Saiu o jornal Página 13 de março

Já está disponível o jornal Página 13 do mês de março, de número de 299. Para descarregar a íntegra da edição, acesse AQUI. Abaixo, é possível  conferir o editorial.

BOA LEITURA!

EDITORIAL

A Argentina não é aqui!

Esta edição de Página 13 foi editada logo em seguida ao Carnaval, momento em que a disputa política no Brasil se aprofunda e se acelera. Salvo algum fato extraordinário, a disputa presidencial será novamente entre o PT e a extrema-direita, encabeçada por um Cavernícola filho. As pesquisas seguem indicando a vitória de Lula, no segundo turno, por pequena diferença e apoiado pela mesma base social de 2022: trabalhadores pobres, negras e negros, mulheres. Na maioria dos estados, candidaturas que vão da direita à extrema-direita lideram a disputa para os governos, Senado, Câmara e assembleias legislativas. Em estados eleitoralmente decisivos, como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, há imensos problemas. Em Minas Gerais, ainda não temos candidatura a governador. Em São Paulo, temos nomes, mas estes até agora se recusam a assumir a tarefa. No Rio de Janeiro, a tática atual imposta pela maioria do Partido prevê apoiar um candidato a governador que acaba de escolher uma bolsonarista para vice. Em inúmeros outros estados, há problemas diversos e igualmente graves na montagem das chapas. A direção nacional do Partido está chamada a dar um imediato “freio de arrumação” no conjunto da obra.

Como vem acontecendo desde 2015, há duas táticas no Partido acerca de como enfrentar a extrema-direita golpista. De um lado, os que defendem rebaixar o programa e ampliar as alianças, levando o PT a apoiar candidaturas de direita que nos prejudicam eleitoral e politicamente. De outro, aqueles que, como nós, defendemos que a saída é pela esquerda, o que inclui apresentar ao povo um programa de transformações que empolgue o conjunto da classe trabalhadora e leve as maiorias sociais a tomar partido. Isso inclui tomar uma atitude firme frente a situações como a do escândalo do Banco Master, no qual fica mais uma vez evidente a promiscuidade entre governantes, ministros do Supremo Tribunal Federal e magnatas que ganham dinheiro fraudando a lei. Ao nosso Partido, não basta se dizer “antissistema”, é preciso se comportar como tal.

Nesse mesmo espírito, reiteramos a necessidade de submeter à comissão de ética e punir — em nossa opinião, com expulsão do Partido — o senhor Washington Quaquá, que, na véspera e durante o Carnaval, deu novas demonstrações de riqueza, prepotência e conservadorismo incompatíveis com a condição de petista. A comissão especial criada para analisar os pedidos de ética contra o indigitado até agora não se manifestou a respeito. O silêncio e a demora em julgar e punir o senhor Quaquá tem como resultado prático uma escalada de agressões que causam imenso prejuízo ao Partido, inclusive eleitoral.

Uma saída pela esquerda, capaz de empolgar a maioria do eleitorado, inclui uma firme defesa da soberania nacional, da integração regional e da paz mundial contra o imperialismo estadunidense. Palestina, Venezuela, Cuba e Irã devem receber solidariedade não apenas do nosso Partido, mas também do governo e do Estado brasileiro. A defesa da soberania e dos direitos, combinada com o enfrentamento do imperialismo e a defesa de uma ordem socialista alternativa ao capitalismo, deve estar presente no 8º Congresso do Partido e, também, na campanha eleitoral de 2026.

Entre os direitos a serem defendidos, citamos a luta dos indígenas — inclusive a justa mobilização em defesa do Tapajós — e destacamos a luta pela vida das mulheres. Combater o feminicídio, implantar a política de cuidados e garantir salário igual para trabalho igual é uma pequena parte das tarefas necessárias para garantir o fim da exploração e opressão que se abate sobre metade da humanidade. Viva o 8 de março!

Destacamos, também, a defesa do fim da escala 6×1. O caminho para que esta pauta prevaleça — derrotando a oposição do empresariado, as manobras da direita congressual e as concessões aventadas inclusive por gente de esquerda — é a mobilização social. O PT deve trabalhar para organizar uma gigantesca mobilização em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada de trabalho e da tributação dos ricos.

Concluímos reverenciando a beleza e a coragem da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que, neste Carnaval de 2026, decidiu homenagear Lula. Na vida, há os que se medem por ganhar e perder pontos; e há os que entram para a história. Viva a Acadêmicos de Niterói! Viva Lula!

Mas para dizer que não falamos de espinhos, é preciso saber e dizer para o povo brasileiro: a alternativa a Lula é vivermos, no Brasil, entre outros horrores, algo como está em curso na vizinha Argentina, a saber: não a ampliação, mas a revogação total dos direitos da classe trabalhadora. Toda nossa solidariedade a los hermanos. E toda luta para garantir que o Brasil continue seguindo por outro caminho.

Os editores.

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