Por Página 13 (*)

Organizar as lutas em meio a tão adversa conjuntura internacional e em pleno ano de eleições gerais no Brasil está entre os desafios do 44º Congresso do ANDES Sindicato Nacional, que será realizado de 2 a 6 de março na UFBA, em Salvador. Esse cenário desafiador é o pano de fundo das teses apresentadas pelas diferentes forças que compõem as seções sindicais. Para conhecer as expectativas que recaem sobre o encontro, o Página 13 ouviu cinco lideranças da categoria: Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN; Nicole Pontes, vice-presidenta da seção sindical ADUFERP; Fran Rebelatto, professora da UNILA; Maria Lídia Bueno Fernandes, presidenta da ADUnB; e Maria Carlotto, presidenta da ADUFABC. Confira a seguir as declarações que reproduzimos na íntegra:
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Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, professor de Geografia do Colégio Universitário da UFMA e militante do PSOL:
Primeiro, agradecer a busca por a gente apresentar um pouquinho nossas reflexões. Acho importante, ainda mais numa conjuntura como nós vivenciamos hoje, de todo o campo da esquerda compreender que a nossa tarefa central, diante das diferenças salutares que existem no campo da esquerda, e que enriquece o debate, é derrotar em todas as dimensões da luta a extrema-direita. Então qualquer intervenção que eu faça está cravada com essa compreensão dessa situação reacionária, com a ascensão cada vez maior de setores da extrema-direita, e a força do imperialismo estadunidense conduzido por Trump, que se expressou recentemente na agressão imperialista na Venezuela. Logo, nossa reflexão está umbilicalmente ligada e compreendendo esses desafios no âmbito geral, no âmbito internacional.
Por isso que o Andes entende que a tarefa número um que nós temos que ter nessa conjuntura de 2026, pelo menos na diretoria, eu estou falando pela diretoria, pelo acumulado que a diretoria tem feito, é estar presente em todos os espaços de unidade que nos possibilite fazer o enfrentamento direto ou indireto aos setores reacionários. Foi isso que nos impulsionou. E nessa compreensão da máxima unidade que, ano passado, nós construímos o plebiscito popular, fomos um sindicato importante. Só para ter um dado fundamental e é importante socializar, as duas urnas do ANDES foram uma das urnas que mais tiveram votos entre as urnas presenciais do plebiscito. Inclusive, aqui, uma das primeiras foi a urna da minha seção sindical de origem, aqui na UFMA, e a segunda, na Federal da Bahia, conduzida com os camaradas que constroem o ANDES lá. Isso mostra a importância daquela luta, assim como presente também na Marcha das Mulheres Negras, por reparação e bem viver; na Marcha Trans, que teve agora em janeiro, em Brasília; na Cúpula dos Povos, quando nós ajudamos a construir a Cúpula dos Povos; e na luta importante que nós realizamos contra a reforma administrativa do Centrão e do Congresso Inimigo do Povo.
Então, logo, essa nossa compreensão na conjuntura está muito ligada com essas lutas, com essa compreensão. E também uma tarefa fundamental que é a gente estar presente na primeira conferência antifascista, que vai acontecer lá em Porto Alegre, que reúne vários sindicatos, vários partidos, como PSOL, PT, PCdoB, várias entidades, movimentos, tanto internacionais como nacionais, e a gente está na construção dessa conferência com compreensão de parte da luta e dos desafios que a gente tem em 2026.
Acordo de greve e orçamento
E, casado com isso, nós também compreendemos que tem uma pauta que, para nós, é muito cara, que tem a ver ainda com elementos que a gente não conseguiu avançar no acordo de greve de 2024. Tem sido, inclusive, uma exigência muito grande nossa, tanto naquilo que o ANDES se organiza com diversas entidades, centrais e sindicatos, no FONASEFE, por isso que nós construímos a Marcha Contra a Reforma Administrativa, mas também várias outras ações, como a luta pelo fim da lista tríplice, por mais orçamento, em unidade com o SINASEFE e FASUBRA, lutas muito importantes, debates muito importantes que nós realizamos no ano passado.
Mas nós compreendemos que a gente tem que fazer o malabarismo político, na medida que nós entendemos o desafio de derrotar a extrema-direita, mas nós precisamos pressionar para que o governo efetive um programa que seja, de fato. O primeiro ponto é garantir todos os pontos do acordo de greve. Nós entendemos que, em alguns, teve avanço, nós temos plena consciência disso, mas tem alguns, principalmente no que se refere à carreira EBTT, que a Casa Civil segurou as medidas e tem tido dificuldade de nós avançarmos nisso.
Então é uma outra tarefa que a gente vai ter, outra tarefa é acumular no primeiro semestre de 2026 com as entidades para construirmos uma campanha salarial muito importante para que a gente sente com o governo, negocie com o governo para que ocorra um processo de reposição do nosso salário, mas também no aspecto do orçamento das instituições de ensino que tem atravessado delicadezas. Nós temos consciência da crise econômica mundial do capitalismo, mas nós entendemos que as universidades, institutos federais e CEFETs não podem ser penalizados pela crise, eles são, na verdade, uma saída política, pedagógica para a saída da crise. É fortalecendo as universidades, institutos federais e CEFETs que a gente faz a disputa, inclusive ideológica, da sociedade com esses setores que não só combatem as universidades, mas quer até destruição da concepção de pluralidade, democracia, de ciência para o desenvolvimento social, de conhecimento para romper com todas as relações de opressão na sociedade brasileira.
Então a universidade é, na verdade, um palco fundamental que tem que ser fortalecido, mas para isso a gente precisa de orçamento. E o governo precisa compreender que esse orçamento tem que ser ampliado e que tem que enfrentar esses setores reacionários no Congresso [Nacional] que tentam sufocar cada vez mais as nossas instituições de ensino.
Outros temas
Tem muitos TRs que a gente ainda não tem uma avaliação da diretoria. Então, eu não poderia aqui expressar uma posição como diretoria, então eu vou apenas fazer reflexões no debate. Acho que a primeira reflexão é compreender o caráter do ANDES. O ANDES é um sindicato nacional, não é uma federação. Isso remonta a todo o debate lá na década de 80, ainda quando o ANDES era uma associação, e aí vem a Constituição Federal de 88, se transformou no Andes, sindicato nacional, e que existiram concepções distintas lá, mas sai vitoriosa naquilo que nos permite hoje construir o Andes. E esse sindicato grande, que reúne diversas forças políticas, na última eleição, por exemplo, foram quatro chapas, é a democracia que me parece fundamental, e que tem permitido a esse sindicato permanecer firme na luta, não sem erros. Nós temos a compreensão que todo sindicato erra, tem equívocos, mas vai ajustando, e nessa democracia interna nos permite avançar.
CONAD
Nós entendemos que a estrutura do sindicato não é engessada, e nem deve ser. Nós temos que estar sempre abertos às reflexões daquilo que nós pretendemos mudar. Por exemplo, a própria diretoria já está apresentando o TR para mudar a estrutura do CONAD, que é essa segunda instância mais importante. A gente está pensando na ampliação, para permitir que sessões sindicais que têm poucos sindicalizados ampliar, porque era até 100 sindicalizados, ampliar para 200. A gente está pensando, apresentando várias políticas, pensar numa proposta de um CONAD extraordinário para ainda este ano, apesar dos desafios que a gente vai ter em 2026. Mas nos parece, para a diretoria, que a gente não pode fugir desse debate. Esse debate é democrático, ele é essencial. As mais diversas forças têm todo o direito de apresentar esses debates, e a gente tem a responsabilidade de respeitar esse debate e avançar com uma síntese. Porque me parece que todos os setores que constroem o ANDES têm responsabilidade com o ANDES, sabem a importância do ANDES. E isso, por minha parte, eu falo em qualquer lugar. Todos são ANDES. Todas as sessões, setores que construíram o ANDES, são ANDES. E isso eu acho fundamental, o respeito democrático às forças que assim constituem.
