminosos responsáveis por assassinar a vereadora Marielle Franco e recordando como o governo do Cavernícola Pai facilitou o acesso às armas, em favor da bandidagem.

Nesse contexto, o Cavernícola Filho disse que Lula deveria “olhar para frente”, ou seja, parar de falar dos malfeitos do Cavernícola Pai. Agregou várias acusações e promessas, concluindo que sua suposta eleição será “o fim da era Lula”.

Lula perguntou se o Cavernícola Filho tem acompanhado a situação da Argentina e se vai continuar seguindo o modelo do Milei. O Cavernícola reagiu falando de Ortega e de Maduro, dizendo que “o Brasil acabou internacionalmente por causa da política” de Lula.

O Cavernícola Filho perguntou que modelo Lula vai seguir, Lula disse que vai seguir “o modelo de Lula”. 

Provocado com a “motossera de Milei”, o Cavernícola Filho retrucou que vai dar uma “tesourada”, Lula perguntou nas costas de quem vai ser dada a tesourada, o Cavernícola disse que nas costas de Lula e de Janja.

Lula acusou o Cavernícola de ter se preparado para mentir, acusando de agir como um “malandro carioca”. Logo depois, acabou o tempo do Cavernícola.

Lula administrou melhor seu tempo e teve 1 minuto para falar ao final, que ele usou para dizer, entre outras coisas, que o Cavernícola Filho se preparou para mentir e não gosta de educação. 

Ao final da pancadaria, o Cavernícola Filho ganhou um minuto de direito de resposta (por qual razão, não foi informado), que ele usou para dizer que vai enfrentar o “narcoterrorismo”.

No terceiro bloco, os dois candidatos responderam a uma pergunta dos mediadores, desta vez sobre o tema saúde.

O Cavernícola iniciou sua respostas fazendo demagogia em relação ao termo “malandro”. Em relação à Saúde, disse que chamou Cláudio Lottenberg, do Hospital Einstein (e também da Confederação Israelita Brasileira) para ser ministro. Disse que em 20 anos de governos petistas, nada teria mudado para melhor na saúde. Prometeu prontuário eletrônico,  telemedicina e SUS padrão Einstein.

Lula disse que só pode falar isso que o Cavernícola Filho falou, quem nunca usou a rede pública de saúde. Lembrou dos 4 anos de governo do Cavernícola Pai, o maior desastre da história desse país, porque não acreditaram na ciência.

Neste ponto houve nova confusão, devido a postura provocadora do Cavernícola Filho no palco. A mediadora chegou a dizer, para o Cavernícola, que “o senhor não tem o direito de interromper”. 

Nesse ponto Lula disse que o concorrente “não tem comportamento ético não, não espere isso do bolsonarismo“. E voltou a dizer que o Cavernícola nunca foi no SUS, nunca foi numa UPA, perguntando: será que ele quer privatizar o SUS? Afirmou que ministro da Saúde tem que saber o que é a saúde pública. E lembrou que o dia 18 de outubro é o dia dos médicos.

Depois houve novo confronto direto entre os dois candidatos.

O Cavernícola Filho atacou a “saidinha”, acusando a esquerda de estar sempre pensando no direito dos bandidos e não no direito das vítimas.

Lula abriu a resposta dizendo que o Cavernícola quer dar indulto para o pai e que, para isso, vai ter que liberar todo mundo, inclusive Vorcaro. E defendeu que não é porque um saiu e cometeu um crime, que se deve punir todo mundo: sistema prisional é feito no sentido de recuperar as pessoas. 

O Cavernícola Filho acusou novamente Lula de estar preocupado com o direito dos bandidos e não das vitimas. Em seguida, disse que votou a favor de acabar com a escala 6×1 porque ouviu os trabalhadores. Mas que ele não quer o segundo dia de folga seja um pesadelo. E prometeu que, eleito, o trabalhador vai poder encher o carrinho de compra. 

Lula disse que o Cavernícola Filho conhece ônibus por literatura e que nunca trabalhou. Que ele, Lula, tem consciência de que o custo de vida está alto, mas lembrou que tudo estava mais caro no governo do Cavernícola Pai. Deu números comprovando isso, falou do salário mínimo e das aposentadorias. E disse que a inflação aumentou muito por causa da guerra promovido por Trump, amigo do Cavernícola. E que para evitar os efeitos disso, o governo subsidiou o diesel.

