
A imprensa vem publicando, nos últimos dias, várias matérias que atribuem ao Diretório Nacional do PT a intenção de intervir no Diretório do PT gaúcho, para impor o apoio à uma candidatura de outro Partido.
A imprensa geralmente não concede o mesmo espaço para as posições do PT do Rio Grande do Sul. Assim, recomendamos a leitura dos três textos abaixo, o primeiro deles publicizado pelo presidente estadual do PT RS e os outros dois assinados pela executiva estadual do PT RS.
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Texto de 17 de março
Sobre a matéria do jornalista Fábio Schaffner divulgada no site de ZH há pouco sobre a reunião de ontem com o PDT.
Quero afirmar que o que foi dito ao PDT pela comissão da Executiva Estadual do PT responsável pelo diálogo com os partidos,composta por mim, pelo Cícero, Júlio e Pestana, é que o PT Gaúcho deliberou em Encontro Estadual no dia 30/11 por unanimidade pela candidatura do companheiro Edegar.
Enfatizamos que o melhor cenário para a vitória de Lula no RS, é o da afirmação das duas candidaturas postas pelo campo popular, ou seja Edegar Preto e Juliana Brizola, através da ideia de um duplo palanque no Estado.
A Unidade pode ser construída no programa e na linha de campanha, e um compromisso mútuo de estarmos juntos no 2° turno no Estado.
Sabemos que existe outra opinião no âmbito Nacional.
Seguiremos dialogando com o PDT-RS tendo em vista a necessidade de organizarmos a campanha pela reeleição do presidente Lula, conforme tratamos na reunião de ontem.
Por fim, a matéria veiculada neste mesmo jornal, ontem a noite, foi fiel aos fatos. No mais temos convicção que especulação não constrói unidade e muito menos vitórias.
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Texto de 25 de março
A Comissão Executiva Estadual do PT Gaúcho, reunida nesta data, reafirma sua disposição de manter o diálogo com todas as instâncias partidárias, em especial com a Direção Nacional do Partido. Nosso objetivo central é construir as melhores condições políticas e eleitorais para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prioridade absoluta do PT.
Nesse sentido, esta instância reafirma a decisão do Encontro Estadual realizado em 30 de novembro, quando, por unanimidade dos mais de 400 delegados e delegadas, foi aprovada a indicação de Edegar Pretto ao Governo do Estado, e de Paulo Pimenta e Manuela d’Ávila ao Senado. Entendemos que essa composição representa a melhor alternativa para contribuir com a reeleição do presidente Lula e para derrotar o ciclo neoliberal em nosso Estado.
Em uma eleição marcada pela polarização entre dois projetos de Nação, e pela defesa da democracia e da soberania, não há espaço para candidaturas que não defendam o governo Lula e que não se posicionem contra as privatizações e o desmonte do Estado.
Respeitando a decisão democrática do partido e, sobretudo, reconhecendo a importância da vitória de Lula no Rio Grande do Sul, reafirmamos que a candidatura de Edegar Pretto — por seu caráter amplo, reunindo seis partidos, e por seu compromisso com a defesa do governo — é a melhor opção para a construção da vitória do campo democrático e popular.
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Texto de 31 de março
INFORME RESERVADO À MILITÂNCIA PETISTA
A Comissão Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Rio Grande do Sul, reunida na manhã desta terça feira 31/03, informa que a reunião prevista para o dia de ontem entre o Presidente Lula, o Presidente Valdeci Oliveira e nosso pré-candidato ao governo do Estado Edegar Pretto, não ocorreu por urgências da agenda da Presidência da República.
No entanto, reuniram-se o Presidente Nacional do PT Edinho Silva e os companheiros Edegar Pretto e Valdeci Oliveira.
Nessa reunião, foi reafirmado pelo Presidente Edinho a importância de mantermos o diálogo com PDT e trabalharmos pela construção do palanque único no Estado.
Os companheiros Edegar Pretto e Valdeci Oliveira reafirmaram a disposição de dar continuidade ao diálogo com os trabalhistas gaúchos, procurando manter unificada a base de apoio do presidente Lula no Rio Grande do Sul.
Seguimos orientados pela tática eleitoral definida no Encontro Estadual do Partido, ocorrido em novembro de 2025, e pela prioridade absoluta da reeleição do Presidente Lula.
Daremos sequência às Caravanas “Levanta Rio Grande”, nas quais estamos debatendo com a sociedade gaúcha o Programa de Governo, e este está aberto a contribuição dos socialistas, trabalhistas, democratas e todos que querem construir um novo Rio Grande.
Nossa disposição para o diálogo com as forças populares permanece, buscando o melhor para o povo brasileiro e gaúcho.
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Ao que é dito nos três textos acima reproduzidos, agregamos a seguinte informação: nem o Diretório, tampouco a Executiva Nacional, deliberaram a respeito da tática eleitoral no Rio Grande do Sul. Portanto, se alguém quer defender a intervenção, que o faça em caráter pessoal. Ou, então, que se convoque uma reunião oficial da direção para debater o assunto.
A campanha pública da mídia, apoiada em declarações ou no silêncio de dirigentes, desgasta o Partido e nossa candidatura. Lembramos que em 2022 faltaram apenas 2 mil votos para que Edegar Pretto fosse ao segundo turno das eleições para governador do RS. Em 2026 temos melhores condições para vencer.
Cabe lembrar, ainda, que a decisão pela candidatura Edegar foi aprovada num encontro estadual do Partido. Nem o candidato – que segue liderando a campanha – nem a direção estadual têm autoridade para retirar a candidatura. Só a base do Partido, em novo encontro, poderia fazer isto. A não ser, é claro, que ocorra uma intervenção.
Tão grave quanto o método, é o mérito da questão.
O PDT gaúcho apoia e participa do governo Leite, contra quem disputamos diretamente em 2022, contra quem fizemos oposição desde antes e depois de 2023 e contra quem Edegar Pretto e o PT polarizam em 2026. Como apoiar uma candidata na contramão da trajetória do Partido?
Na hipótese de ocorrer uma intervenção, quem fará a campanha Lula? Não será o PDT, pois a maioria de suas figuras públicas é alinhada com a direita e até com o bolsonarismo. A tarefa caberia à base petista e aos aliados de esquerda, machucados pela intervenção e sem ter uma chapa estadual por quem fazer a campanha apaixonada de que tanto precisamos.
Em resumo: uma intervenção teria como efeito prático prejudicar a campanha Lula, favoreceria a direita gaúcha – pois nenhuma candidatura se oporia efetivamente ao governo Leite – e causaria uma desmoralização em boa parte de nossa militância.
Por tudo isso, apelamos a quem defende mudar a tática do PT gaúcho, que interrompa o assédio midiático e proponha convocar o Diretório Nacional.
E apelamos ao Diretório Nacional que se atente aos fatos: o melhor para a campanha Lula é manter a candidatura Edegar. Sem a qual, vale acrescentar, também nossa campanha ao Senado sairá enfraquecida.
Para além das eleições, é preciso também considerar o Partido. O saldo prático das intervenções realizadas anteriormente, em outros estados e cidades, foi péssimo para o PT, com sequelas que se prolongam ate hoje.
Por tudo isso, vamos fortalecer a candidatura Lula, mantendo a chapa Edegar-Pimenta, bem como mantendo a aliança com Manuela Dávila. E, no limite, que Lula tenha dois palanques no Rio Grande do Sul.
A direção nacional da AE, 1 de abril de 2026