Escuta
Então, nessa reflexão geral, eu posso adiantar que a gente está muito aberto para ouvir as questões. Nós fizemos seminário, agora, no final de novembro e dezembro, que tentou objetivar um pouco isso. A gente acolheu algumas questões, reflexões, outras a gente tem refletido ainda, vai avaliar. Mas uma coisa que nos parece central é que é fundamental fortalecer o Sindicato Nacional. Fortalecer o Sindicato Nacional é também fortalecer as sessões sindicais. E nessa mediação que a gente tem que buscar qual é a melhor saída.
O nosso Sindicato Nacional é um sindicato que se orgulha muito, na medida que tem muita responsabilidade com a pauta chamada mais corporativa, porque é um sindicato, por exemplo, que tem uma longa história de lutar pela carreira única, e nós que lutamos pela carreira única, não é um chavão. Mas é porque nós entendemos que uma carreira única, estruturada, ela vai permitir que o professor não esteja cada vez mais imerso nessa lógica produtivista e adoecedora que tem contribuído para o afastamento de professores em razão de adoecimento e do assédio. Porque, lamentavelmente, muitos chefes esquecem, muitas vezes, que são professores e professoras também e submetem nossos colegas a uma pressão totalmente preocupante, o que conduz aos colegas nossos a um processo de assédio. Só para ter uma noção, nunca tivemos tantos casos de denúncias e a gente tem uma comissão nacional que acompanha essas denúncias, vai nas universidades, a gente senta com as reitorias para acompanhar todos esses professores e professoras que buscam, antes, em razão de perseguição, no que se refere ao ambiente de trabalho, por oposições políticas, e é um cenário preocupante.
Assim como também nós compreendemos, no último processo de mobilização que resultou no Acordo 10 da Greve, de que, mesmo com aquela pauta mais geral nossa, nós fechamos, assinamos o Acordo de Greve, porque nós avaliávamos corretamente, acho que foi muito correta a assinatura do Acordo de Greve, de que a gente foi até onde foi possível, e tudo ali a medidas que têm relação direta com o professor.
Na medida que a gente trata, por exemplo, do controle de ponto da carreira EBTT, na medida que a gente assina um acordo, que por mais que não tenha sido o reajuste ideal, mas foi o reajuste possível, isso impacta no bolso do professor e da professora e que ajuda a reduzir o peso no custo de vida, que tem se agravado, principalmente, no governo do golpista Temer e do governo genocida Bolsonaro. Então a gente tem essa compreensão dessas pautas, a gente senta com a ANDIFES, ano passado mesmo, a gente teve uma reunião com a ANDIFES, onde a gente colocou as preocupações imediatas das questões orçamentárias, da importância do fim da lista tríplice, da ANDIFES estar mais preocupada com esse cenário de perseguição e assédio que tem levado professores ao adoecimento. Então a gente compreende que tudo isso tem a ver com a pauta mais específica da nossa categoria, mas também nós entendemos que essa luta interna, só essa luta não é suficiente.
Lutas
Nós compreendemos que nós temos uma responsabilidade, por sermos classe trabalhadora, de que toda luta que ocorra no mundo ou no Brasil, o nosso sindicato tem que estar presente. A gente participa em fóruns em defesa dos palestinos, a gente está presente na luta contra a agressão imperialista na Venezuela, a gente construiu o plebiscito popular, a gente está presente no acampamento indígena que vai acontecer agora em abril, a gente está presente nas lutas do MST E dos movimentos camponeses no campo, ou os movimentos da cidade, com os movimentos sem teto, é um sindicato que pulsa e está atuando em vários espaços, a gente atua junto com os movimentos estudantis, seja em parceria com a UNE, com a FENET ou com a UBES, é um sindicato que está muito aberto às mais diversas lutas, e é por isso que eu enfatizo isso, porque muitas vezes o debate que acontece não compreende a dimensão. E quem está na estrutura do sindicato sabe que estar presente em todas essas lutas também tem um custo financeiro. O orçamento do ANDES é um orçamento voltado para as lutas, para garantir que essas lutas sejam vitoriosas, pelo menos nesse processo histórico de quatro grandes décadas de regressão de direitos no mundo todo, a gente frear alguns ataques que têm ocorrido.
PROIFES
A primeira expectativa é que o nosso sindicato faz um enfrentamento muito grande contra uma federação chamada PROIFES. E nós entendemos que essa federação é uma federação que contribui para a desmobilização do conjunto dos professores e professoras, que negocia pautas rebaixadas, que não respeita a democracia das assembleias de base. E é justamente por isso que a gente vai estar realizando esse Congresso na Federal da Bahia, porque é muito simbólico a gente estar presente lá.
A PROIFIS hoje tem algumas poucas seções sindicais e uma é justamente a APUB, que é da Federal da Bahia. É por isso que é muito simbólico a gente fazer esse Congresso. Todas as forças políticas do ANDES concordaram em a gente realizar o Congresso lá, porque é aquilo que eu falei no início, porque eu entendo que todas as forças políticas defendem o ANDES e constroem o ANDES. Isso, para a gente, é muito firme, muita convicção. E a gente tem uma expectativa de fortalecer esses mais diversos setores que têm construído o ANDES lá na Federal da Bahia.
Unidade
Mas também, fora tudo isso que eu coloquei no início, é a gente sair com uma pauta unitária, seja no plano dos setores das federais, seja no plano dos setores das estaduais, municipais e distritais, seja no plano geral de lutas dos mais diversos GTs, seja a política educacional, seja a nossa política para questões de classe, gênero e diversidade sexual, seja no plano da luta da ciência e tecnologia, seja na luta da Multicampia, seja na luta em torno do aspecto da política ambiental e urbana.
Então são várias frentes que a gente tem atuado através dessa diversidade dos GTs que a gente tem. E a gente está com muita expectativa de sair com um plano dos setores e um plano geral muito potente, muito pulsante, que nos permita, nessa conjuntura, num turbilhão que nós estamos inseridos mundialmente e nacionalmente, avançar nessa questão.
Mas também a gente está com uma expectativa de que a gente vai construir um debate muito proveitoso nas questões organizativas e financeiras, que talvez seja um grande debate nesse Congresso. Tem vários TRs relacionados a isso e a gente está com uma expectativa muito positiva que a gente consiga sair numa síntese que fortaleça o nosso sindicato, que aponte para a necessidade de um CONAD extraordinário e que altere a estrutura do CONAD atual para que o CONAD seja mais enxuto e que respeite, inclusive, aquilo que o nosso Estatuto do Sindicato já aponta.
Então são expectativas positivas, por mais que nós tenhamos muito pessimismo diante da gravidade da conjuntura mundial e nacional com a força do Bolsonarismo na extrema-direita, seja no âmbito federal, estadual, municipal ou distrital, mas está muito esperançoso que a gente vá sair com planos de luta unificados e que nos permita, em dezembro de 2026, dizer que valeu a pena cada segundo de luta que a gente construiu.
A gente agradece a possibilidade de estar apresentando um pouquinho das reflexões e fique muita à vontade de nos procurar a qualquer momento. A gente vai estar sempre aberto para ouvir e dialogar um pouco com vocês.
