Por Silvia Portela

Como todos anos, a organização não-governamental britânica OXFAM publicou seu relatório sobre o crescimento da desigualdade no mundo. Como sempre muito bem documentado e convincente, o relatório faz uma convocação pela construção de um mundo mais justo.
Um ponto central do relatório é o perigo para a democracia representado pelo poder descomunal dos bilionários. O seu lançamento no início do Fórum de Davos, o convescote anual desses bilionários, torna-se ainda mais oportuna com a presença de Trump, que vai apresentar sua proposta para tornar-se o imperador do mundo.
O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto da agência noticiosa France 24 (versão original aqui).
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Em Davos, a Oxfam apontou os ganhos vertiginosos na fortuna dos ultra-ricos
Por ocasião da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, a Oxfam publicou seu relatório anual sobre as desigualdades no mundo. No relatório a ONG denuncia o enriquecimento contínuo dos ultra-ricos e apela aos governos para agirem para proteger o poder político da influência dos mais afortunados.
Publicado em 19 de janeiro de 2026
Na ocasião da abertura do Fórum Econômico Mundial, que acontecerá de 19 a 23 de janeiro, a ONG publicou um novo relatório* sobre o estado das desigualdades no mundo em 2025. Intitulado “Contra el Imperio de los Más Ricos“, o texto indica o crescimento contínuo da fortuna dos bilionários e ressalta os grandes perigos que representam para a democracia a concentração de riquezas em poucas mãos.
18,3 trilhões de dólares para 3.000 bilionários
Este é um novo recorde para o ano de 2025. A organização denunciou que mais de 3.000 bilionários no mundo que acumularam uma fortuna de 18.300 bilhões de dólares. Um recorde histórico proporcionado pelo aumento 16,2% de sua fortuna de em relação a 2024, cerca de 2.500 bilhões de dólares. Um ganho anual equivalente à riqueza total detida pela metade mais pobre da humanidade, cerca 4,1 bilhões de pessoas.
Este acúmulo de riqueza não para de crescer diz a Oxfam. O crescimento de 16,2% da fortuna dos bilionários em 2025 marcou um enriquecimento de três vezes mais rápido que durante os cinco anos anteriores. Portanto a riqueza dos bilionários aumentou 81% desde 2020.
“As ações da administração de Trump, incluindo a defesa da desregulamentação e o enfraquecimento de acordos para aumentar a tributação corporativa, beneficiaram os mais ricos do mundo”, afirmou a Oxfam.
O mais rico dos milionários, Elon Musk, dono – entre outras empresas – de Tesla e X (antigo Twitter), tornou-se a primeira pessoa a possuir uma fortuna superior de 500 bilhões de dólares, em outubro passado.
Menos de 70% dos ganhos dos bilionários em 2025 seriam suficientes para erradicar 26 vezes a extrema pobreza. Os bilionários do mundo inteiro poderiam igualmente doar 250 dólares de seus ganhos a cada habitante do planeta e mesmo assim continuarem enriquecendo cerca de 500 bilhões de dólares.
Face ao enriquecimento sempre mais rápido dos ultra-ricos, a Oxfam sublinha que a taxa de redução da pobreza estagnou nos níveis de 2019. A extrema pobreza está ao mesmo tempo aumentando na África. Aparecem sinais alarmantes, nomeadamente reduções no financiamento da ajuda ao desenvolvimento, de acordo com a ONG. Neste ano, os Estados-Unidos anunciaram o fechamento da USAID, o maior provedor de ajuda humanitária no mundo e a França reduziu consideravelmente o orçamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Os milionários tem 4 000 vezes mais chances de ocupar um posto político
Segundo a ONG os bilionários têm 4 000 vezes mais chances de ocupar um cargo político do que um cidadão comum. Nos Estados Unidos, Elon Musk, o homem mais rico do mundo, tornou-se dirigente do DOGE, órgão encarregado da eficácia governamental na administração de Donald Trump, que também é miliardário.
Ao longo do seu relatório, a Oxfam ressalta o acesso privilegiado dos mais ricos ao poder político, em detrimento da democracia e das liberdades. “Essa explosão de riquezas tem múltiplas consequências e coloca em perigo o bem comum. Os bilionários podem usar sua fortuna para adquirir poder político, influenciar os governos, obter meios de comunicação ou fazer negócios enfraquecendo toda a oposição, apoiando-se sobretudo em poderosas equipes jurídicas para garantir sua impunidade perante a lei”, explica Layla Abdelké Yakoub, ativista do Quênia.
Cada vez mais, esse dinheiro está comprando poder político, disse a Oxfam, apontando em particular para a compra de jornais e outros meios de comunicação por magnatas, como a aquisição da X por Musk ou a compra do The Washington Post por Jeff Bezos, da Amazon.
Ao tempo em que o governo Trump anunciou que as multinacionais americanas estariam isentas da alíquota mínima de imposto de 15% estipulada por um acordo internacional da OCDE, a Oxfam está apelando aos governos a fazerem uma escolha: oligarquia ou democracia. “A crescente desigualdade entre os ricos e o resto da população está resultando em um déficit político grave e insustentável. As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a um ritmo alarmante”, denuncia Amitabh Behar, diretor executivo da ONG.
Leia o Relatório da OXFAM:
Contra el Imperio de los Más Ricos. Defendiendo la democracia frente al poder de los milmillonarios (espanhol) (pdf) https://oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com/s3fs-public/2026-01/ES%20-%20Resisting%20the%20Rule%20of%20the%20Rich_0.pdf
Resumo Executivo (espanhol) (pdf) https://oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com/s3fs-public/2026-01/ES%20-%20Resisting%20the%20Rule%20of%20the%20Rich.pdf
Este texto foi traduzido do francês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações. As opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as visões do OD.
