Por Valter Pomar (*)
Há um ditado segundo o qual não se deve usar o nome de Deus em vão.
Não acredito, mas inclusive por respeito aos que acreditam em Deus levo aquele ditado a sério. E me espanto como há crentes que fazem o oposto.
Por motivos similares, acho espantoso ver como autoproclamados lulistas usam e abusam do nome de Lula.
Não sou lulista, sou petista. Entrei no PT porque acreditava e sigo acreditando que um partido de massas é muito útil na luta da classe trabalhadora brasileira pelo socialismo.
Fui da mesma tendência de Lula – a Articulação dos 113 -até 1993, mas desde então sou de outra tendência. Além disso, ao contrário do companheiro Francisco Rocha, não privo da intimidade de Lula, condição básica para falar publicamente em nome dele.
Isto posto, acho normal e legítimo que Lula lute para fazer prevalecer suas ideias, tanto dentro da CNB quanto dentro do Partido. Assim como acho normal e legítimo que os integrantes da CNB se apresentem como sendo da tendência de Lula.
Mas há maneiras e maneiras de fazer isso, sob pena do excesso de velas por fogo na igreja. Por isto deploro a declaração publicada no texto que copio e colo ao final e que também pode ser lida aqui:
Na luta “interna” da CNB, torço pela luta. Não vejo em nenhuma das alas em pugna a orientação política necessária para o PT, nesses tempos de guerra em que estamos.
E tampouco vejo em Edinho – inclusive pelos motivos explicitados no texto publicado pela Folha – a autonomia que um presidente do Partido precisa ter, inclusive para melhor defender Lula e o governo.
Evidente que tudo pode não passar de uma fake news da Folha. Mas temo que esta vez seja uma exceção.
(*) Valter Pomar é professor e membro do diretório nacional do PT
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Segue abaixo o texto comentado:
Lançar candidato contra Edinho será contrariar Lula, diz petista
2 de abril de 2025
Um dos caciques da tendência petista Construindo um Novo Brasil (CNB), que controla o partido há 20 anos, Francisco Rocha diz que não haverá divisão na corrente em razão da escolha do novo presidente da legenda, marcada para julho. A CNB vive um racha em torno da candidatura do ex-ministro Edinho Silva para o cargo. “Quem da CNB for lançar outro candidato vai enfrentar resistência da militância e se resolver com o terceiro andar do Palácio do Planalto”, diz Rochinha, como é conhecido, em referência a Lula, que apoia Edinho.
O candidato, que até o ano passado era prefeito de Araraquara (SP), tem apoio, além do presidente, de ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde) e Camilo Santana (Educação), além do ex-ministro José Dirceu.Edinho enfrenta resistência de uma ala formada, entre outros, pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), o deputado federal Jilmar Tatto (SP), o prefeito de Maricá, Washington Quaquá e a tesoureira , Gleide Andrade. Segundo Rochinha, a disputa interna não se deve a questões de ideologia, mas a apego interno por cargos. O mais disputado é a tesouraria. Ele prevê que Edinho terá cerca de 53% na eleição interna, evitando assim a necessidade de segundo turno. Outros nomes já lançados por tendências minoritárias são o secretário de Relações Internacionais da legenda, Romênio Pereira, e o dirigente Valter Pomar. O deputado federal Rui Falcão, ex-presidente do PT, também cogita se candidatar.