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Nicole Pontes, vice-presidenta da seção sindical ADUFERP, professora de Sociologia na Unidade Acadêmica de Serra Talhada da UFRPE e militante da tendência O Trabalho, do PT:
A gente está em um ano de congresso do ANDES que é um ano muito importante, porque é um ano entre anos eleitorais do congresso do ANDES. A gente teve eleição no Congresso no ano passado, ano que vem também. E esse ano eu acho que marca justamente um momento importante para o ANDES, que é quando a gente realmente consegue se desconectar um pouco das questões eleitorais e organizacionais para focar efetivamente nas discussões da política e do ANDES como funcionamento sindical, e o Congresso é essa instância maior de participação da nossa base, de participação dos colegas professores.
E num ano como esse, eu acho que o foco mais importante é nessas questões políticas, tanto da política internacional como da política nacional, especialmente na política nacional, num ano que, para o Brasil, é um ano eleitoral, que também é fundamental. Então, assim, em termos internacionais, a gente vai ter uma discussão grande que reflete a aspecto de uma discussão sobre soberania, sobre soberania nacional nos vários países, uma disputa, uma discussão aprofundada sobre as questões do fortalecimento do imperialismo americano, essa tentativa de surrupiar a extrema-direita internacional e esse imperialismo, países tanto na América Latina como reordenar a organização mundial.
Então, a gente está nessa disputa constante Estados Unidos-China, de uma certa maneira, mas com o Trump e o imperialismo americano forçando a mão para voltar a ter essa centralidade na lógica da organização internacional, com ataques muito severos, inclusive sobre nós, na América Latina, daí a importância do nosso processo eleitoral esse ano.
A gente acaba de ver o Trump sequestrar Maduro e a questão ficar ainda aberta e durar esse tempo inteiro e a gente não saber como a situação se resolve, criar essa tensão internacional, criando tensão com a Colômbia, com a Groenlândia, com um conjunto de países que têm feito essa força para contrapor uma lógica do imperialismo americano e essa lógica da extrema-direita, que é alimentada profundamente por Trump e seus companheiros.
Sentido internacionalista
Esse princípio de uma preocupação com a política internacional reflete uma ideia de que a gente precisa fortalecer também a nossa participação e a nossa discussão num sentido internacionalista pela luta de classes, pela classe trabalhadora. Construir uma classe trabalhadora internacionalmente que tenha pontos fortes de apoio em diversos lugares e se contraponha a essa lógica da extrema-direita e desse capitalismo que avança, daí as discussões internacionais tendo um peso grande. A Palestina, que ainda é um ponto nevrálgico fundamental, importantíssimo, a gente precisa fortalecer aqui também a atuação nesse sentido.
Nas próprias universidades brasileiras, a gente tem um conjunto de universidades, uma rede que faz ações permanentes, mas a gente precisa voltar a fortalecer esses aspectos, inclusive em comunicação com algumas das outras posições, de organização da vida dos estudantes, de organização das nossas instituições quebrarem mesmo essa participação, por exemplo, com instituições israelenses. Então, acho que esse é o foco. E esse vai ser um foco, não são só as nossas TRs, não são só os nossos textos que têm esse foco na discussão da conjuntura. Isso acho que é importante, que a gente construa coletivamente esses elementos.
Acordo de greve
E, nacionalmente, num ano como esse, num ano eleitoral, fortalecer, eu acho fundamental, para o Sindicato Nacional, a continuidade das nossas discussões dos acordos de greve. Esse é um elemento fundamental. Nem todos os elementos do nosso acordo de greve foram ainda efetivados, mas muitos deles já foram, justamente a partir da importância que foi o processo de greve, como o último agora, que foi o fim da lista tríplice. A gente acabou de receber essa notícia, uma notícia importante, uma luta histórica do ANDES Sindicato Nacional, o fim da lista tríplice. E é importante ressaltar que isso foi justamente o fruto desse esforço coletivo que foi a nossa greve de 2004 e como a gente precisa manter essa organização do nosso sindicato e essa atuação de pressão sobre o governo, não fazendo simplesmente a crítica pela crítica, mas trazendo para uma perspectiva do nosso governo, que é um governo de esquerda importante, fundamental, essencial, o caminho justamente para fora dessa tentativa permanente de golpes da extrema-direita no Brasil também, mas trazer essas pautas populares para dentro da nossa discussão a partir das realidades do nosso professor.
Escala 6×1
Então é importante a gente disputar a pauta contra a escala 6×1, é importante a gente disputar e saber que a gente ganhou, por exemplo, as discussões sobre o RSC para os colegas com a EBTT, que são das nossas escolas técnicas, colégios técnicos etc. A minha universidade tem um colégio e, para companheiros e companheiras da EBTT, foi uma vitória grande da nossa greve também. E fazer essa discussão de como planejar para adiante ver uma perspectiva de conjuntura para o próximo período de construção, porque, como eu disse, como a gente tem ano eleitoral no sindicato o ano que vem, é o primeiro ano de um [novo] governo no ano eleitoral [do ANDES], então a gente precisa, a partir de agora, construir esse planejamento e ter uma boa análise dessa conjuntura para poder fazer a construção dessas políticas de trabalho.
Congresso Inimigo do Povo
Então, acho que focar na realidade dos nossos docentes, voltar a bater, por exemplo, na necessidade de retorno do suporte financeiro para as universidades, a gente também teve assinaturas de acordos importantes agora que conseguiram trazer de volta para a universidade um pouco de alívio, porque a gente está sempre trabalhando nesse momento difícil de alerta vermelho o tempo inteiro, as universidades sem recursos, sem dinheiro, mas é justamente, então, fazer essa pressão para puxar o governo para retornar a essa posição de trabalho pelo povo, de trabalho e construção, e, para a universidade, na nossa realidade, é voltar a discutir financiamento, voltar a discutir a universidade como esse espaço que necessita efetivamente do financiamento do suporte público, a gente precisa desse financiamento entrando de uma maneira permanente, e acho que isso passa com a luta ainda contra o arcabouço fiscal, acho que esse é um elemento que a gente precisa bater, isso está em diversos nossos textos, é parte da nossa discussão o tempo inteiro dessa lógica do teto, especialmente porque, por exemplo, a gente acaba de ver em diversas situações um Congresso Nacional que acaba de anunciar que vai furar o teto com os salários.
Então a gente precisa bater nesse ponto e, aí, nesse ano eleitoral também, fazer uma forma organizada de atuação que, independente de defender esse ou aquele governo nacionalmente, obviamente eu sou petista, faço parte de uma organização dentro do Partido dos Trabalhadores, O Trabalho, então, obviamente, a gente tem um alinhamento com a lógica de defesa da candidatura de Lula, dos nossos companheiros e companheiras do PT, mas acho que o foco desse momento para o trabalho nacional é o foco contra o Congresso Nacional, contra esse Congresso que é o que a gente chama o Congresso Inimigo do Povo, um Congresso que tem sido marcado pela extrema-direita em coalizão muito forte em diversas situações com o Centro, com o Centrão, e é a gente reestruturar essas forças. Então todo mundo que eu tenho conversado, inclusive na universidade, diz que a gente precisa estar de olho o tempo inteiro em quem a gente vai votar para o Congresso.
