Página 13 publica o seguinte texto-base ao congresso estadual da AE na Bahia.

Em 2026, a Batalha da Bahia ganha um novo capítulo decisivo: a mobilização política da juventude como força motriz da transformação. A juventude baiana, majoritariamente negra, periférica, estudante, trabalhadora precarizada e sonhadora — não é apenas o futuro; é o presente da luta. Como no 2 de Julho de 1823, quando o povo do Recôncavo e do interior cercou Salvador e decidiu a independência, hoje a juventude organizada pode cercar as velhas estruturas de desigualdade, autoritarismo e conciliação, impondo um projeto de esquerda radical, vivo e pulsante.
A tradição histórica da Bahia mostra que vitórias vêm quando o território se levanta. Em 2026, esse território inclui escolas, universidades, ocupações culturais, coletivos periféricos, redes digitais e ruas. A juventude não quer mais ser coadjuvante de coalizões que priorizam estabilidade sobre transformação: ela quer ser protagonista, definindo agendas, ocupando espaços e rompendo com o que limita o horizonte popular.
Por que a juventude é o eixo central da vitória em 2026?Primeiro, porque ela carrega as contradições mais agudas do modelo atual: desemprego crônico, precarização (uberização, apps, bicos), evasão escolar por falta de perspectiva, violência policial letal (especialmente contra jovens negros), saúde mental devastada pela pandemia e pela insegurança, e um futuro roubado pelo negacionismo bolsonarista e pela conciliação neoliberal disfarçada de “governabilidade”.
Programas como Pé-de-Meia e expansão de federais são avanços reais do governo Lula e do PT baiano, mas insuficientes frente à urgência: a juventude quer mais do que bolsa; quer poder decidir seu destino. Segundo, porque a juventude já está se movendo. Em 2025, vimos caravanas de escuta para o Plano Estadual de Juventude percorrendo municípios, o fortalecimento do Conselho Estadual de Juventude (CEJUVE), mobilizações estudantis na UEES, UBES, UEB e universidades (como lutas na UFBA por permanência e orçamento), congressos da Juventude do PT debatendo conjuntura e enfrentamento à extrema-direita, e atos culturais que misturam arte, educação e política. Essa energia dispersa precisa ser organizada em rede, transformando indignação em poder constituinte. Propostas concretas para a mobilização juvenil de esquerda na Bahia Juventude na educação e na cultura como trincheira de conscientização.
Criar frentes juvenis territoriais em escolas, institutos federais e universidades populares: coletivos que discutam currículo crítico (história das lutas negras, quilombolas, indígenas, feminista e ambiental), ocupem grêmios e DCEs com pautas reais (transporte gratuito, permanência estudantil com bolsa-auxílio digna, combate ao racismo e à LGBTfobia nas instituições). Integrar cultura (hip-hop, samba-reggae, grafite, teatro de rua) como ferramenta de educação política popular, transformando periferias em centros de formação revolucionária.
Emprego, renda e autonomia econômica jovem
Pressionar por política estadual de primeiro emprego com cotas para jovens de baixa renda, negros e periféricos em empresas que recebem incentivos fiscais. Ampliar programas de qualificação em energias renováveis, agroecologia, economia solidária e tecnologia, com renda mínima jovem condicionada a formação e militância social. Combater a uberização com regulamentação e direitos trabalhistas reais.
Saúde mental e combate à violência como prioridade juvenil
Criar redes de cuidado juvenil nos bairros: pontos de escuta psicológica gratuita, rodas de conversa antirracista e antifascista, e campanhas contra o suicídio e as drogas. Exigir desmilitarização da segurança pública e investimento maciço em prevenção (esporte, cultura, educação integral) em vez de confronto. Desmonte do bolsonarismo na juventude: batalha cultural e digital.
A extrema-direita tenta capturar jovens com memes, fake news e discurso de “anti-sistema”. A esquerda deve contra-atacar com militância digital massiva: coletivos de checagem, creators progressistas, lives territoriais, TikTok e Instagram com linguagem jovem. Fortalecer frentes antifascistas juvenis permanentes, expondo o ódio bolsonarista como herdeiro do autoritarismo que a Bahia sempre combateu.
Representatividade e poder real
Garantir cotas juvenis (até 29 anos) em chapas proporcionais e majoritárias do campo popular. Criar escolas de formação política juvenil em todo o estado, com financiamento público, para preparar quadros que disputem vereanças, prefeituras e assembleia em 2028 e além. A juventude não quer ser “base de apoio”: quer dirigir.
Em 2026, a vitória não será só eleitoral: será medida pela capacidade da esquerda de mobilizar a juventude como vanguarda. Não basta defender o governo; é preciso radicalizar as pautas, romper com limites da conciliação e recolocar o povo jovem no centro. Como no hino do 2 de Julho: “Com tiranos não combinam brasileiros corações”.
A juventude baiana sabe disso — e está pronta para provar.Juventude unida, Bahia em pé! Com organização, consciência e luta cotidiana, o sol de 2026 nascerá mais forte, mais vermelho, mais nosso.
Com luta e ousadia, venceremos.
