A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda submete, ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, o seguinte projeto de resolução para debate na reunião que vai ocorrer no dia 3/7/2026.

O futuro do Brasil está sob ameaça
A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda submete, ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, o seguinte projeto de resolução para debate na reunião que vai ocorrer no dia 3/7/2026.
1.Em tempos de guerra, dizem que a primeira vítima é a verdade. O mesmo poderia ser dito dos períodos eleitorais. As candidaturas de direita mentem descaradamente. E muitas candidaturas de esquerda se consideram na obrigação de dar, apenas, “notícias positivas”. A nossa atitude, a atitude do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras deve ser sempre outra. Nada de pessimismo, de negativismo, de alarmismo. Mas não aceitamos tratar o povo brasileiro como incapaz de conhecer a verdade. E a verdade é que o futuro do Brasil está sob ameaça.
2.Hoje, a principal ameaça contra o Brasil vem da aliança entre o governo dos Estados Unidos e a direita brasileira. Trump já declarou publicamente que pretende vencer as eleições presidenciais de outubro de 2026 no Brasil. E o filho do cavernícola, que por enquanto é o pré-candidato da extrema-direita à presidência, assume dia sim e dia também que ele é o candidato de Trump. Sua recente carta ao governo dos EUA, prometendo colocar a “transição” a serviço de Trump, é um ato criminoso, pelo qual ele precisa ser condenado e preso como traidor da pátria. Em resumo: se a direita tiver êxito em fraudar as eleições presidenciais, o Brasil voltará a ser colônia, desta vez dos gringos.
3.Mas não deixaremos que o Brasil volte a ser colônia. Nem permitiremos que nosso país continue sendo uma subpotência primário-exportadora. Seguiremos trabalhando para protagonizar um mundo diferente, no qual a América Latina e Caribenha será um dos pólos. Nesse espírito, conclamamos o governo brasileiro a encaminhar, sob escolta de nossa marinha de guerra, ajuda humanitária – a começar por combustível – para a República de Cuba, submetida há décadas a um bloqueio cruel e ilegal por parte do imperialismo estadunidense. Conclamamos, também, nosso governo a ampliar a solidariedade com o povo da Venezuela, onde diversos terremotos causaram milhares de feridos, mortes e desaparecimentos.
4.Fosse hoje a eleição, Lula venceria e tomaria posse no dia 1 de janeiro de 2027. Mas faltam três meses para a eleição presidencial. Portanto, serão cerca de noventa dias em que a direita seguirá tentando fraudar o resultado, por meio da combinação de diferentes meios: uso e abuso de poder econômico; ingerência externa dos EUA e de Israel; compra de votos; crimes digitais, fake news, manipulação da religiosidade popular; ações do crime organizado; pressão do empresariado (especialmente da gangue financeira da Faria Lima) sobre trabalhadoras e trabalhadores e sobre a população em geral; e intensa guerra político-ideológica. E, em nome da verdade, devemos começar reconhecendo que ainda não estamos à altura do desafio. Precisamos nos preparar urgentemente.
5.Temos a melhor chapa presidencial. Mas muito esforço ainda precisa ser feito para dar potência às nossas campanhas estaduais e proporcionais. Potência que precisa ser colocada a serviço, em primeiro lugar, da nossa prioridade: a reeleição de Lula. O desafio será muito mais complexo, naqueles estados em que prevaleceu a tática de não ter candidaturas majoritárias petistas e de apoiar candidaturas de direita.
6.Temos o melhor programa, comprometido com a soberania nacional, o bem-estar social, as liberdades democráticas e o desenvolvimento. O que envolve apoiar vigorosamente a luta das populações indígenas e quilombolas em defesa de suas reservas e das terras ancestrais que ocupam. Mas muito debate ainda precisa ser feito, para definir as palavras de ordem que sintetizarão o que faremos no sexto mandato presidencial petista, para ampliar nossa soberania e nossos direitos: soberania produtiva, soberania monetária e financeira, soberania energética, soberania alimentar, soberania ambiental, soberania educacional, científica e tecnológica, soberania cultural, soberania política, soberania comunicacional, soberania militar; direito à segurança pública, direitos trabalhistas e previdenciários, direito à cidade, direito à saúde, direitos das mulheres, direitos dos negros e negras, direitos humanos.
