Por Valter Pomar (*)

Revoluções são raras.
Revoluções vitoriosas, mais raras ainda.
Mas “revolucionários”, não.
“Revolucionários” são algo relativamente fácil de encontrar.
Basta uma autodeclaração e muita “alta-estima” (sic erat scriptum).
O cidadão pode ter votado nulo nas eleições presidenciais de 2026, mas nada o impedirá de “se achar” o último biscoito do pacote, ou melhor, o capo da “revolução brasileira”.
Ou ainda: 64 milhões de pessoas podem ter acabado de votar em Lula para derrotar a extrema-direita, mas nada impedirá quatro autoproclamados “revolucionários” de achar que “superar o lulismo” seria a tarefa da hora.
Pessoas de coração grande poderiam dizer que estamos, tão somente, diante de um “jeito errado” de se expressar.
Afinal, qualquer que seja o sentido que se atribua ao termo “lulismo”, deveria ser óbvio que necessitamos fortalecer as organizações coletivas da classe trabalhadora: os partidos, os movimentos, os sindicatos.
Gente mais atenta para certas questões de gênero, chamaria a atenção para a semiótica da “coisa”.
E quem não tem alma de Poliana diria, na lata, que estamos diante de uma “esquerda revolucionária de que a direita gosta”.
Que a direita gostaria, se soubesse, eu tenho certeza.
Sobre esta orientação ser de “esquerda”, aí já são outros 500.
Mas não há como considerar revolucionário sem aspas, quem mantém tamanha contradição com o movimento real da classe trabalhadora com consciência de classe.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
