35º Congresso da CNTE: aquém do que o momento exige

Por Guilherme Mateus BourscheidIvonete Alves CruzIzabel Costa (*)

O 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) ocorreu em um momento histórico marcado pela crise estrutural do capitalismo, pelo avanço do neoliberalismo e pela intensificação da ofensiva imperialista sobre os povos do Sul Global. Em um cenário de guerras, bloqueios econômicos, golpes institucionais e ataques sistemáticos aos direitos sociais, a educação pública e seus trabalhadores estão na linha de frente da disputa entre capital e trabalho. No entanto, o Congresso ficou aquém da tarefa histórica que o momento exige.

Apesar da presença de intelectuais, dirigentes sindicais e das Centrais Sindicais que militam em torno da educação e militantes com amplo acúmulo político, o Congresso foi pobre em debates com a base. A condução dos trabalhos esvaziou a participação efetiva de delegadas e delegados, transformando um espaço que deveria ser de elaboração coletiva em um rito burocrático quase acadêmico. Em tempos de ofensiva do capital, silenciar a base é fortalecer a passividade e enfraquecer a capacidade de luta da categoria.

As contradições também se expressaram nas condições materiais do evento. A escolha de um espaço caro e inadequado revelou um distanciamento da realidade concreta da categoria e das entidades filiadas. Em um momento de arrocho orçamentário, cortes na educação e ataques salariais, decisões desse tipo evidenciam limites na concepção política e organizativa da direção majoritária da CNTE.

Diante desse quadro, a Articulação de Esquerda cumpriu um papel decisivo ao tensionar os limites da política de conciliação e adaptação institucional. Em meio ao silêncio cúmplice de amplos setores, a corrente apresentou uma posição firme, clara e internacionalista diante da escalada imperialista contra a República Bolivariana da Venezuela. A resolução “Defesa da Soberania do Povo da Venezuela e pela Libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores” denunciou sem ambiguidades o sequestro do presidente constitucional venezuelano e da deputada Cilia Flores pelo imperialismo estadunidense, caracterizando o ato como uma agressão direta à soberania nacional, ao direito internacional e à autodeterminação dos povos.

Não se trata de um episódio isolado, mas de mais um capítulo da guerra permanente do imperialismo contra os povos que ousam resistir. A captura de líderes eleitos, as sanções econômicas criminosas, os bloqueios e as ameaças militares fazem parte da mesma estratégia de dominação que busca subjugar a América Latina, transformar nossos países em colônias e garantir o saque de nossas riquezas. A defesa da soberania da Venezuela é, portanto, uma tarefa central da classe trabalhadora internacional.

A Articulação de Esquerda também afirmou que um Congresso da CNTE não pode encerrar seus trabalhos sem apontar caminhos concretos de mobilização. Após duras disputas políticas, foi possível aprovar a reafirmação da necessidade de um Dia Nacional de Luta, a ser construído em cada território e definido pelo Conselho Nacional de Entidades em seu primeiro encontro de 2026. Pois, entendemos que o cenário necessita uma urgente mobilização ainda no primeiro semestre aproveitando a Semana Nacional da Educação. Em um contexto de destruição da educação pública, de avanço das privatizações, das PPPs e da militarização das escolas, ocupar as ruas é a única resposta capaz de enfrentar o projeto do capital.

Ao final do 35º Congresso, a Articulação de Esquerda saiu fortalecida política e ideologicamente. Seus militantes, homens e mulheres comprometidos com o socialismo, atuaram com firmeza na defesa de uma CNTE classista, combativa, anti-imperialista e enraizada na luta concreta da classe trabalhadora. Em tempos de guerra, não há neutralidade possível: ou se está ao lado dos povos em luta ou se capitula diante do imperialismo. A Articulação de Esquerda escolheu, mais uma vez, o lado certo da história.

Continuamos compondo na direção do sindicato que foi eleita com 91,27%, um total de 1684 votos de um universo de 1845 votantes. Elegemos as camaradas Ivonete Alves Cruz do Sintese de Sergipe e Izabel Costa do Sepe do Rio de Janeiro que levarão a política da Articulação de Esquerda para dentro da Direção da CNTE.

Nosso caderno de teses completo está neste link,

https://pagina13.org.br/download/jornal-pagina-13-no-296-janeiro-2026-especial-congresso-cnte/

(*) Guilherme Mateus BourscheidIvonete Alves CruzIzabel Costa são dirigentes sindicais e militantes da AE

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