A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 27 de setembro de 2026, aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.

1/Entre os dias 15 e 27 de setembro de 2026, a situação política evoluiu favoravelmente para a candidatura Lula. Contribuíram para isso o “empate” que paralisou temporariamente a manobra golpista no STF, o anúncio do reajuste do Bolsa Família, o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, a Medida Provisória proibindo as BETS, as reiteradas provas de que a candidatura da extrema-direita é vinculada aos milicianos, o debate sobre a intolerância religiosa, o fato de nossa candidatura ter tomado a iniciativa e pautado o debate político e, principalmente, o crescimento da presença da militância nas ruas. A Nação Petista está comparecendo em massa, para defender a eleição de Lula e salvar o Brasil das milícias, de Trump, do racismo e do feminicidio.
2/Entretanto, apesar da evolução favorável a nós da situação política, as pesquisas seguem informando que – embora Lula apareça na frente, tanto no primeiro quanto no segundo turno – a oposição de extrema-direita segue ameaçadora. A respeito, cabe lembrar que nosso inimigo conta com o apoio do governo dos Estados Unidos, do governo de Israel, da “Internacional da extrema-direita”, de grande parte do empresariado e dos meios de comunicação, dos “empresários da fé”, do crime organizado e das big techs.
3/Portanto, devemos estar preparados para uma reta final de primeiro turno muito dura, com fake news e manipulação algorítmica, muito derrame de dinheiro e compra de votos, além de decisões ilegais provenientes do presidente do TSE, que demonstrou abertamente estar do lado da candidatura cavernícola. Além disso, é preciso lembrar que a campanha da extrema-direita tem outros objetivos, além da presidência. Querem ampliar sua presença nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado, onde o tema do Supremo constitui o carro-chefe da campanha da direita. É preciso lembrar, também, que a Medida Provisória das BETS, assim como o fim da escala 6×1, serão submetidos ao voto do atual Congresso Nacional. A principal arma que temos para influir nessa conjuntura tão complexa é a presença constante da militância, especialmente nas ruas, com material visual, camisetas, botons, bandeiras, caminhadas, corpo-a-corpo, adesivando carros e pessoas, colocando bandeiras nas janelas das casas, tornando a campanha visível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Onde não houver orientação organizada da coordenação de campanha e da direção do Partido, compete ao conjunto da militância cumprir seu dever e fazer a coisa certa. O que inclui presença ativa no dia da votação e fiscalização intensa.
4/Tudo indica que a eleição presidencial será resolvida no segundo turno. Embora não seja impossível, é muito pouco provável que nossa vitória ocorra no primeiro turno. O mais provável, como temos alertado desde o início de 2025, é que nossa vitória aconteça no segundo turno e por uma pequena diferença.
5/Nesse sentido, reiteramos a necessidade de preparar desde já a realização, no dia 5 de outubro, das primeiras atividades de campanha do segundo turno. Evidentemente, a linha do segundo turno dependerá em parte dos resultados da eleição de governos estaduais, Assembleias Legislativas, Senado e Câmara. Mas, sem prejuízo do ajuste final que dependerá da análise dos resultados globais do primeiro turno, existem medidas que podem e devem ser preparadas desde já.
6/Confirmado o segundo turno, será preciso manter funcionando, do ponto de vista político e organizativo, os comitês de campanha das candidaturas proporcionais. Vitoriosas ou não, cada candidatura deve convocar plenárias já no dia 5 de outubro, para organizar o engajamento no segundo turno. O mesmo vale para os comitês de campanha das candidaturas ao Senado. Não importando se vencemos ou não, é preciso convocar atividades, já no dia 5 de outubro, para engajar os apoiadores das candidaturas ao Senado no segundo turno da disputa presidencial.
7/É preciso uma atenção especial para aqueles estados onde a eleição para governador terminar já no primeiro turno. Nesses casos, mesmo onde nós tenhamos vencido, haverá uma tendência à desmobilização da nossa militância. Por isso, reiteramos a necessidade de que – ainda na noite de 4 de outubro – nossas candidaturas, suas respectivas coordenações de campanha e a direção do Partido convoquem a militância a se manter mobilizada e convoquem, já para o dia 5 de outubro, as primeiras atividades. O mesmo vale, por óbvio, para aqueles estados onde houver segundo turno, mas sem que haja no segundo turno nenhuma candidatura apoiadora de Lula.
