Balanço inicial e o segundo turno das eleições no Espírito Santo

Balanço inicial e o segundo turno das eleições no Espírito Santo

Balanço inicial e o segundo turno das eleições no Espírito Santo

Balanço inicial e o segundo turno das eleições no Espírito Santo

Por Iriny Lopes (*)

A análise que faço deste primeiro turno é a confirmação dos danos de não termos candidatura ao governo e ao Senado, porque nem Renato Casagrande, do PSB, e nem Rose de Freitas (PMDB) fizeram campanha para o Lula. Sem uma direção estratégica do PT estadual, foram os candidatos proporcionais que pediram voto para Lula.

Nesse período inicial, as ruas já mostravam uma divisão bem forte entre Casagrande e o oponente bolsonarista que disputava o governo. E isso não deveria ser surpresa, considerando que vimos esse efeito nas eleições de 2018, de candidatos desconhecidos, ou inexpressivos como o Zema, em Minas Gerais, ganharem a disputa. Faltou malícia e esse segundo turno no estado expressa isso. Foi um déjà-vu da campanha anterior, silenciosa por parte do empresariado, que em 2022 atuou para retaliar o governador, por ele ter adotado medidas de controle durante o período da pandemia – não foi um lockdown, mas algo mais brando que não foi suficiente inclusive para evitar as mortes por Covid.

Não sentíamos empolgação na candidatura do PSB, muito em função, pelo menos para quem é de esquerda, de Casagrande ter feito um governo liberal e não abraçar a campanha de Lula, a despeito do acordo nacional entre PSB e PT.

No PT do Espírito Santo senti um descontrole. Não havia estratégia, a direção partidária não traçou táticas. A divisão interna era muito grande e mesmo que todas e todos tentassem evitar conflitos e pautas para não complicar o PT, isso não significou concordância e unidade.

A Federação Brasil da Esperança no Estado não repercutiu. Não criou pautas e isso se refletiu na votação pequena desses partidos.

Olhando para as candidaturas, mulheres, setoriais, quem tinha história dentro do movimento político e social teve uma boa eleição. Foi o meu caso e de outras e outros companheiras e companheiros. Tirando as candidaturas da Professora Ana Cláudia, em Alegre, e da Coletiva Ivo, Manu e Açucena, que fizeram uma boa votação e mostram um excelente potencial, não saíram das urnas novas lideranças.

Helder Salomão se sobressaiu como uma liderança do PT. Foi o deputado mais votado do estado, resultado do esforço do campo, o Voltar a Sonhar, e dele próprio. É importante destacar que iniciamos a campanha com o temor de não fazer nenhum deputado. Helder não era unanimidade dentro do partido e nem no seu município e o atual prefeito, da direita, jurou tirar nosso companheiro da política. Nossa luta mostrou ser mais forte do que a máquina pública contra ele, que fez mais de 120 mil votos. E além do Helder, o PT elegeu Jack Rocha, uma mulher negra, jovem. É a segunda vez que o PT elege dois parlamentares para a Câmara.

Na bancada estadual, eu e Coser tivemos uma boa votação e chegamos a duas vagas no federal, que não tínhamos há muito tempo. Vimos o PSB cair em nível federal e estadual e o crescimento do PSOL (Ana Paula Rocha, que disputou federal e obteve mais de 10 mil votos).

Ao observar o crescimento do PSOL, que participou ativamente da campanha Lula no primeiro turno e neste segundo, percebemos que o PT e a esquerda têm que repensar muitas coisas. Nós temos essa força social, muito moldada nos encontros presenciais. O PSOL tem uma inserção muito expressiva na comunicação, é criativo nessa relação social. Essa questão da renovação das lideranças é um ponto importante para pensarmos, porque nossos jovens são mais velhos que os mais velhos.

Finalmente, em relação ao meu segundo mandato ele será mais aberto às relações sociais que o primeiro, porque mais que dobramos os votos e neste pleito tivemos gente de todas as idades e segmentos sociais. Neste momento, para conseguir ter uma perspectiva de funcionamento do Legislativo, que tanto no Espírito Santo como em Brasília se configuram como conservadores, para dizer o mínimo, temos que colocar todas as nossas forças para eleger Casagrande e Lula. Estamos diante de um segundo turno desafiador, que se no nosso caso se vê sob ameaça de retornar às mãos do crime organizado, quanto para a Presidência da República. Derrotar o fascismo é tarefa urgente neste momento.

(*) Iriny Lopes é deputada estadual reeleita (2022-2026).

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