Obviamente que o governo é fundamental, o governo central, o Poder Executivo, mas o Legislativo tem, uma vez e outra, demonstrado que é ele que está segurando e aprovando pautas que, efetivamente, são contra a classe trabalhadora, que fortalecem ainda mais os problemas gerados, por exemplo, por um arcabouço fiscal que coloca um teto financeiro, por exemplo, para que as universidades tenham recurso para trabalhar. Então, a gente precisa focar nesse Congresso e focar nessa construção, dentro também do sindicato nacional, para garantir que a gente vá conseguir um Congresso que tenha como pauta e fundamento, por exemplo, a universidade como direito público, como direito do povo brasileiro. Acho que esse é o caminho.
ANDES mais democrático
Mas outras questões vão surgir e tem alguns textos e algumas discussões que também são fruto de um processo de pensar o sindicato de uma maneira mais democrática, mais participativa. Alguns elementos organizacionais estão presentes nas discussões que diversos colegas apresentaram para o congresso. Isso já vem sendo discutido há um tempo, a gente teve um seminário importante no final do ano passado sobre questões organizacionais, sobre questões financeiras etc. Isso também vai ser discutido nesse congresso.
Eu não acredito que especificamente esses pontos necessariamente transformem o sindicato a ponto de a gente conseguir modificar a sua organização. Acho que é fundamental discuti-los a partir de um princípio de uma lógica democrática para garantir maior participação e aproximação com a nossa base. A aproximação com os professores e professoras que estão lá todo dia no chão da sala de aula, na produção da pesquisa.
Então garantir que a gente tenha transparência, por exemplo, nos processos de organização de um congresso como esse é fundamental. A gente ainda tem problemas, hoje em dia, nos princípios participativos das reuniões de decisão, que a gente chama de reunião dos setores, do setor das federais, do setor das estaduais. E a gente precisa ser mais transparente e seguir, fortalecer as nossas regras de participação.
A gente ainda tem casos aqui e ali que têm uma assembleia nesse formato, uma assembleia em outro formato, regimentos distintos, processos sindicais. Então acho que essa discussão também vai ser importante, porque a gente já começou, num certo sentido, a construí-la. E, aí, nesse local mesmo de organização sindical, acho que é a chave para a gente, que vai ser fundamental no Congresso agora.
Imigração
Essa questão da soberania tem uma discussão importante, e aí é a partir das discussões que a gente tem feito com o RenovaANDES, sou também representante do Renova, que a gente tem feito sobre essa questão da soberania e dos processos de imigração. A gente acha que o sindicato tem um papel importante nesse processo, tanto nessa relação internacionalista, da condição da luta pela liberdade de circulação dos trabalhadores, com defesa de soberania, mais livre circulação das pessoas para buscar as suas possibilidades de vida e sobrevivência, onde quer que seja. E isso está sendo também pauta importante dessa lógica de organização imperialista dentro e fora dos Estados Unidos, a gente tem visto, mas também no mundo inteiro, no Brasil inclusive. A gente teve problemas sérios em Santa Catarina, com o pessoal na porta dos ônibus mandando gente embora. “Nordestino, veio fazer o quê? Não! Volta para o ônibus, não vai ficar aqui, não”. Então a gente vê essas repercussões.
Eu não sei aí para vocês [em SP], mas aqui, por exemplo, no Nordeste, a gente tem populações de imigrantes, de áreas de muita pobreza, inclusive. A gente tem uma população grande de imigrantes venezuelanos, chineses, de vários países da África. Então a gente precisa, como sindicato nacional, também fazer essa discussão e essa defesa, fazer a construção desse princípio do direito de imigração.
E, nas nossas questões, por exemplo, com os Estados Unidos, a gente também tem um conjunto de estudantes brasileiros e professores que também fazem esse processo de estar em outros países, ou de ir a outros países, nessa lógica também do intercâmbio etc. Então acho que é uma discussão que precisa aparecer também.
A gente teve já uma jornada no México em setembro, foi uma jornada internacional sobre o direito de imigrar, vai haver uma agora no final de março, uma jornada intercontinental sobre o direito migratório, e aí a gente quer trazer isso também para a discussão no ANDES Sindicato Nacional, para que a gente forme uma frente dentro desse espaço de discussão sindical para a participação nesse espaço.
Ânimo
Estou bastante animada, as nossas delegações estão bastante animadas para o Congresso. Eu sempre digo que é um Congresso mais tranquilo nesse momento, onde a gente consegue fazer discussões mais aprofundadas, embora o Congresso ANDES seja um congresso pesado, são cinco dias de trabalho muito intenso, com a participação de mais ou menos 700 delegados normalmente, 700, 800, ele sempre cresce ano a ano, o que é muito bom, mas é um conjunto de trabalho muito intenso, mas, num ano como este, é também muito frutífero e dá uma sensação de renovação nesse processo de fortalecimento do sindicato. Inclusive, numa perspectiva que tenho visto de pesquisa nacional, mais gente se sindicalizando. Então o aumento dos números de sindicalização, de aproximação com o sindicato, acho que tem uma renovação desse processo. Então o Congresso é um momento bastante importante para a gente construir essa unidade de luta e colocar para frente as nossas pautas fundamentais.
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Fran Rebelatto, professora de Cinema e Audiovisual da UNILA, integrante da corrente sindical Unidade Classista do PCB:
O Congresso do Andes é um espaço muito importante do nosso sindicato e é um espaço onde a gente consegue fortalecer a própria democracia interna do sindicato, nos reconhecermos enquanto lutadores, militantes que construímos o ANDES Sindicato Nacional, mesmo com as nossas diferenças e com várias perspectivas políticas que compõem a diversidade do nosso sindicato. Então acho que começar dizendo isso, da importância desse momento do Congresso que acontece anualmente e que a gente pode estar aí fortalecendo a nossa pauta, construindo o nosso Plano de Lutas do ano.
Eu acho que um elemento para nós fundamental nesse ano é o debate da conjuntura internacional, por mais que o sindicato seja um instrumento de luta para pensar as defesas dos direitos imediatos da nossa categoria, as condições de trabalho, de vida e tudo mais, não temos como estar alheios ao que está acontecendo na conjuntura de forma geral, especialmente internacional, nesse momento.
Então acho que uma das expectativas é que a gente possa sair com bons direcionamentos de luta, nesse sentido de como é que a gente vai nos organizar enquanto trabalhadores para fazer o enfrentamento de como o imperialismo está se impondo sobre a América Latina, tanto diante do que aconteceu na Venezuela, com o sequestro do presidente e todas as intervenções que estão acontecendo naquele país, mas agora especialmente também esse aprofundamento do bloqueio criminoso contra Cuba. Então, num ano que não é qualquer ano, nós estamos falando do ano de centenário de Fidel Castro, certamente um dos nossos maiores revolucionários e que passou toda a vida comprometida com a Revolução Cubana, completaria 100 anos agora em 2026.
Então a gente acha que é bem importante que a gente possa ter um debate muito qualificado e sair com um plano de lutas que nos apontem também caminhos para essas possibilidades de articulação nacional e internacional para a gente fazer um enfrentamento ao impacto que significa as políticas do imperialismo, não só na América Latina, mas, claro, destacando a América Latina, onde nós estamos, mas de uma forma geral no mundo como um todo. Então acho que essa é uma pauta bastante central nesse momento, de que a gente tem que ter prioridade dentro do nosso Congresso.
