Por Núcleo de Base Raiz Socialista do PT de Bauru

COMITÊ EM DEFESA DA AMÉRICA LATINA E CARIBE BAURU – SÃO PAULO – BRASIL
Após a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, sob o governo Trump, e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cília Flores, partidos de esquerda, sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais do Brasil reuniram-se em uma Plenária Nacional e decidiram, em articulação com instâncias continentais, criar os Comitês em Defesa da América Latina e Caribe.
Em Bauru, seguindo essa decisão nacional, o Núcleo de Base Raiz Socialista do PT, a corrente Fortalecer do PSOL, o PCdoB, a CTB, a CUT, a Pastoral da Terra e o Sindicato dos Correios, constituíram o Comitê local e realizaram uma panfletagem junto à população para marcar seu lançamento. Assim, foi produzido um texto de fundamentação que sustenta a criação deste Comitê e gostaríamos de apresentá-lo em seguida:
Estamos em um período de crise estrutural do capital, crise de superprodução em que ocorre uma queda acentuada da taxa média de lucro, em escala global. Nesse período, o centro do poder do capital, o grande capital imperialista, aplica um receituário draconiano para “resolver” sua crise: aumentar exponencialmente a taxa média de exploração do trabalho (a taxa média de extração de mais-valia), aumento estratosférico do roubo de recursos naturais da periferia e a destruição massiva de capital superproduzido por meio de ultra concentração de capitais (via falências, fusões e incorporações generalizadas) e guerra capitalista, tendendo para terceira guerra mundial.
No tocante ao conjunto dos países da América Latina e Caribe, o centro articulador dessas “soluções” do capital é o imperialismo dos Estados Unidos da América do Norte. Tais “soluções” não nos enganemos, não se restringem ao atual ataque ao Regime Bolivariano da Venezuela. E o Brasil, dado sua grande massa de trabalhadores, recursos naturais de grande vulto e economia entre as maiores do mundo, é um alvo privilegiado para os ataques do imperialismo ianque. O crescimento do combate ao imperialismo, organizado pelas forças de esquerda dos nossos países, que ora está ocorrendo, necessita de mais força ainda, que não se dê de forma isolada, mas integrando um movimento continental que enfrente com eficácia o poder imperialista.
No último dia 17 de janeiro de 2026, foi realizada uma plenária nacional, organizada inicialmente pela ALBA e CEBRAPAZ, que contou com um número expressivo de partidos políticos e movimentos de esquerda. Uma das propostas aprovadas na plenária foi a criação de comitês municipais de defesa da América Latina e Caribe e, neste momento, de solidariedade à Venezuela e pela liberdade do presidente Nicolás Maduro e da combatente Cília Flores. Este Comitê de Bauru foi criado para integrar-se a este movimento continental anti-imperialista.
Bauru, 21 de janeiro de 2026.
Comitê em Defesa da América Latina e Caribe – Bauru/SP
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Abaixo, carta divulgada hoje, dia 3 de fevereiro, data em que se completa um mês do sequesto de Maduro e Cilia Flores.
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AMÉRICA LATINA RECOLONIZADA
O VERDADEIRO PROJETO DO IMPERIALISMO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE SOB O COMANDO DE TRUMP
LIBERDADE PARA MADURO E CÍLIA, JÁ!
A América Latina e o Caribe estão sob ataque imperialista.
Quando saímos às ruas para dialogar com a classe trabalhadora sobre a importância de defender a Venezuela e Cuba, as perguntas mais frequentes que ouvimos são:
-O que isso tem a ver conosco?
-O que isso tem a ver com o Brasil?
-Já temos problemas demais aqui…
Mas por que tantos brasileiros reagem assim?
-Reagem assim por falta de informação.
É culpa dessas pessoas?
-Não!
