Por Guilherme Mateus Bourscheid, Ivonete Alves Cruz e Izabel Costa (*)

Plenária da militância da AE no congresso da CNTE
De 15 a 18 de janeiro de 2026, a CNTE realizou seu 35º Congresso num encontro com mais de duas mil pessoas. Entre delegados, observadores e suplentes, estiveram reunidos os principais dirigentes sindicais e representantes de base da educação do país. Convidados de partidos, organizações sindicais nacionais e internacionais e dos movimentos sociais também estiveram presentes.
A programação do Congresso foi composta por uma Conferência de abertura sobre Análise de Conjuntura; painéis sobre a Política Sindical, Política educacional e Diversidade e Sustentabilidade sócio-ambiental; e plenárias deliberativas sobre os Temas das Resoluções e Monções.
Um Congresso bem organizado com atividades culturais, mesas e discussões interessantes apresentadas pelos palestrantes. Plenários cheios e disposição de debater a mobilização dos trabalhadores da educação nos próximos anos. Todavia, faltou ao 35º Congresso a principal característica de um encontro sindical. A Conferência de abertura e os Painéis (somente cinco fala na política sindical!) foram esvaziados de conteúdo ao não abrir para falas do plenário. Faltaram ao encontro o debate das posições e concepções das diversas forças políticas, correntes, centrais, sindicatos e militantes de base. Reunindo mais de duas mil pessoas, a direção da CNTE perdeu o momento de realizar, já em janeiro de 2026, uma potente manifestação em defesa das pautas da educação pública e dos trabalhadores da educação.
Assim, antecedendo as defesas das Resoluções nas Plenárias Deliberativas, os GTs, ocorridos no penúltimo dia do Congresso, tornaram-se o único espaço concreto de discussão coletiva da militância. Momento positivo mas insuficiente com apenas duas horas de duração para apresentação das teses por temas e realização das discussões. O Congresso também perdeu em qualidade com a transferência de todas as deliberações do eixo sobre Políticas Permanentes e das monções para a primeira reunião do Conselho Nacional de Entidades.
No 35º Congresso da CNTE foram inscritas 13 resoluções de diversas forças políticas. A Articulação de Esquerda apresentou-se com a tese “Em Tempos de Guerra a Esperança é Vermelha e a educação é a resistência!” A delegação foi composta por 96 delegadas e delegados eleitos nos sindicatos de base de Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo. Durante o plenário nossas votações foram ampliadas com a presença de outros delegados que se aproximaram da Tese da AE.
A Atuação da Articulação de Esquerda buscou ocupar os espações políticos através da organização de plenárias. Houve a distribuição do Jornal Página 13 com a nossa tese. A militância defendeu as resoluções em todos os grupos de trabalho: Conjuntura Política, Educacional e Sindical, Políticas Permanentes, Balanço e Planos de Lutas.
Nas Plenárias Deliberativas, a AE optou por apresentar a sua política na maioria dos pontos de pauta, marcando a sua presença, e fazendo com que outros campos também optassem, durante o congresso, por esse caminho (mesmo que depois retirassem a tese e declarassem voto na proposição majoritária). Várias monções, sobre os mais diversos temas, também foram propostas.
Em dois pontos de pauta, duas emendas foram acatadas. Por considerá-las centrais, a AE compôs a fusão de teses com o conjunto das forças políticas que compuseram a chapa 10. Essas emendas se referiam à defesa da Venezuela com posição nítida em relação ao sequestro do presidente Nicolas Maduro e Cília Flores e sobre a convocação de um Dia Nacional de Lutas com greves e paralisações em defesa da educação pública e da Valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação.
No final do sábado, ocorreu a eleição, em urna eletrônica, da nova gestão da CNTE (2026- 2030). A Articulação de Esquerda compôs a chapa 10 (forças cutistas, a CTB, a Intersindical e correntes do PSOL como o MES e a Resistência). Disputando com outra composição (de número 20), com 91,27% dos votos a chapa 10 venceu as eleições. A AE segue na direção da CNTE representada pelas companheiras Ivonete Cruz do SINTESE-SE e Izabel Costa do SEPE-RJ.
O crescimento em número de delegados, nossas reuniões e a qualidade das intervenções políticas na defesa das nossas concepções tornam positivo o balanço da atuação AE no 35º Congresso. Essa atuação foi fruto do trabalho desempenhado pela militância da educação nos diversos estados brasileiros, mas também da atuação política dos dirigentes da AE na CNTE, num momento dificílimo da conjuntura nacional (2021-2025), Ivonete Cruz (SE) e Guilherme Bourscheid (RS).
Nos próximos anos muitas tarefas na nossa organização e defesa das nossas posições políticas na CNTE e nos sindicatos de base. Os tempos são de guerra mas a esperança é vermelha! Então estaremos na Luta. E dela não sairemos!
(*) Guilherme Mateus Bourscheid, Ivonete Alves Cruz e Izabel Costa são dirigentes sindicais e militantes da AE

Uma resposta
A CNTE, também perdeu de fortalecer a luta em prol dos Funcionários de Escolas do país, reafirmando a luta pela aprovação da Lei do piso para os funcionários. Houve pequenas defesas pelas intervenções de dirigentes sobre o tema. Numa Entidade onde a classe dos funcionários são minoria, observa -se que as poucas lembranças e manifestações ao tema serve para assegurar esses trabalhadores filiados e apenas constar que são lembrados. A AE precisa pautar mais esse tema. Ainda observa -se que os dirigentes eleitos e reeleitos para representar essa secretaria estão lá meramente para ocupar espaço, se perpetuando e usufruindo dos benefícios que os cargos oferecem.
Joel Oliveira., Militante da AE – 1/1000 40° Núcleo do CPERS/Sindicato/ Palmeira das Missões.