Na rodada seguinte, Lula falou da saúde, dos mortos pela Covid, dos ministros mequetrefes indicados pelo Cavernícola Pai.

O Cavernícola Filho fez um mea culpa do que foi feito na Saúde. Mas disse foi seu pai que comprou a vacina. E engatou que mais de 700 mil pessoas morreram assassinadas, tentando estabelecer um paralelo. 

Lula falou da destruição da saúde do RJ. 

O Cavernícola Filho informou que vai criar o Ministério da Prosperidade. Que os juros vão cair de uma maneira muito rápida. Que as dívidas, tanto pessoais quanto de empresas, vão ser securitizadas. Que a Caixa Econômica vai ser o Itaú das favelas e o Bradesco das periferias.

(Essa ficção acerca do Ministério da Prosperidade é algo que vai permitir, ao Brasil, concorrer com as melhores obras do realismo fantástico latino-americano.)

Os mediadores perguntaram, então, sobre o tema do aumento da produtividade.

Lula falou que crescimento depende do investimento, disse que economia já voltou a crescer, falou dos datacenter, da economia criativa, da economia verde, da formação dos profissionais.

O Cavernícola Filho reclamou que Lula parece ser da oposição. E prometeu implantar o “maior programa de mobilidade social da história desse país”, conectando o governo com a área de recursos humanos das empresas, para “saber se perto da tua casa tem uma oportunidade que alguma empresa está dando”. Disse que a CEF vai ser o Banco da Prosperidade.

(Cá entre nós, de “prosperidade” pessoal o brother de Vorcaro entende.)

Houve então nova rodada de confronto.

Lula perguntou sobre a relação do candidato com os Estados Unidos, a pressão que os Cavernícolas fizeram para os EUA taxarem o Brasil. E perguntou se eles vão entregar para os EUA nossas terras raras e minerais críticos. 

O Cavernícola disse que não trabalhou para tarifar e acusou o governo de ir aos EUA para defender o CV e o PCC. Sobre as terras raras e minerais críticos, não respondeu nada. Aliás, ele não respondeu a quase nada do que lhe foi diretamente perguntado.

Lula acusou a Famiglia de estar subordinada aos interesses dos EUA. E fez um desafio: abrir o sigilo das contas bancárias e telefônicas, para o povo poder avaliar, antes das eleições, quem é quem.

O Cavernícola Filho não aceitou o desafio de abrir seu sigilo. E falou que a soberania do Brasil estaria ameaçada, não pelos EUA, mas por terroristas e marginais.

(Nisso ele está parcialmente certo: os marginais da Famiglia são mesmo uma ameaça à nossa soberania.)

Na sequência, o Cavernícola disse que vai aprovar a castração química para estuprador. |E engatou a seguinte afirmação: vai mudar a Constituição “para proteger você”. Defendeu, também, a redução da maioridade penal para 14 anos.

Lula respondeu e, ao final, reafirmou sua proposta de abrir as contas.

No encerramento, Lula foi o primeiro a fazer suas considerações finais. 

Neste momento, o debate foi paralisado por vários segundos, porque o Cavernícola Filho provocou tumulto, chegando a ser admoestado pela moderadora.

Lula agradeceu ao povo que foi para as ruas. Falou que o Brasil está preparado para dar um salto de qualidade, está preparado para muito mais. E terminou sua fala criticando as privatizações feitas pelos inimigos.

O Cavernícola repetiu seu mantra. 

E assim terminou o debate.

Dificilmente alguém que já tenha decidido seu voto, mudará por conta do debate.

E quanto aos indecisos?

Entre esses, haverá de tudo. Mas aposto que a maioria dos que usarem este debate para se posicionar, tenderá a votar em Lula, principalmente devido ao comportamento arruaceiro e mentiroso do Cavernícola Filho. 

Comportamento que foi facilitado pelas regras de movimentação livre acordadas com a emissora.

Uma questão adicional que fica é: como lidar com o debate na Globo. Que, é bom saber, está repercutindo a entrevista da “pilantra” (sic, mais detalhes aqui: Valter Pomar: A entrevista da “pilantra” (sic))

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