São trabalhadores e trabalhadoras explorados em jornadas de 8 a 12 horas diárias, que muitas vezes só têm acesso aos grandes meios de comunicação conservadores, sustentados pelo próprio sistema capitalista e imperialista. E sabemos muito bem: quem paga a conta, manda na notícia. Assim, a maioria acaba reproduzindo a visão de mundo de quem domina o sistema, ou seja, os capitalistas/imperialistas.
Mas afinal: o que os ataques à Venezuela e a Cuba têm a ver com o Brasil?
Desde sua campanha eleitoral e, depois, em seu discurso de posse, Donald Trump deixou claras suas intenções para a América Latina e o Caribe. Hoje, ele as executa com requintes de crueldade, típicos de governos autoritários e imperialistas.
O primeiro alvo foi a Venezuela. Em pronunciamento público, Trump revelou o interesse direto no petróleo venezuelano. Para a Venezuela, o petróleo é base central da economia e da sobrevivência de seu povo. Diferente do Brasil, que possui maior diversidade de recursos naturais e estrutura produtiva, a Venezuela depende fortemente dessa riqueza.
Para justificar a invasão, Trump acusou falsamente o presidente Nicolás Maduro e Cília Flores de envolvimento com o narcoterrorismo. Com essa mentira, promoveu a agressão a um país soberano. Invadiu a Venezuela, sequestrou seu presidente e sua esposa e proibiu que outras nações mantivessem relações comerciais com o país.
Cuba também está na mira. A ilha sofre há décadas com o bloqueio econômico dos Estados Unidos da América do Norte. Mesmo assim, resiste com coragem. A grave crise atual, marcada por blecautes, escassez de alimentos, de medicamentos, contração econômica, queda do turismo, falta de divisas e intensa emigração, é resultado direto do estrangulamento imposto por Trump, que aposta na asfixia econômica para gerar desestabilização política e abrir caminho para nova invasão e dominação.
O que não se diz na mídia imperialista global é que, apesar da crise grave a que estão sendo submetidos, Cuba possui êxitos históricos em educação, saúde e ciência, superiores aos de muitos países da América Central e do Caribe.
Defender Cuba e Venezuela frente às pressões imperialistas implica defender o direito desses povos à soberania, o que, neste momento, significa também defender seus governos contra a ingerência externa.
E não sejamos ingênuos. Se atacam Venezuela e Cuba, amanhã será o Brasil. E, o que temos aqui que interessa aos Estados Unidos da América do Norte?
Nossos recursos naturais, como o petróleo do pré-sal, o petróleo da Amazônia, mas, sobretudo, nossa mão de obra qualificada e barata. Trabalhadores que produzem muito e recebem pouco são extremamente atrativos para os países dominantes. Porém, no Brasil, isso tenderá a ocorrer de forma disfarçada, sob aparência democrática, por meio das eleições de 2026. O investimento financeiro externo (Estados Unidos da América do Norte) será fortíssimo. Já vimos esse método em ação após as eleições de 2022, quando a extrema-direita e direita, apoiados por militares e com capital do governo norte-americano, tentaram anular o resultado e, frustrados, partiram para a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
O que nos garante que não tentarão novamente em outubro de 2026 com Trump de novo no comando?
Não é apenas a Venezuela ou Cuba que estão em perigo. Somos todos nós. Por isso, defender Venezuela e Cuba, hoje, é defender também o Brasil. É defender a soberania dos países e o direito dos povos de escolherem seu regime político e seus governantes, resolvendo seus conflitos sem interferência externa.
O projeto de Trump para a América Latina e o Caribe é claro:
-Colonizar nossos países!
Por isso, defendemos o direito de cada povo decidir seu próprio destino político, econômico e social, sem submissão às potências imperialistas estrangeiras. Somente assim poderá existir verdadeira democracia entre os povos.
AMÉRICA LATINA E CARIBE LIVRES E SOBERANOS!
VIVA O POVO TRABALHADOR LATINOAMERICANO E CARIBENHO!
FORA TRUMP, IMPERIALISTA E FASCISTA!
Bauru, 03 de fevereiro de 2026.
Comitê em Defesa da América Latina e Caribe – Bauru/SP
