Por Valter Pomar (*)

Que Bibi apoia o cavernícola, isso todos sabemos.
Prova disto, se alguma era necessária, é o vídeo que foi exibido durante a convenção do Partido Liberal: aqui.
Alguns acham que este apoio seria apenas do “governo” de Israel.
Outros acham que se trataria do “Estado de Israel”.
A extrema-direita não partilha deste tipo de dúvida: para eles Israel é uma entidade bíblica, com a qual mantêm uma identidade profunda, existencial.
Nesse sentido, a vida deles é mais fácil do que a nossa. Afinal, temos que conviver com pessoas que – na minha opinião e na de muito mais gente – apoiam objetivamente os interesses do “Estado de Israel”, mesmo que se afirmem críticos dos “excessos” deste ou daquele governo.
O genocídio praticado pelo Estado de Israel, apoiado pelos EUA e por boa parte da “civilizada” Europa, tornou este convívio ainda mais difícil.
Um exemplo desta dificuldade é o processo judicial que está sendo movido por Clara Ant contra Cid Benjamin.
Para quem não sabe quem é Cid Benjamin: aqui.
Para quem não sabe quem é Clara Ant: aqui.
Segundo me contaram, o processo inicialmente envolvia Ana de Holanda e Jaques Wagner.
A primeira por ter feito ilações contra supostos agentes do Mossad.
O segundo por ter sido alvo de críticas.
Mas pauzinhos foram mexidos e parece que até agora sobraram no processo apenas Clara e Cid.
O motivo do processo teria sido a referência, feita por Cid, a “porta-vozes não oficiais de Israel”.
Um amigo bem-humorado, mas sem juízo algum, me perguntou se o problema estaria na expressão “não oficiais”.
Seja como for, o fato é que apoiadores de Israel & similares, anexos, adjuntos, área próxima e vizinhos estão usando e abusando do judiciário para tentar calar as vozes críticas.
Trata-se de uma variante do lawfare.
Um dos exemplos disso é o projeto apresentado por Tabata Amaral.
Quem não lembra dele, ler aqui.
Isto posto, acho que entendo o incômodo de Clara.
Afinal, muita gente boa fica incomodada quando, por denunciar o sionismo e o genocídio praticado contra Gaza, é acusada de “terrorista”.
Mas não lembro de ninguém que tenha entrado com processo.
Talvez seja porque, por mais erros que se cometa, faça alguma diferença ser acusado de estar do lado dos genocidas, dos colonialistas, dos imperialistas e dos que apoiam o filho do cavernícola.
Isto posto, espero que Cid saia vitorioso desta ação.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
