Por Valter Pomar (*)
Recomendo fortemente assistir esta “entrevista” de Edinho Silva, na CEO Conference Brasil 2025, do BTG Pactual.
O próprio Edinho divulgou positivamente a entrevista, como se pode ver aqui:
https://www.instagram.com/p/DGirnCRsShg/?igsh=NDZ1MXk0YzBhOXM=
A íntegra da entrevista está aqui:
https://m.youtube.com/watch?v=mJrsCDkk3v8
A “entrevista” aconteceu durante um painel intitulado “Lideranças Políticas”, moderado por Murillo Aragão, CEO da Arko Advice e que contou com a participação de Ciro Nogueira, senador e presidente do Progressistas.
Edinho apresentou Ciro como sendo seu “amigo”. E Ciro devolveu, noutro momento, dizendo que Edinho seria “uma das melhores cabeças do seu partido, se não for a melhor”.
No início da entrevista, Murilo Aragão apresenta Edinho como futuro presidente do PT. Edinho não corrige imediatamente a informação, mas antes do final da entrevista ele lembrou de explicar não ser presidente, mas sim “uma liderança que disputa a presidência”.
A primeira pergunta feita por Murillo Aragão foi uma crítica às resistências que existiriam, dentro do PT, em aceitar o pragmatismo na condução da política econômica.
Edinho respondeu com uma digressão sobre o “presidencialismo com características do parlamentarismo”, que resultaria num governo de coalizão, no qual “muitas vezes o PT tem sim a posição de disputar o rumo do governo”. Quanto ao mérito “econômico” da questão, nada.
A segunda pergunta feita por Murilo Aragão foi uma crítica sobre as pesquisas que indicariam desaprovação majoritária ao governo e também sobre o envelhecimento do PT. Murillo acompanhou esta última questão de uma ressalva positiva sobre o próprio Edinho, que seria uma “renovação de certa forma”.
Edinho escolheu abertamente tergiversar, escolhendo falar da necessidade de “recuperar o conceito de democracia, para que o Brasil não possa flertar com o fascismo”.
Desta vez, Murilo Aragão registrou que a pergunta não foi respondida. E insistiu, com direito a recuperar a lenda segundo a qual o general Golbery teria sido fundamental na criação do PT, uma vez que a existência do Partido permitiria a “harmonização de posturas que poderiam ser revolucionárias”.
Edinho não reagiu nem mesmo a esta provocação. Preferiu discutir “a crise partidária num contexto mais geral”, deixando evidente que sua preocupação é reconstruir o “centro”, pois sem centro “vai continuar a polarização, com a qual não há racionalidade”.
(O conceito de “racionalidade” de Edinho saiu de algum manual de boas-maneiras. Pois não há nada mais irreal, nos tempos atuais, que acreditar que existe uma saída pelo centro para os imensos problemas vividos pela humanidade e, também, pelo Brasil.)
A terceira pergunta de Murillo Aragão foi sobre como conciliar “governabilidade” e “recuperação da popularidade”.
Edinho respondeu que as medidas estão sendo tomadas e estão “surtindo efeito”, mas que será preciso um “nível de entrega maior”, “sempre norteado pela responsabilidade fiscal”. E voltou a falar da necessidade de um “espaço de diálogo onde os partidos pensassem uma agenda de nação, de médio e longo prazo”, uma “agenda que não deve estar contaminada pela polarização”, uma “agenda de unidade para o país independente de divergências partidárias”.
Em algum momento, Edinho chega a falar que precisamos “regulamentar o governo de coalizão”.
No final do programa, Edinho dirigiu uma pergunta ao Ciro Nogueira, acerca da reforma política. Neste contexto, Edinho cometeu a barbaridade de dizer que o fascismo italiano nasceu como “organização sindical”.
Em seguida, Ciro Nogueira pergunta a Edinho sobre o tema da competitividade, que ele Ciro contrapõe ao gigantismo do Estado.
Edinho respondeu falando da necessidade de uma “agenda” que una “os partidos políticos, as lideranças, os empresários”, citando como temas a “democracia”, “superar as desigualdades via educação”, “transição energética” e “fomento tecnológico”.
Desenhando: a direita gourmet, o empresariado, quando fala contra a “polarização”, não tem como objetivo derrotar a extrema-direita. Tem como objetivo destruir o PT.
Por quais motivos Edinho não percebe isso, embora seja em boa medida óbvio, tem várias explicações. Entre elas a mesma que “explica” a afirmação dele sobre o nascimento do fascismo na Itália.
(*) Valter Pomar é professor e membro do diretório nacional do PT