Por Valter Pomar (*)

Dois acontecimentos ocorridos hoje e ontem, 28 e 29 de janeiro, demonstraram a impressionante influência que Washington Quaquá possui entre dirigentes nacionais do PT, de todas as tendências.
No dia 28 de janeiro, um importantíssimo dirigente nacional do PT pediu para retificar uma declaração que deu a respeito de Quaquá. A referida declaração era simples: “Há um pacto para formar as maiorias para não afetar um ou outro, entendeu? Então, esse é um problema sério. Eu tenho a impressão de que o Quaquá já estaria expulso do PT”.
A retificação foi a seguinte: “Pedi a retirada da citação ao Quaquá porque seria um prejulgamento de que fui vítima já. Citei porque há quatro pedidos de comissão de ética para ele sem julgamento um faz de conta”.
No dia 29 de janeiro, a Comissão Executiva Nacional do PT debateu sobre os pedidos de comissão de ética contra Quaquá. Um desses pedidos foi feito em 2021. O estatuto do PT prevê que cabe à executiva decidir se o pedido deve ou não ser aceito. O secretário-geral anterior e o atual, ao invés de cumprir seu dever estatutário, adotaram a postura de engavetar o pedido. Por este motivo, toda vez que encontro o atual e de resto super simpático secretário-geral, eu sempre o chamo de “o prevaricador”.
Havia a expectativa de que a executiva nacional votasse hoje, pelo arquivamento dos pedidos ou pelo encaminhamento do pedido à comissão de ética. Mas o que prevaleceu foi um encaminhamento bizarro, que mereceu a seguinte declaração de voto da companheira Natália Sena:
Declaração de voto por escrito
Registro minha absoluta discordância com a decisão da executiva nacional do PT, sobre as comissões de ética pendentes contra o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washigton Quaquá. O primeiro pedido foi feito em 2021. O DN e a CEN não deliberaram sobre o tema, postergaram anos. Agora, ao invés de aprovar ou negar a comissão de ética, decide-se por “resolver na política” o assunto, sabe-se lá o que isso queira dizer. Na prática, criou-se uma comissão composta por vários dirigentes da CEN para tratar do tema. Mais uma vez prevalece uma imensa dificuldade em tratar as coisas com a simplicidade que elas têm: Quaquá infringiu ou não a ética do Partido? Registro por fim que apenas eu votei contra o encaminhamento.
Natália Sena, 29 de janeiro de 2026
Os dois acontecimentos comprovam que Quaquá tem uma impressionante influência entre dirigentes de todas as tendências do Partido. A influência não vai ao ponto dele ser defendido. Pelo contrário, a impressão é que existe muita gente mal agradecida, a saber, que recebe generoso apoio material e votos decisivos, mas que prefere manter distância pública de um personagem excessivamente controverso e sem limites. Mas a distância não vai ao ponto de fazer a coisa certa, a saber, submeter Quaquá a uma comissão de ética.
Certo mesmo parece estar o dirigente que disse haver um “pacto”. Que, pelo visto, envolve muito mais gente do que imaginávamos.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
