Por Valter Pomar (*)

De início fiquei indignado.
Mas uma companheira que descobri, depois de mais de vinte anos de convívio, ter coração grande e espírito cristão, me explicou que, no fundo, trata-se de uma escolha infeliz de palavras.
E que o propósito do ministro era respaldar as palavras do presidente, acerca da necessidade de reforçar a Defesa do Brasil.
Pode ser, sempre pode ser.
Mas relendo, acho que o problema do ministro é outro.
Refiro-me, como espero ser óbvio desde o título, às seguintes declarações do ministro José Múcio:
“Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão.”
Que não temos equipamentos, é verdade. Nem temos, por enquanto, muitos generais dispostos a apontar para o lugar certo.
Já que não temos dinheiro, é meia verdade (dinheiro existe, embora Galípolo queira nos convencer do contrário).
Mas o que falta mesmo, em algumas pessoas e em certa “classe dominante”, é uma mínima disposição de luta. Para não falar de compostura.
Só faltou a Múcio propor, além de abrir a porta, receber os possíveis invasores com tapete vermelho e fanfarra (sugiro como trilha sonora a música Revés, que creio ser do próprio ministro).
Definitivamente, Múcio não se atrapalhou na hora de falar.
Besta ele não é.
(Pouparei os leitores da quase rima que pensei.)
Sigo na esperança de que o presidente o demita. Antes tarde do que tarde demais.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA

Uma resposta
Para o cargo que ocupa, no mínimo teria que ter cuidado com as palavras.
Não o teve. Por arrogância ou por inocência? Não são aceitáveis, especialmente nesses tempos turbulentos que vivemos.
Vejo que já de algum tempo esse ministro destoa dos outros.
A escolha de um civil para esse cargo exige lidar com sua capacidade de articulação com os diferentes públicos.
Mostra o contrário.
O Presidente Lula precisa ser bem assessorado nesse assunto.
Não o está.