Lula e a guerra de Trump contra o Irã

Por Valter Pomar (*)

Algumas pessoas ficaram irritadas e/ou decepcionadas com a recente declaração que o presidente Lula deu sobre o Irã.

A referida declaração foi a seguinte: “Eu não estou preocupado com o que os EUA vão fazer com o Irã, eu estou preocupado com o que o Brasil vai fazer com os Emirados Árabes”.

Confesso que não estou surpreso, nem irritado, nem mesmo decepcionado.

Primeiro porque nestas viagens Lula liga o modo “caixeiro viajante”.

Segundo porque a política externa do Lula 3 não é a mesma dos governos Lula 1, Lula 2 e Dilma 1. Quem não percebeu ainda, é bom perceber.

Assim sendo, o que me preocupa não é a declaração sobre o Irã.

O que me preocupa é que, a continuar por este caminho, o Brasil terá cada vez mais dificuldade de exercer o papel que, a essa altura do campeonato, só nosso país pode jogar na disputa pelos rumos do mundo.

Prova disto é o que vem ocorrendo desde 2023  na América Latina e Caribe: a postura de pouco ou nada fazer nos levou “de Mao a Piao”.

E quem perdeu com isso não foram apenas nossos vizinhos, a começar por Cuba e Venezuela. Quem perdeu fomos principalmente nós, o Brasil, como se pode constatar inclusive – atenção fenícios – na nossa balança comercial.

E para não dizer que não falei de flores, segue uma versão adulterada de um texto famoso.

Primeiro eles vieram pegar os palestinos, mas eu não era palestino.

Então vieram buscar os venezuelanos, mas eu não era venezuelano.

Em seguida, vieram buscar os cubanos, mas eu não era cubano.

Então vieram buscar os iranianos, mas eu também não era iraniano.

Foi aí que vieram me buscar, mas não me acharam porque quem eu já fora um dia não existia mais.


(*) Valter Pomar é professor e diretor da Fundação Perseu Abramo

Uma resposta

  1. Companheiras(os)
    É neste momento, beira guerra, que o Brasil deve se reunir com o presidente iraniano para discutir o aumento das relações bilaterais e comerciais. Com fez a presidente Dilma em 2015.
    Figurino de egípcia diante das muluquices USA, a gente deve ficar firmes até o fim na defesa da diplomacia brasileira, mesmo nesse turbilhão de armas e ameaças a bombas, vamos demarcar território pra o inimigo não entrar e nem a gente entrar na pilha do inimigo.
    Inimigo é aquele causador e promotor de guerra.
    Firmes na construção do aqui e agora pela paz, na paz, fazer de tudo paz entre nações.
    Em 2024, já como presidente do Banco dos BRICS (NDB), Dilma convive com o Irã como um dos novos membros do bloco econômico. O que a gente precisa fazer é tirar os botas pretas das mesas de negociações, ou seja, tirar o militarismo do lugar comercial econômico e colocar civis trabalhadores para superar as sandices dos milionários e magnatas do mundo. Isso precisa ser feito e logo!

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