Depois, é um ano que a conjuntura nacional também vai demandar muito de nós, todo o debate que tem em torno de que projeto nós vamos defender para a classe trabalhadora brasileira nas eleições, acho que isso também sempre é um debate fundamental, como é que o sindicato coloca as suas pautas, coloca a centralidade da defesa da universidade pública, socialmente referenciada nos nossos interesses, como é que a gente consegue também nos preparar para os enfrentamentos dessa conjuntura que vai ser atravessada pelas eleições, e que, ao mesmo tempo, sem perder nossa independência de classe, a gente possa estar colocando aí o projeto de educação que a gente defende. Então acho que esse também é um elemento importante para nós, de pensar, nesse espaço do Congresso, para a gente sair preparado para essa conjuntura do ano de 2026 no Brasil, e em defesa especialmente da educação pública, que é onde nós atuamos diretamente. Enfim, acho que esses são elementos bastante importantes.
Seções sindicais
Eu acho que uma outra expectativa é de a gente conseguir avançar também em mudanças no próprio sindicato. O ANDES Sindicato Nacional já tem mais de 40 anos, é um sindicato que a gente reconhece como um instrumento fundamental das nossas lutas, que nos permitiu que a gente pudesse ter minimamente uma universidade pública, que a gente pudesse ter uma carreira docente, mesmo que uma carreira que vem sendo desestruturada também. Mas é o sindicato, é a luta desses 40 anos que permitiu que a gente pudesse ter também nossa universidade, nossos lugares de trabalho e nossa possibilidade de seguir acreditando na construção de uma educação emancipadora com uma carreira também estruturada.
Então acho que a gente precisa fortalecer esse instrumento, e isso significa a gente avançar na própria democracia interna do Andes. Eu acho que essa é uma questão importante para nós, de como é que a gente consegue avançar nessa democracia interna, no reconhecimento de todos que constroem esse sindicato, nas várias posições políticas, de como é que a gente consegue também ter instrumentos mais democráticos da participação das sessões sindicais.
Nós temos uma realidade hoje no ANDES que temos muitas sessões sindicais que são muito antigas, que começaram até mesmo antes do próprio sindicato, do ANDES, mas temos também muitas novas sessões sindicais. Por exemplo, a minha, que é de uma universidade que tem 15 anos, a nossa sessão completou dez agora, dez anos de sessão sindical. É uma universidade que a gente não tem um corpo docente tão grande, tão amplo ainda quanto outras antigas universidades, universidades que ainda estão sendo estruturadas, que estão no interior do Brasil, diga-se de passagem, também.
Então, assim, nós temos muitos desafios na realidade desses professores que estão no interior do Brasil, nessas novas universidades, e, com isso, na construção do próprio sindicato. Então, a gente acha que é importante também que o ANDES possa, que tenha essa estrutura hoje bastante consolidada nacionalmente e construída por todas essas sessões sindicais que estão aí em mais de 130 universidades, sejam as estaduais, as federais, enfim, os Institutos [Federais], os CEFETs.
Ou seja, como é que a gente consegue também o ANDES, que é esse grande instrumento, apoiar nas suas novas sessões sindicais, que muitas vezes ainda não têm essa estrutura, que não têm ainda essa consolidação como o próprio sindicato nacional tem ou como as grandes sessões sindicais têm. Então esse é um debate também importante de como é que a gente consegue avançar para possibilitar que mais, enfim, professores, militantes possam se engajar na luta do sindicato, que é essa a intenção, de que a gente possa seguir fortalecendo o sindicato.
O ANDES tem um sindicato que tem muitos espaços nacionais. Então, por exemplo, além do Congresso, nós temos o CONAD, que acontece na metade do ano, a gente tem os grupos de trabalho, que são instâncias para a gente poder fazer o acúmulo do debate, por exemplo, da construção da política. Então um grupo de trabalho de política educacional, que tem uma centralidade enorme num sindicato da educação, ou um grupo novo, que é o grupo Multicampia e Fronteira, entendendo justamente que tem novas universidades em regiões, outras regiões do Brasil nas fronteiras, e também a própria complexidade da Multicampia, então tem um grupo específico para isso.
E uma das questões é essa, as novas sessões sindicais, muitas vezes, não têm um fluxo mesmo de caixa, de recurso, a gente fica impossibilitado de participar de todas essas instâncias de acúmulo, porque, é isso, por questões materiais mesmo. Então, acho que esse é o debate, por exemplo, como é que a gente consegue ampliar essa participação das sessões sindicais nesses espaços, para além do próprio Congresso e do CONAD, que é o conselho do sindicato. Então essa é uma questão prática. Por exemplo, acho que o ANDES hoje, com a estrutura que tem, no momento que vive, poderia estar ampliando essa possibilidade de apoiar essas novas sessões sindicais, e esse é um pleito, por exemplo, que a minha própria sessão sindical faz, de que a gente possa ter essa ampliação de a gente conseguir participar mais dessas instâncias, que são instâncias de formação, inclusive, também não só para a gente estar ali, mas que novas pessoas possam estar participando, para além desse espaço nacional do Congresso e CONAD, esse seria um exemplo.
Equidade na eleição
Acho que sempre é importante, em uma entidade como o ANDES também, como qualquer outra entidade sindical, a questão das eleições da sua entidade. Então nós temos um debate, queremos fazer um debate sobre como é que a gente pode, também, que o próprio sindicato possa apoiar todas as chapas, de uma forma, ter uma equidade, ou seja, ter também possibilidade de que todo mundo concorra nas mesmas condições num pleito eleitoral, acho que essa é uma questão importante para nós também.
Nós temos uma diversidade de forças políticas dentro do sindicato, e cada vez mais vai se reorganizando, e também reivindicando as suas posições políticas, e como é que a gente pode também repensar um pouco nessas formas de construção do próprio processo eleitoral. Eu acho que esse é um outro elemento também que a gente coloca, e que eu acho que dá para avançar. Eu acho que o sindicato tem maturidade, tem consistência e possibilidade de avançar nesse processo também, de repensar seu processo eleitoral, dando condições para que todas as vertentes políticas e chapas possam também se colocar no pleito.
Acho que esse é um elemento também importante, o debate das questões organizativas, financeiras, e que envolve o sindicato de uma forma geral. Então é também um debate que a gente quer fazer nesse congresso.
Projeto educação
Eu acho que também sempre trazer a questão do debate propriamente do projeto de educação, que eu acho que é isso que nos move enquanto sindicato da educação. A gente reivindica que nós possamos, de fato, pensar qual o espaço de articulação política que a gente vai construir e defender, o projeto de educação na perspectiva classista. A gente sabe que tem o Fórum Nacional da Educação, que nós, inclusive, defendemos também que a gente possa estar lá, não tem impedimento de que a gente possa estar, mas entendemos também que ele tem um limite.
Então que outras articulações políticas no campo da educação, com as entidades da educação, a gente pode estar construindo para defendermos o projeto da educação numa perspectiva que a gente defende, emancipadora, classista, e com isso também com recurso próprio, com recurso apropriado, que a gente não fique refém das emendas parlamentares, como é o que a gente está acontecendo nesse momento. Ou seja, são muitas universidades que a gente sabe que as emendas parlamentares acabam sendo alternativa por justamente não termos um orçamento adequado. Então acho que essa é uma questão importante de como é que a gente coloca no centro da pauta esse debate do projeto da educação que a gente defende.
