Ato com cerca de 15 mil pessoas, segundo a organização, teve apoio a Leandro Grass, pedido de dois votos para Erika Kokay e Leila do Vôlei, críticas às chapas adversárias e embate sobre a crise do BRB

Por Michelle Catarine Machado
A chuva caiu durante boa parte da noite, mas não esvaziou a Praça do Trabalhador. Entre bandeiras, militantes e famílias, o ato desta quarta-feira (16) recuperou uma imagem que acompanha Lula há décadas: a do candidato no meio do povo, em contato direto com quem foi ouvi-lo.
Em uma eleição cada vez mais disputada pelas redes sociais, o comício devolveu espaço à política de praça e ao corpo a corpo, presentes na trajetória do presidente desde sua primeira corrida ao Planalto, em 1989. A agenda local logo tomou o palanque.
Grass e a disputa pelo Buriti
Ao pedir votos para Leandro Grass, Lula criticou a atual administração do Distrito Federal e dirigiu um apelo aos eleitores.
“Deem uma chance a Brasília. Brasília é uma cidade bonita, nova, que precisa ser bem administrada”, disse. Em seguida, completou: “Brasília merece o melhor, e o melhor é Leandro”.
Grass concentrou parte de sua participação na educação pública. Citou a expansão da Universidade de Brasília e da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica nos governos petistas.
“A UnB no Plano Piloto, a UnB do Gama, a UnB de Planaltina e a UnB de Ceilândia. Foi graças ao presidente Lula que hoje Brasília tem dez campi do Instituto Federal e vai ter mais dois, um em Sobradinho II e outro no Sol Nascente”, ressaltou.
Saúde, transporte público e Banco de Brasília também entraram na pauta do candidato.
Dois votos para o Senado
A disputa pelas duas cadeiras do DF no Senado produziu um dos trechos mais duros do comício. Lula pediu os dois votos para Erika Kokay e Leila do Vôlei e criticou a presença de familiares nas suplências das chapas adversárias.
“Aqueles que são diferentes de nós, uma escolheu o irmão para ser suplente e a outra escolheu o marido para ser suplente”, disse. “Não pode ser sério alguém fazer política colocando a família inteira para ocupar os cargos. Não é possível.”
Erika voltou ao fim dos anos 1970 para lembrar quando ouviu Lula, então líder sindical, defender a capacidade de luta e transformação da classe trabalhadora nas greves do ABC Paulista. A deputada recuperou aquela memória para falar da trajetória que levou o operário à Presidência.
“Filho de dona Lindu, que dizia ‘teima, meu filho, não baixa a cabeça’, Lula ensinou que temos de teimar pela liberdade, pela democracia e pela soberania”, declarou.
Janja ampliou a discussão para a representação feminina. “Não existe democracia plena sem a participação das mulheres”, destacou.
A primeira-dama defendeu que a escolha de uma candidata também considere trajetória, compromissos e projeto político, para além da identidade de gênero. Ao pedir votos para Erika e Leila, declarou: “Essas mulheres estarão no Senado, garantindo uma vida digna e um futuro melhor para o povo brasileiro”.
BRB entra no confronto
A crise do Banco de Brasília levou o debate diretamente ao grupo que governa o DF. Lula responsabilizou Ibaneis Rocha e Celina Leão pela situação da instituição e associou o problema às operações envolvendo o Banco Master.
“Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master. O BRB comprou títulos que não existiam, R$ 12 bilhões”, acusou.
Ao tratar de uma eventual participação do governo federal na solução da crise, contrapôs qualquer aporte aos recursos destinados às políticas sociais.
“Nós não vamos deixar de pagar o Bolsa Família. Não vamos dar dinheiro para o BRB”, afirmou.
Leandro retomou o assunto pela ótica local. Defendeu a preservação do BRB como banco público, com investigação, transparência e responsabilização, e cobrou explicações da atual gestão.
Na parte final do ato, candidatos e dirigentes voltaram a atenção para a mobilização nas semanas que antecedem a eleição. Ex-governador e candidato a deputado federal, Agnelo Queiroz ressaltou o peso político da região.
“Ceilândia é a cidade mais nordestina do Brasil e também carrega uma marca progressista e de luta. Começa aqui a virada de Leandro Grass”, avaliou.
Jaci Afonso, candidato a deputado distrital, apresentou propostas como salário mínimo distrital, tarifa zero no transporte público e fim da escala 6 por 1.
Dirigente da Central Única dos Trabalhadores, Ismael César, levou ao palanque a pauta do emprego e dos serviços públicos.
“Queremos um novo mandato capaz de ampliar os empregos de qualidade, fortalecer a saúde e melhorar os serviços públicos. Temos convicção de que Lula será reeleito com a força do povo”, afirmou.
Ao fim do ato, a esquerda deixou o palanque unificada em torno de Lula e das candidaturas apoiadas no Distrito Federal.


Fotos de Michelle Catarine Machado
