Por Mariuza Guimarães (*)

Acabamos de passar por um dos períodos mais importantes da jovem democracia brasileira, que vive passando por um ou outro revés. Perdemos no golpe contra a presidenta Dilma, mas agora o povo na rua, sobretudo, os jovens e a geração que foi vítima da ditadura civil militar de 1964, que durou 20 anos de obscurantismo, arbitrariedade e violência.
A batalha de 2026 durou até o último voto, tivemos que se inserir nas mídias sociais, ir para a rua, entrar nas universidades, umas mais democráticas outras mais conservadoras e que insistiam na intimidação com as orientações sobre o defeso eleitoral. Mas a despeito disso, a Confluência Democrática, força política de oposição à atual diretoria do ANDES, organizou, desde o primeiro turno, o movimento Campanha Lula nas Universidades, Institutos Federais e CEFETs.
Importante lembrar que nós, da Confluência Democrática, apresentamos ao 69º CONAD do ANDES uma proposta de resolução que explicitava o apoio à reeleição de Lula desde o primeiro turno. A avaliação que fazíamos é que o fascismo crescia e o cerco da extrema-direita internacional chegava ao Brasil e teria efeitos concretos para fazer desta, uma eleição muito cura. Na contramão dessa avaliação, a atual diretoria do ANDES articulou fortemente para que a proposta fosse rejeitada, em nome de uma orientação genérica de derrota do fascismo, sem citar que isso se daria por meio de um apoio a Lula. Na disputa, perdemos por 2 (dois) votos e o ANDES passou todo o primeiro turno sem poder fazer campanha para o Lula e, no segundo, só o fez porque desrespeitou flagrantemente a deliberação – errada, mas defendida pela diretoria – do 69˚ CONAD.
Apesar dessa derrota, a Confluência Democrática não teve dúvida do que deveria ser feito e passou a organizar, imediatamente, a Campanha Lula nas Universidades, Institutos Federais e CEFETS. Importante dizer que sabíamos, desde o início, que a educação superior seria chave nesta eleição – justamente pela presença de milhões de jovens das classes trabalhadoras que tiveram acesso a políticas de democratização da educação. Por isso, na contramão da decisão da diretoria do ANDES, mantivemos o debate nas universidades, institutos federais e CEFETs, a mobilização nas redes por meio da coordenação de nosso movimento, Confluência Democrática e a mobilização nos territórios por meio de uma campanha ativa feita via Associações Docentes e Comitês Populares de Luta.
Felizmente, vencemos a batalha. Mas a guerra continua. A extrema direita não está morta.
Frente a toda essa conjuntura, a diretoria do ANDES Sindicato Nacional mais uma vez errou feito. Vivemos o maior levante popular da história democrática do país. Lá estava a UNE, lá estava a ANPG, mas não vimos bandeiras do ANDES. Poderíamos ter construído, de maneira unificada, desde o primeiro turno, uma campanha Lula nas Universidades liderada pelo nosso Sindicato Nacional, colocando os professores em lugar de destaque nessa disputa, valorizando nossa categoria e nosso compromisso com a universidade e a democracia. Mas escolheu-se, mais uma vez, o silêncio ou, para ser mais exata, uma postura recuada muito aquém do que a conjuntura exigia.
Prova disso é que, após a vitória de Lula, o ANDES-SN lançou uma nota “tímida”, comemorando a derrota do fascismo e a necessidade de seguir lutando, no que temos acordo, mas sem em nenhum momento citar a centralidade de Lula, um gigante de 80 anos, que colocou sua biografia, sua história, sua saúde e sua energia nas ruas para alimentar um desejo intenso de lutar pela democracia.
A diretoria do ANDES Sindicato Nacional não falou das lideranças jovens que se ergueram para chamar, mobilizar. Não citou o papel das universidades, institutos federais e CEFETs, Não lembrou que ao lado dos milhões de estudantes, levantarem-se também – muitas vezes até antes – milhares de professoras e professores de ensino superior. Nós achamos importante lembrar que nosso chamado à mobilização pela Campanha Lula nas Universidades, nos primeiros dias do primeiro turno, tivemos três mil e setecentas assinaturas, de praticamente todas as universidades do país. Organizado pela companheira Maria Carlotto, o manifesto abria dizendo: “As eleições de 2026 são um momento absolutamente decisivo da história do nosso país” para concluir: “É por tudo isso que conclamamos nossos colegas a se somarem a uma ampla Campanha Lula nas universidades. (…) Vamos defender o Brasil e a educação, ciência e tecnologia construindo uma ampla campanha Lula nas universidades e cumprir, assim, nosso o dever ético e político!”
A organização popular não nasce por combustão espontânea, é preciso muito trabalho, muita motivação, é preciso ter pelo que e por quem lutar. Meu destaque é para Luís Inácio Lula da Silva, o cara que luta todos os dias, todas as horas e que é imprescindível. Destaco, ainda essa nova geração de lideranças que estão surgindo e que continuarão a luta, nas pequenas e grandes batalhas. A democracia viverá!
VIVA A CAMPANHA LULA NAS UNIVERSIDADES!
VIVA LUIS INÁCIO LULA DA SILVA!
VIVA A DEMOCRACIA!
(*) Mariuza Guimarães é mulher, mãe, avó, evangélica, professora universitária, sindicalista e petista. Coordena o Núcleo de Evangélicos do PT em MS e compõe a tendência interna do PT Articulação de Esquerda.