Temos a questão da militarização das escolas que avança a passos largos em vários estados. Eu estou aqui no Paraná, e aqui no Paraná é lamentável o que está acontecendo. Então acho que é um debate que a gente também não pode deixar de fazer, assim como a precarização das condições de trabalho. As universidades estaduais, a gente tem percebido, acompanhado, e isso para nós é uma pauta também bastante importante, o avanço, por exemplo, de professores cada vez mais precarizados, substitutos, enfim, e que acabou se normalizando a realidade de professor substituto permanente, praticamente, que chega lá no final de um ano, o contrato dele finaliza, ele só começa no ano que vem de novo, e assim ele fica uma vida toda, 20 anos, como professor substituto, ou seja, sem os direitos garantidos, sem uma carreira estruturada. Isso está se normalizando nas universidades, especialmente nas universidades estaduais, isso é muito forte. Então, acho que esse é um outro debate que tem a ver com o projeto de educação, que a gente defende, acho que a gente os coloca também com uma centralidade.
Enfim, acho que é isso, nessas questões internacionais, é fundamental a luta contra o imperialismo, o projeto de educação sendo debatido a partir da perspectiva no Brasil e as questões organizativas e financeiras do ANDES, que é importante a gente avançar.
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Maria Lídia Bueno Fernandes, presidenta da ADUnB e professora da Faculdade de Educação da UnB:
Eu penso que uma das coisas importantes como desafio para a categoria e para o grupo de apoio da ADUnB, que é a nossa associação dos docentes, é estarmos mais próximos da nossa base. Então são demandas concretas que a gente tem. Uma demanda concreta é a defesa da democracia, a defesa da universidade pública, a defesa dos docentes, principalmente referente aos ataques da extrema-direita. A extrema-direita tem vindo com muita força. Nós vivemos essas questões o ano passado, o ano retrasado.
A ADUnB teve que ter um protagonismo muito forte, contou com o apoio do ANDES nesse sentido e acho que a gente precisa fazer isso mais, precisa ser mais intenso esse movimento de defesa da categoria, das suas pautas cotidianas. Claro que nós temos que estar antenados com tudo que acontece no mundo, com essas mudanças geopolíticas fundamentais, inclusive para a sobrevivência do planeta. Do planeta não, eu sou geógrafa, eu brinco que não é o planeta. O planeta vai passar incólume. Nós é que não vamos sobreviver.
Desvios de função
Mas a sobrevivência mesmo, com o mínimo de qualidade, de dignidade. Essas lutas estão pautadas, estão em voga, mas a gente tem que olhar para a sobrecarga de trabalho, para a quantidade de demandas que recaem sobre nós, sobre os desafios desse enfrentamento da extrema-direita, a necessidade de suporte nas diferentes dimensões, tanto jurídica, que a gente tem visto isso, quanto também de saúde mental. Nós estamos sobrecarregados, nós estamos exercendo funções que não são as nossas. Nós temos esse desvio de função também pela sobrecarga, essas métricas que exigem demais e estão sobrecarregando a nossa saúde mental. Enfim, então eu acho que tem essa pauta concreta que a gente gostaria de ver debatida e ver com encaminhamentos efetivos.
Financiamento das ADs
A outra pauta, para a gente, muito importante é a questão da sobrevivência financeira das ADs. Nós temos uma sobrecarga de funções e uma sobrecarga de pagamentos, inclusive de rateios, e a gente tem encampado essa luta de que a gente precisaria ter esses recursos mais direcionados às necessidades das ADs e não tanto esse fluxo de recursos para o próprio ANDES. Então esta é uma pauta nossa, que nós precisamos rever esses fluxos de recursos, nós precisamos repensar onde a gente gasta. A mobilização é importante, a mobilização é feita em cada AD, é feita territorialmente, então a gente precisa ter essa possibilidade de destinar recursos para atender às demandas da categoria no chão das nossas universidades, onde a luta acontece no cotidiano, onde a mobilização acontece. Então acho que essa é uma outra pauta muito importante.
Soberania digital
Nós estamos com uma análise de conjuntura e duas importantes TRs do nosso entendimento. Nós temos tido um protagonismo na discussão das plataformas digitais, da democratização do acesso à tecnologia, ao conhecimento produzido pelas universidades. Estamos numa campanha envolvidos cada vez mais com a luta por software livre, nessa perspectiva da democratização mesmo do acesso, de uma soberania digital que não nos aprisione a empresas que têm outros interesses que não sejam nos ajudar a construir um outro mundo possível, um outro mundo com equidade, com justiça social, com universidades públicas abertas à população, enfim. Então essa pauta para a gente também é importante.
Privatização
Acho que o risco da privatização é um outro ponto importante. Na nossa análise de conjuntura, a gente também fala sobre isso, sobre os riscos de privatização, sobre a necessidade de uma universidade antenada com a sociedade, que, portanto, pense em um projeto educacional mais direcionado a esse tempo que a gente vive. Então uma reflexão mesmo sobre a formação que a universidade oferece para serem cada vez mais para um processo emancipatório, para um processo de construção de consciência crítica, numa perspectiva mesmo de a gente sair de onde está, chegar a um outro lugar e significa um lugar do bem viver, um lugar em que a questão ambiental seja um tema importante, e que a questão da justiça social, da luta contra as desigualdades, da luta pela diversidade, da luta por um mundo em que caibam todos os mundos seja a tônica.
Integrar o DIAP
E eu acho que também tem um ponto importante que a gente trata, uma das nossas TRs é sobre a filiação do ANDES ao DIAP, que é o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Nós entendemos que nós temos que qualificar a nossa estadia à frente dos nossos sindicatos, à frente da luta. Então nós precisamos influir, sim, nas câmaras legislativas, nós precisamos influir no que está sendo votado, nós precisamos pautar, nós precisamos ajudar a construir esse caminho, rumo a essa democracia radical que nós estamos perseguindo, e rumo a esse Brasil que tem seu papel no mundo hoje já, e que nós entendemos que com a história que nós construímos, com as universidades que temos, com as políticas públicas que nós podemos construir e assegurar a implementação, nós podemos continuar pautando e ocupando esse lugar no mundo para também mostrar que caminhos são possíveis nesse cenário de desmonte, de descrença, de ódio. Enfim, é um pouco nesse sentido que a gente espera atuar, espera contribuir e espera ver reforçada a nossa atuação nesse Congresso.
Eu acho que as questões que a gente traz nessa nossa análise de conjuntura, inclusive pautar a filiação ao DIAP, são porque nós precisamos reinventar as nossas táticas, nós precisamos ter um cuidado muito grande como é que a gente incide efetivamente, a gente precisa construir essa incidência e tem que ser de uma forma profissional, tem que ser de uma forma com muita reflexão e muita ação, baseada no que a gente sabe fazer de melhor, que é trabalhar com dados confiáveis, que é ter um planejamento efetivo, enfim, ter essa abertura e condições estratégicas de reflexão sobre dados reais para a gente agir de uma forma mais contundente, efetivamente contribuindo para as mudanças que são extremamente necessárias nesse país e no mundo, porque nós estamos vivendo uma série de retrocessos e a universidade tem sido esse baluarte de defesa desses valores que nós não podemos abrir mão. Então é nesse sentido que a gente espera que a gente construa estratégias, táticas para uma incidência efetiva nesse cenário.
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Maria Carlotto, presidenta da ADUFABC, professora de Relações Internacionais da UFABC e militante da tendência Articulação de Esquerda, do PT:
Esse não é um congresso eleitoral. Então o cerne da discussão, na minha opinião, vai girar em torno de dois eixos, que são dois momentos do Congresso. Um, as questões da pauta de reivindicações, que a gente chama de Plano de Lutas. Então o que a gente vai reivindicar no próximo período? Plano de Lutas. E, depois, as questões organizativas e financeiras, que é um outro momento do Congresso, e que tem a ver com o choque de democracia.