7.Não é suficiente falar do que fizemos, em comparação ao governo cavernícola. Nossa candidatura alerta sobre o passado, comemora o presente mas, acima de tudo, devemos falar do futuro do Brasil. Cuja construção passa por um “choque” de investimentos públicos, o que exige a) eliminar o orçamento paralelo do Centrão, b) afirmar que o Banco Central é parte integrante do governo e não braço do setor financeiro, c) superar os limites impostos pelo Novo Marco Fiscal à ampliação do investimento público, e d) derrotar a hegemonia do modelo rentista e primário-exportador sobre a economia nacional.
8.Temos, segundo todas as pesquisas, o apoio da maioria do eleitorado. Mas não basta vencer as eleições. Temos que vencer criando as condições para que nosso próximo mandato seja superior ao atual. Isso significa, por exemplo, Lula ser eleito com mais votos do que tivemos em 2022, assim como eleger mais parlamentares e mais governos estaduais. E o principal caminho para fazer isso consiste em ampliar nosso apoio e nossa votação nos setores majoritários da população, ou seja, as camadas pior remuneradas da classe trabalhadora, as mulheres, os negros e negras, os moradores das periferias, a juventude trabalhadora.
9.O diálogo com o eleitorado feminino não deve ser encarado apenas como um cálculo aritmético para vencer as eleições de outubro, mas como o motor central da transformação estrutural que propomos para o sexto mandato petista. As mulheres trabalhadoras, que chefiam a maioria das famílias nas periferias e sofrem de forma mais aguda os impactos da precarização e da violência, da escala 6×1 e das longas jornadas de exploração, precisam se enxergar plenamente representadas em nosso programa de governo. Derrotar o feminicídio e as ameaças do fundamentalismo exige que a campanha reafirme o compromisso inegociável com a igualdade de gênero, a autonomia econômica das mulheres, a ampliação da política nacional dos cuidados, a defesa intransigente de suas vidas e direitos humanos, o combate sem tréguas ao machismo e à misoginia que são combustíveis da extrema direita.
10.Da mesma forma, a ampliação da nossa votação entre os setores mais empobrecidos da classe trabalhadora, com destaque para a juventude negra das periferias, é a chave para consolidarmos uma vitória política e ideológica definitiva contra o neofascismo. Não permitiremos que o Brasil retroceda às heranças do escravismo e do racismo estrutural que a direita tenta normalizar. O voto da população negra e pobre deve ser mobilizado por meio de um compromisso explícito e real com a reparação histórica, com a superação das amarras do Novo Marco Fiscal para garantir investimentos massivos em educação e emprego, bem como em segurança pública cidadã – que pressupõe colocar um ponto final no extermínio da juventude negra pela Polícia Militar (e por outras forças estatais). Assim, a luta contra o racismo se transformará em um pilar central da nossa soberania e do bem-estar social.
11.Temos a maior e melhor militância. Mas essa militância precisa ter, na sua retaguarda, uma direção capaz de coordenar a campanha em condições que serão muito complexas e difíceis, que vão da luta política normal à ingerência externa ilegal. Nesse sentido, precisamos de dirigentes que priorizem a campanha coletiva – mesmo que isso implique em renunciar a suas candidaturas. Acima de tudo, precisamos de direções coletivas dispostas e capazes de reação imediata, inclusive contra o fogo amigo de quem tiver cometido malfeitos pelos quais devem responder, assim como de quem estiver traindo as candidaturas do Partido. Nesse sentido, o Diretório Nacional autoriza o afastamento liminar e instauração imediata de comissão de ética a todo dirigente nacional que tiver declarado publicamente que não apoiará candidatura petista lançada pelas instâncias partidárias.
