Por Fausto Antonio (*)

MAIS – Valia
LIA
CIA
NOME
FOME
CAPITAL
ISMO
Epigrafia anticapitalismo na polivalência das palavras
O poema espelho reflete, a partir da lei de causa e efeito, uma imagem invertida, crítica e propõe uma rima imagística que não fica apenas na terminação ou na coincidência sonora. O poema espelho reflete imagens-ideias. Mais-valia, no espelho invertido, deriva Lia e Cia, a palavra, ou melhor, a causa espelha/reflete e se explica na imagem imediata e no som feito eco-espelho-sonoro. Palavra puxa palavra, puxa imagem-som, em síntese, o todo. Construído num extremo, o poema causa/efeito deve ser lido nos vazios: esquerda/direita e parte superior e inferior. Esse poema pode ser desmontado, nesse exercício, descobre-se a polivalência das palavras, basta para isso apenas inverter as suas posições no espaço em branco, o que era efeito passará, então, a ser causa.
Epigrafia antirracismo em preto e branco
O poema impessoal passa a ter deliberada função coletiva e, no campo estritamente visual, discute “o branco e o negro” em “preto e branco”. Poema palavra-cruzada, poema propaganda ou antipropaganda, na sua composição – estrutura, os substantivos são predominantes e sustentam um ponto de vista com apoio sonoro e visual a ênfase recai, no poema estrutura, na ideia “brancos e bancos”. O elemento fonético auxilia a criação de relações entre as palavras, funcionando como fator de proximidade e semelhança para um todo visual, estabelecendo uma espécie de corrente ou elo que atrai e repele palavras, repele mais ou menos na medida em que aproxima ou reforça a ideia-resposta que aparece cruzada na vertical. O elo “brancos bancos” repele ou é o polo negativo da resposta “bancos sem bantos”, repele, é claro, sonoramente, no entanto, é a própria explicitação do problema dado entre “brancos e negros”. A pretensão do poema-estrutura é associar formas, as ideias são as formas. De outra parte, os procedimentos formais “externos”, apoiados na repetição, implicam em outros, internos, também repetitivos, tais como: rimas internas, assonâncias (Brancos bancos), aliterações (brancos bancos), sugestões simultâneas de leitura também na vertical, além da predominância estatístico visual de certas letras como as letras /o/ os/ e /Br/.
BRANCOS BANCOS
BANCOS BRANCOS
BANCOS SÓ BRANCOS
BRANCOS I BRANCOS
BRANCOS BRANCOS
BANCOS SEM BANTOS
BRANCO SO BRANCOS
(*) Fausto Antonio é professor Associado da Unilab – Bahia, escritor, poeta e dramaturgo.
Referência
ANTÔNIO, Fausto. Patuá de Palavras, o (in)verso negro. Londrina: Galileu Edições, 2019.