O que nós temos reivindicado? Se você olhar as nossas outras teses, isso vai estar bastante presente. Na questão do Plano de Lutas, a gente entende que o nosso horizonte é combater o neoliberalismo na educação, é avançar para uma educação menos pautada pela influência do capital em geral, porque o Brasil tem um dos sistemas mais privados de educação superior do mundo, porque aqui, por conta de um decreto do Fernando Henrique [Cardoso], é autorizado educação superior com finalidade de lucro. Pouquíssimos países fizeram isso. Então, assim, o Brasil foi um dos países que mais forte caminhou no sentido de uma privatização com apoio público, porque o FIES sustenta esse sistema financeiro. Então óbvio que o nosso alvo é esse.
E mais, nós estamos muito ameaçados por esse neoliberalismo de longo prazo, porque começa nos militares, e a gente também está muito ameaçado pelo neoliberalismo que está presente até na política econômica do governo Lula, porque a restrição orçamentária das universidades está na pauta nacional. Se a gente olhar os gráficos, e tem um gráfico que eu brinco que é o gráfico da minha tristeza, porque depois que cai, em 2015, o orçamento das universidades não se recupera. O governo Lula faz uma recomposição muito tímida. Então nós estamos, desde 2015, em restrição orçamentária, operando numa situação de muita escassez de recursos.
Estamos pressionados pelo neoliberalismo e pela extrema-direita, que é negacionista, que é antiuniversidade, que, se volta para o governo, representa para nós uma ameaça existencial. Então o nosso diagnóstico é o de que a gente tem dois inimigos muito pesados: o neoliberalismo e o conservadorismo.
Para enfrentar esses inimigos pesados, o ANDES precisa ser um sindicato de massas. Nós estamos batendo nisso há, pelo menos, uns oito anos. Ou seja, o ANDES, para fazer o enfrentamento que ele precisa fazer, que é muito pesado, ele tem que mudar de patamar de organização. Isso, para nós, vai ser feito se o ANDES aumentar a filiação. E você não faz isso se você não constrói mediações entre a experiência concreta dos docentes e essas grandes pautas. Então é isso que a gente chama de soluções concretas para problemas concretos. O ANDES precisa dialogar com aquele docente que, se você fala: ‘O capitalismo na educação…’ Ele até é de direita, ele nem sabe. Só que ele sofre as consequências da restrição orçamentária. Quando o negacionismo veio para cima da universidade, ele era bolsonarista, ele falou: “Opa, mas também aí não”. Votou no Lula em 2022. Então nós temos que organizar essa base que não é necessariamente comunista, como é a grande maioria das pessoas que militam no ANDES, inclusive eu, que toca a Internacional no início do Congresso.
Cotidiano
Mas, assim, para as pessoas que precisam ser organizadas, para a gente ter força de massa, para a gente incidir na conjuntura, a gente precisa construir pautas que dialoguem com o cotidiano dos docentes. E o que é o cotidiano dos docentes? Uma categoria hiperadoecida, com sobrecarga de trabalho bizarra, sim, por conta de vários processos que incluem, desde a pandemia. Mas antes, até, teve um processo de digitalização que transferiu o trabalho dos técnicos para os docentes. Então a gente está fazendo muito trabalho que antes a gente não fazia. Um aumento do número de alunos de cursos, de demandas, porque são alunos diferentes. Não é mais o perfil que vem todo mundo pronto, porque é branco e rico. São alunos que você tem que trabalhar muito mais, para você fazer a política que a gente se propôs a fazer. Então, os docentes estão muito sobrecarregados, adoecidos, endividados, porque a gente teve um rebaixamento de salário da ordem de um quarto nos governos Temer e Bolsonaro. E o governo Lula não recompôs o suficiente.
Então, assim, a gente quer pautar as questões, porque o tom geral do ANDES, do movimento docente, é um movimento muito radical. Para você ter uma ideia, o grito de guerra do ANDES é: “Eu sou docente, sou radical, eu sou do ANDES Sindicato Nacional”. Tudo bem, nós somos radicais, somos contra o capitalismo na educação, a gente toca a Internacional Comunista no início do Congresso. Só que o que isso dialoga com o conjunto da categoria que cabe a nós representar? Então, assim, a gente, no fundo, reivindica um sindicalismo de base, de massas, que a gente acha que pode cumprir um papel na conjuntura, porque se for esse ANDES diminuto, esse ANDES que representa pouquíssimo, uma parcela muito pequena da categoria, principalmente se a gente for olhar quem vota na eleição, que é 5% da categoria como um todo, é muito pouco.
Então, assim, a nossa disputa é: nós queremos fazer do ANDES um sindicato de massas. Isso passa pelos problemas concretos, soluções concretas para problemas concretos, para que o ANDES se aproxime. Então uma das nossas propostas é construir, no primeiro semestre do ano que vem, um seminário nacional sobre condições de vida e trabalho dos docentes, que é algo que o ANDES mal discute. Como é que os docentes estão vivendo? Como é que eles estão trabalhando? O que está acontecendo na condição de trabalho? Então essa é uma das nossas principais propostas. A gente quer, por exemplo, discutir quais são as demandas, entendeu? Vamos construir uma pauta de verdade. Então isso de um lado. E, de outro, tem a questão do choque de democracia sindical. Por quê? Porque o ANDES só opera dessa maneira porque ele é um sindicato muito controlado pela direção. A direção tem um poder, o Valter [Pomar] chama de “um sindicato pelego de esquerda”, porque é um controle, por exemplo, eles controlam a pauta do Congresso de um jeito impressionante. O que pode ser discutido, o que não pode, porque tem os grupos de trabalho, aí eles distribuem as pessoas de tal maneira que você não consegue maioria para aprovar sua tese para ir para a plenária. E eles controlam a eleição. O presidente do ANDES preside a comissão eleitoral. A comissão eleitoral tem atuado nos últimos anos de maneira muito arbitrária, vide a nossa exclusão do processo eleitoral ano passado, que a gente teve que ganhar na justiça e ganhou, porque a gente tinha o direito de concorrer.
Então, assim, a gente está pautado muito nesses dois eixos para transformar o ANDES num sindicato de massa e tirá-lo do isolamento. Por quê? Porque ele é tão esquerdista que ele sequer compõe. Agora isso está mudando, porque eles iam perder a direção sindicato. Teve essa saída do PSTU, que na verdade foi uma expulsão. Eles primeiro tiraram o PSTU, depois tiraram o PCB da composição para justamente ir caminhando para um lugar um pouco menos isolado. Porque o ANDES, por exemplo, não compôs a luta contra o impeachment da Dilma [Rousseff], contra o golpe de 2016, porque, para eles, não era golpe, o Temer era vice, que se vaiam todos. Então, para eles, aquilo era o prenúncio de uma revolução popular. Então, um erro… Depois, mesmo na questão da prisão do Lula, eles também não estavam presentes. E sequer em 2022, quando houve uma enorme frente ampla, eles não apoiaram o Lula no primeiro turno. Então, assim, há anos, não compõe o Fórum Nacional de Educação, que inclusive é uma pauta histórica nossa, está de novo nas TRs, porque eles dizem que é um espaço cooptado pelo governo. Então, assim, estão todos, absolutamente todos os movimentos de educação, e o ANDES não está.