8/Devemos nos precaver contra a tendência, já vista no primeiro turno, de algumas candidaturas a governador – mesmo que apoiadas pelo PT – tentarem manter certa distância de Lula, na tentativa de disputar votos de eleitores ligados à direita. Esta postura – eleitoralmente inútil, pois a eleição está polarizada – pode, em alguns casos, se repetir no segundo turno, motivo pelo qual é importante que o PT esteja preparado para montar coordenações próprias de campanha. Sem prejuízo de pressionar pelo cumprimento dos acordos feitos, devemos confiar acima de tudo nas nossas próprias forças.
9/Esperamos que, no segundo turno, sejam corrigidos os erros cometidos, no primeiro turno, pela coordenação de campanha e pela direção do Partido. Mas devemos nos preparar para a hipótese de que prevaleça a mais absoluta falta de simancol. Assim, é preciso entre outras coisas que a base do Partido não espere pela chegada de materiais: os produza com suas próprias mãos. Cartazes, bandeiras, camisetas, adesivos, faixas, tudo o mais que for necessário deve começar a ser produzido desde já, para que esteja disponível já no dia 5 de outubro.
10/A vitória no segundo turno não dependerá dos apoios que venham da elite, dos partidos de direita, dos setores de centro, das camadas médias da população. Evidentemente, tais apoios serão bem-vindos, até porque se trata de derrotar uma quadrilha de milicianos, traidores da pátria e fascistas. Mas é preciso lembrar que, em 2018 e em 2022, a maior parte da classe dominante e de seus partidos escolheu apoiar os milicianos. Em 2026 é isso que tende a ocorrer, novamente. Por esse motivo, nosso esforço principal de campanha – político e organizativo – deve estar voltado a conquistar o voto dos setores populares: trabalhadores de menor renda, mulheres, negros e negras, moradores das periferias – inclusive daqueles que no primeiro turno votaram branco, nulo, se abstiveram ou até mesmo votaram no cavernícola. Além disso, é preciso preparar desde já medidas de contingência contra a manipulação das redes antissociais.
11/Desde 2002, a única eleição presidencial que perdemos foi aquela realizada em condições fraudulentas: golpe contra Dilma, condenação e interdição eleitoral de Lula, fake news sistêmicas a favor do cavernícola. Em 2026, venceremos, no segundo turno e por pouco. Mas venceremos. Entretanto, é preciso estar atento e forte, pois tudo indica que a extrema-direita e os EUA podem não reconhecer o resultado eleitoral, contando a seu favor com a atual presidência do TSE. Motivo pelo qual é preciso manter a guarda alta, inclusive depois da vitória.
12/Nada do que está ocorrendo agora – uma eleição difícil, uma extrema-direita eleitoralmente ameaçadora, uma avaliação negativa de nosso governo por parte de um setor importante da população, uma direção partidária e de campanha incapazes de cumprir seu papel etc. – deveria constituir surpresa. Como dissemos inúmeras vezes, inclusive no balanço das eleições municipais de 2024, era preciso mudar a linha política do Partido e do governo. Não foi isso o que ocorreu. Não apenas por este motivo, mas também por ele, estamos passando, hoje, por dificuldades. Entretanto, venceremos, inclusive porque o presidente Lula está operando, na prática, várias correções na linha. Passada a eleição, será preciso – mais uma vez – convencer o Partido e o conjunto da esquerda de que outra estratégia é necessária e urgente.
13/A batalha de outubro tem uma importância mundial. Uma vitória de Trump nas eleições brasileiras transformaria, na prática, toda a América do Sul em quintal dos Estados Unidos. Submeteria os governos do Uruguai, México, Cuba e Nicarágua a um cerco praticamente insuportável. O imperialismo se sentiria mais confortável para implementar guerras tarifárias e militares mundo afora. Portanto, no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, estará em jogo não apenas o futuro do Brasil, mas também o futuro da humanidade. Que, como tantas outras vezes na história, será salva pelo instinto e consciência de classe das camadas mais pobres, exploradas e oprimidas do povo. É nós!
Viva a classe trabalhadora brasileira!!!Viva o PT!!!Viva Lula!!!!
