Balanço do primeiro turno no Rio Grande do Norte

Balanço do primeiro turno no Rio Grande do Norte

Balanço do primeiro turno no Rio Grande do Norte

Balanço do primeiro turno no Rio Grande do Norte

Por Gilderlei Soares (*)

“O melhor vai começar” foi o nome da coligação formada pelo PT, PCdoB, PV, Republicanos, PDT, MDB e PROS, que no último dia dois de outubro reelegeu a companheira Fátima Bezerra (PT), com 1.066.496 votos (58,31%), contra 406.461 (22,22%) de Fábio Dantas (Solidariedade), 307.330 (16,80%) do Capitão Styvenson (Podemos), 39.011 (2,13%) de Clorisa Linhares (PMB), 3.691 (0,20%) de Daniel Morais (PSOL), 2.437 (0,13%) de Rosália Fernandes (PSTU) e 1.325 (0,07%) de Nazareno Reis (PMN).

A reeleição de Fátima significa a continuidade de um projeto que iniciou com sua eleição em 2018, enfrentou vários desafios, com o estado à beira de um colapso econômico e social. Para citar o ponto mais emblemático, em janeiro de 2019 a governadora Fátima assumia a gestão com quatro folhas salariais dos servidores em atraso.

A necessidade de quitar folhas salariais em atraso, recuperar a arrecadação e manter os serviços básicos em funcionamento, como saúde, educação e segurança, reduziu a quase zero a capacidade de investimento do Estado. Sem falar que houve uma pandemia neste período; sem ajuda do governo federal, os estados tiveram que se reinventar.

Neste sentido, “O melhor vai começar” significa que superadas essas dificuldades encontradas no primeiro mandato, é o momento de começar um novo período, com a capacidade de investimentos recuperada. Um exemplo disto: o 1 bilhão que precisou ser economizado para pagar os salários dos servidores em atraso, agora poderá ser usado para investimentos, como a recuperação das nossas estradas, ampliação dos serviços de saúde, educação e assistência.

Essa vitória também evidenciou a liderança política da companheira Fátima Bezerra. Sem prejuízo da crítica à política de alianças conduzida pela governadora, e a tendência petista Articulação de Esquerda em vários momentos fez essa crítica, o fato é que ela conduziu a uma reeleição sem maiores dificuldades. Se essa mesma política de alianças será adequada para garantir a governabilidade no segundo governo é uma questão para se avaliar à luz das próximas ações de Fátima, começando pela formação do secretariado do segundo governo.

Apesar de reconhecer que a condução política feita pela governadora Fátima teve seus méritos na vitória eleitoral, ela se deve principalmente ao povo potiguar, que soube perceber a seriedade com que o estado do Rio Grande do Norte foi administrado nesses últimos quatro anos, mesmo com todas as dificuldades encontradas no início da gestão e mesmo com um governo federal jogando contra.

O povo potiguar não deu somente uma vitória à Fátima, deu a ela a missão de continuar o trabalho e avançar no que não foi possível no primeiro mandato. Essa tarefa não é fácil. Somos um estado pequeno. Com uma economia pequena, com pouca capacidade de investimentos. Por isso, o resultado eleitoral do segundo turno da eleição presidencial é fundamental.

Se Bolsonaro for reeleito, o que vamos lutar com todas as forças para que não ocorra, teremos um governo federal que continuará sendo um entrave e um boicotador dos estados, principalmente aqueles que representam um projeto totalmente diferente do governo genocida, como é o caso do nosso Rio Grande do Norte.

Lula sendo eleito, a governadora terá um presidente aliado com sensibilidade para os problemas reais do povo brasileiro e será um parceiro da gestão estadual para que possamos superar nossas dificuldades de gestão.

No primeiro turno, Lula teve 1.264.179 votos (62,98%); Bolsonaro teve 622.731 (31,02%); Ciro Gomes teve 71.740 (3,57%); Simone Tebet teve 38.633 (1,92%); Soraya Thronicke teve 4.326 (0,22%); Felipe D’avila teve 2.937 (0,15%); Padre Kelmon teve 860 (0,04%); Sofia Manzano teve 606 (0,03%); Léo Péricles teve 587 (0,03%); Vera teve 422 (0,02%) e Eymael teve 243 (0,01%).

Lula venceu em 166 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte. Perdeu apenas em Parnamirim, município com um forte voto evangélico e militar.

Também vale destacar que o PT voltou a vencer as eleições presidenciais em Natal, capital do estado. Lula teve 50,15% dos votos válidos contra 42,01% de Bolsonaro.

Neste segundo turno, precisamos ampliar a votação de Lula no Rio Grande Norte, com total prioridade para aumentar a diferença de votos em Natal e reverter o resultado em Parnamirim.

No Senado, entretanto, o bolsonarismo teve uma expressiva vitória. A fragmentação do voto progressista em duas candidaturas – Carlos Eduardo (PDT), que teve 33,40% dos votos válidos e Rafael Motta (PSB), que obteve 22,76%-, permitiu a eleição do ex-ministro de Bolsonaro, Rogério Marinho (PL), com 41,85% dos votos válidos.

O ex-ministro de Bolsonaro não é só alguém de direita. É um quadro político operador do empresariado nacional, responsável pela elaboração e aprovação da reforma trabalhista de Bolsonaro, que retirou vários direitos da classe trabalhadora. Não foi somente um adversário político que venceu as eleições para o senado, foi um inimigo de classe.

O bolsonarismo também hegemonizou a disputa para as vagas da Câmara Federal no Estado. Dos oito eleitos, quatro são do PL: João Maia, Robinson Faria, General Girão e Sargento Gonçalves. Dois do União Brasil: Benes Leocádio e Paulinho Freire. E dois do PT: Natália Bonavides e Fernando Mineiro.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte também sai das urnas dominada por partidos de direita. Dos 24 eleitos, apenas seis foram da Federação Brasil da Esperança. Dos seis eleitos pela Federação, três são do PV e três do PT: as companheiras Isolda Dantas e Divaneide Basílio e o companheiro Francisco.

O PSDB elegeu nove deputados estaduais. O PL, quatro. O União Brasil, dois. O Solidariedade, dois. O MDB, um.

O resultado geral da eleição para a Assembleia Legislativa, para a Câmara Federal e para o Senado aqui no Rio Grande do Norte mostra que a governadora Fátima enfrentará enormes desafios políticos neste segundo mandato.

Diante desse cenário, é imprescindível a eleição de Lula no dia 30 de outubro. A governadora Fátima sabe disso, inclusive já assumiu a coordenação política da campanha de Lula no segundo turno no Rio Grande do Norte e a militância de esquerda começa a se empenhar nas atividades de mobilização.

A tendência petista Articulação de Esquerda participou das eleições com três candidaturas. A companheira Natália Bonavides foi reeleita deputada federal mais votada do Estado, com 157.565 votos. E apresentamos duas candidaturas para a Assembleia Legislativa Estadual: as companheiras Rayane Andrade e Eliane Bandeira.

O papel desempenhado pela Articulação de Esquerda e suas candidaturas, assim como os desafios que enfrentará decorrentes do resultado da eleição, será objeto de outro texto para esse jornal.

Agora, nosso foco total é garantir a ampliação da votação de Lula no Rio Grande do Norte, contribuindo para que nosso país volte a ser feliz de novo e o nosso povo potiguar possa realmente ter a certeza de que o melhor vai começar.

(*) Gilderlei Soares é secretário de Movimentos Populares do PT/RN.

 

 

 

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