O eixo da nossa atuação no ANDES é esse. O ANDES tem que ser um sindicato de massas e, para isso, ele tem que dialogar realmente com a categoria realmente existente e, desse diálogo, construir as mediações para as lutas mais radicais. Não pode ser a radicalidade abstrata, ela tem que ser mediada pela construção concreta. Você está com restrição orçamentária, no seu laboratório não tem reagente, porque é isso que o docente vive. Ele quer fazer um experimento e não tem reagente no laboratório. Aí, cabe ao sindicato dizer que isso é fruto do neoliberalismo, venha para o sindicato lutar contra. Mas percebe que é mediado, não é? Porque você já é de esquerda, então você compõe a luta antineoliberal, antiprivatização da educação. Não, o sindicato tem que construir as mediações, ele tem que politizar a categoria. Ele não faz isso sendo um sindicato de saída radical. Ele tem que caminhar, existe um processo de radicalização da categoria que é a função do sindicato cumprir. Por isso as pautas concretas para problemas concretos que não acabam em si mesmo.
Não é porque nós queremos ser um sindicato de resultado. Não, é porque o sindicato de resultado é uma mediação para um sindicato de massas que vai cumprir um papel na conjuntura. Na conjuntura e, na verdade, no debate educacional do país, que hoje está ausente, o ANDES faz muita falta no debate numa política de educação superior.
Então eu acho que isso de um lado, as pautas concretas. A democracia sindical, porque, para o sindicato realmente representar a categoria, ele tem que ser um sindicato democrático, porque senão ele vira um sindicato de direção e não um sindicato de base de verdade. Então esse é o segundo eixo.
Sectarismo
E o terceiro é esse. O ANDES precisa compor as lutas do campo democrático popular. Existe um campo mais amplo que o ANDES se recusa a compor, porque ele está hegemonizado por uma cultura política muito esquerdista, isolacionista, sectária demais. Então a gente tem batido nessas três. Esse é o eixo.
A gente acha que esse congresso, a gente tem condições de avançar, porque, veja, nos temas da organização sindical, onde essa questão da direção bate? O ANDES tem uma estrutura muito sui generis, porque são mais de 100 associações docentes, porque ele representa mais de 100 bases, digamos assim. Então a do UFABC é uma sessão sindical do ANDES, é uma associação docente que representa os professores da UFABC. Como a ADUFABC, a associação dos docentes da UFABC, tem mais 100. O que acontece na prática? O ANDES foi caminhando para uma enorme centralização.
Então, no estatuto, está definido até como essas associações docentes vão fazer as suas eleições. Esse é um tema que vai estar na pauta e que nem vai ser levado por nós. Vai ser levado pela ADUSP, a Associação dos Docentes da USP, que organizou todas as associações docentes do estado de São Paulo para pautar o direito de que as bases, ou seja, essas associações docentes decidam como elas vão fazer as suas próprias eleições. Porque o Congresso do ANDES, hegemonizado pela diretoria, decidiu que não pode ter eleição virtual. Então, mesmo que a base queira fazer eleição virtual, o ANDES proíbe. E essa é a razão que leva, por exemplo, a ADUFRJ a querer sair do ANDES. Por quê? Porque a ADUFRJ é um monstro. Ela tem 4 mil associados. Enorme. E eles fazem eleição virtual. Eles falam: “O que é o ANDES para decidir que eu não posso fazer? Que palhaçada”. E a ADUSP está indo pelo mesmo caminho.
Ou seja, as associações grandes se incomodam com essa centralização. E também se incomodam com o que eles chamam de uma drenagem de recursos que muitas pessoas nomeiam de custo ANDES. Eu acho um nome ruim. Mas eu entendo a lógica. Ou seja, o ANDES é muito caro. Porque a gente paga a contribuição mensal, depois a gente tem que pagar todo o congresso, que é anual. Aí, como eles negam a virtualidade em absoluto, vamos ver se esse ano vai mudar, porque isso também está na pauta. Uma parte do funcionamento do sindicato é ser híbrido. Não estamos nem falando remoto. Híbrido. Quem pode ir, vai. Quem não pode, entra online, com uma estrutura. A gente tem dinheiro para isso. Para quê? Para baixar um pouco o custo. Porque a maneira como o ANDES opera é muito cara. São eleições em papel. Eleições físicas em urna. Não tem nem urna eletrônica. É cédula de papel. Então imagina organizar essa eleição no Brasil inteiro. Na Universidade Federal do Pará, as urnas têm que ir de barco. Depois, voltar de barco. Entende?
A gente até levou esse ano para o Congresso isso. Eleições virtuais para o ANDES. Mas a gente não tem a menor expectativa de que isso vai avançar. Porque há resistência… Se a gente conseguir aprovar que as reuniões dos grupos de trabalho e dos setores… O que são os setores? A gente tem dois setores no ANDES: as federais, as estaduais e as municipais. Então, eles se reúnem lá em Brasília. A reunião do setor das federais. Todas as ADs de universidades federais vão a Brasília. Tem que ir presencialmente em Brasília. Então a gente está batalhando que as reuniões dos grupos de trabalho e dos setores sejam híbridas. Quem pode ir, vai. Quem não pode, participa lá. Se a gente conseguir aprovar isso, vai ser uma vitória. Então, para gente chegar na eleição virtual, ainda vai muito… Vai estar em discussão isso e o direito das assembleias, das associações docentes decidirem a forma da sua própria eleição. Porque as ADs… Por exemplo, a eleição para a diretoria da UFABC também tem que seguir o estatuto do ANDES e tem que ser em urna. Então tem muita resistência a isso. Porque as associações docentes acham que as suas bases têm o direito de decidir como querem fazer a sua própria eleição. Então isso também vai estar em pauta.
Recursos
Vai estar em pauta também o que a gente chama de distribuição dos recursos. Porque a ADUFABC, que eu presido, mandou uma TR e, pelo que eu sei, a UNILA também, pedindo apoio para as pequenas ADs. Porque, já que o ANDES é tão rico, por que não apoia a nucleação de associações docentes que tem muita dificuldade de pegar o imprint, digamos, para virar uma grande AD? Porque não tem apoio técnico nenhum.
A gente não tem um funcionário. Enquanto, por exemplo, a ADUnB tem 11 funcionários, uma sede maravilhosa, um auditório que eles alugam e conseguem gerar renda, nós não temos nenhum funcionário. Entende? Eu vou convocar a Assembleia, eu tenho que fazer o card, ou contratar alguém. Eu tenho que mandar o e-mail para todos os docentes, eu que tenho que reservar a sala. Eu não tenho apoio técnico nenhum. Nenhum, absolutamente nenhum. Nisso o ANDES poderia nos ajudar. Então, assim, a gente está pautando, essencialmente, a redistribuição de recursos. Tanto as grandes querem contribuir menos, quanto as pequenas querem mais. Isso vai envolver uma certa descentralização do sindicato. E eles nomeiam, a diretoria nomeia, que a gente quer transformar o ANDES em uma federação, porque a gente quer fortalecer os sindicatos de base. É uma maneira de ver. A gente pensa diferente, a gente pensa que fortalecer esse sindicato de base, que é a mediação entre a base e o ANDES, é uma maneira de fortalecer o ANDES.
Porque o ANDES é isso. O ANDES se expressa na força das suas associações docentes. São elas que filiam, são elas que representam a base diretamente. Então eles têm resistido muito às mudanças que a gente está propondo, porque eles dizem que é a lógica da federação. No fundo, a lógica do PRO-IFES. Cuja história remete a esse debate já. Ou seja, associações grandes que querem ter mais autonomia. É um pouco isso. Então por isso que eles dizem que é a lógica da federação. Mas a gente acha que, no fundo, é a lógica de um sindicato de base de verdade. Ele tem que ter força na base. E, para ter força na base, ele tem que ter associações docentes mais estruturadas.
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