12.A situação internacional e a situação na América Latina e Caribe dão repercussão mundial à eleição brasileira. As dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos na guerra que – com o apoio do genocida Estado de Israel – move contra o Irã, empurram o governo Trump a buscar uma “compensação” política atacando Cuba e cometendo ingerência na eleição brasileira. As eleições no Peru e na Colômbia, onde graças à fraude a direita ganhou por muito pouco, praticamente “fecharam o cerco” ao Brasil. Ao mesmo tempo, a polarização existente em nosso país transformou o mês de outubro numa encruzilhada sobre os destinos do Brasil. Se o país virar à direita, caminharemos em direção ao passado, à dependência externa, ao mal-estar social, à ditadura, à colônia, ao escravismo, ao racismo, à continuação e agravamento do feminicídio, ao fundamentalismo, ao preconceito, à doentia jogatina das BETS e à morte. Já se o Brasil seguir pela esquerda, continuaremos caminhando em direção ao futuro, à soberania, ao bem-estar, à reparação histórica, à igualdade de gênero, aos direitos humanos, ao respeito e tolerância, à defesa da vida, ao socialismo.
13.Este é o tamanho do desafio da esquerda política e social, em particular do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Outubro de 2026 entrará na história como a data magna em que o povo brasileiro esmagou a invasão imperialista, derrotou os traidores da pátria e decolou em direção ao futuro! Venceremos!!

Respostas de 5
Não podemos nos curvar diante das dificuldades impostas. Precisamos nos capacitar e nos engajar na disputa eleitoral. Vencer a extrema-direita na urna, eleger Lula e garantir as condições para que ele possa governar – ganhando o debate ideológico e no legislativo nacional.
Parabéns pelo texto, companheiros. Muito pertinente à militância.
O br, só tem uma coisa a fazer em cenários como esses, demarcar terras indígena.
Só.
Não é somente sair de cena e bater as botas.
Mas bater as botas demarcado tudo. Entregando todo ouro sakeado, demarcando todo o Brasil mesmo como território nacional indígenas.
O aparelho de estado pode ser desligado.
Pode ser desligado!
A um passo da invasão.
O futuro do br não foi ameaçado, foi avisado.
Tudo tem consequências e as consequências estão nas rua.
O br não tá, Jurado de morte, ele já morreu faz tempo.
O importante agora é deslocar os civis inocentes do RJ , reflorestamento total do RJ , demarcação de terra indígena mais amplificada no Brasil.
Chegou a hora da gente presenciar Uma Papisa no vaticano.
O Brasil cansa de andar em círculos. A verdade nua e crua é que o arranjo atual esgotou sua capacidade de dar respostas ao povo. Quando as estruturas de poder se tornam um labirinto feito para proteger privilégios enquanto a maioria amarga o básico, não tem pareia não: é chegada a hora de uma **Nova Assembleia Constituinte**.
Não se trata de reforma, de puxadinho institucional ou de conciliação por cima. O momento exige ruptura com o que está posto para fundar um novo pacto social, escrito pela mão e pela necessidade da classe trabalhadora.
Uma nova Constituinte precisa fincar os pés na realidade concreta da sobrevivência e da dignidade, transformando o que hoje são promessas de papel em direitos inegociáveis e imediatos:
* **Acesso à Terra e à Água:** A democratização do chão e dos recursos naturais. Não há soberania nem justiça num país que tolera o latifúndio improdutivo e a sede nas periferias e nos interiores, enquanto a terra e a água são tratadas como mercadorias exclusivas.
* **Trabalho e Pão:** A garantia da mesa cheia e do sustento digno. É preciso arrancar o trabalhador da lógica da precarização e devolver o direito ao emprego com direitos, onde o fruto do suor se reverta em vida boa, e não em fome.
Para que essas políticas públicas de soberania popular realmente ganhem tração, a estrutura política também precisa mudar de raiz. O atual modelo bicameral (Câmara e Senado) serve, historicamente, como um freio de mão puxado pelas elites para engavetar as transformações sociais.
O norte para uma nova organização do parlamento deve ser a **Câmara Única (Unicameralismo)**. Um poder legislativo ágil, transparente, sem a blindagem aristocrática de um Senado que dita os rumos do país sem responder diretamente ao calor das ruas. Uma só casa parlamentar simplifica o processo, escancara o debate político e vincula diretamente a representação eleita à execução das políticas públicas de que o povo precisa para ontem.
A história não espera pelos que hesitam. Quando as instituições vigentes já não cabem na urgência do povo, a refundação do Estado deixa de ser uma opção e passa a ser o único caminho possível. É hora de UMA OUTRA Constituinte, de ruptura e de poder popular.