Resolução sobre o congresso da Juventude do PT

A direção nacional da AE – a partir dos informes dados por dirigentes nacionais da tendência que acompanharam direta ou indiretamente o Congresso da Juventude do PT, tanto a etapa nacional quanto as etapas estaduais e municipais – aprova a seguinte resolução.

1/O Brasil precisa de uma juventude politizada, mobilizada e comprometida com um programa democrático, popular e socialista. Para que isso aconteça, o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores têm que cumprir inúmeras tarefas, entre as quais construir uma Juventude petista de massas, de esquerda e socialista.

2/O recém encerrado Congresso da JPT, que ocorreu entre 12 e 14 de dezembro em Luziânia (GO), não contribuiu nesse sentido. O que vimos neste Congresso da JPT foi uma réplica piorada do PED 2025. Fraudes, violência, despolitização, uso da máquina e descumprimento do regimento marcaram presença em todas as etapas congressuais.

3/É particularmente inaceitável que o Congresso tenha ficado várias horas paralisado, com as urnas fechadas, sem dar início à apuração, por conta de uma polêmica bizarra sobre se haveria ou não segundo turno, uma previsão regimental que ninguém tem o direito de questionar.

4/Ademais, é totalmente intolerável a violência psicológica e quase física que se estabeleceu em torno desta e de outras questões, tanto no congresso nacional, quanto nas etapas estaduais e municipais.

5/Todo o Partido sabe, mas é preciso repetir: o Congresso da JPT foi palco de uma disputa feroz entre dois pedaços da chamada “tendência majoritária”, a CNB. Pedaços desta tendência se agrediram de várias formas, inclusive usando palavras de ordem que, se tornadas públicas, desmoralizariam não somente quem as usou, mas todo o Partido, além de outras formas de violência que são inaceitáveis seja dentro ou fora do nosso partido.

6/Depois que as urnas foram finalmente apuradas, a candidata Julia Kopf ficou em primeiro lugar no primeiro turno, atingindo 49,54%. O que o regimento prevê nesse caso é segundo turno, salvo se a candidata que ficou em segundo lugar desista. No entanto, o segundo turno até agora não ocorreu. E há notícias de que estaria em curso uma negociação que resultaria em uma “partilha” do mandato entre a primeira e a segunda colocada, Júlia e Ieza respectivamente. A respeito, reiteramos: o cargo de secretária da JPT é escolhido pelo Congresso, não numa negociação entre dois setores da CNB. Depois de tudo que ocorreu ao longo do processo congressual, depois das acusações feitas em plenário e das violências e agressões verbais ou ameaças, depois dos termos utilizados nos “gritos de guerra”, uma composição é inaceitável.

7/Nossa posição, como já apresentamos diversas vezes, é de defesa e respeito ao regimento do Congresso: não havendo renúncia da segunda colocada, deve acontecer segundo turno.

8/Com exceção da delegação vinculada à tendência petista Articulação de Esquerda, todas as delegações vinculadas às demais tendências deram votos – já no primeiro turno – para uma e outra candidatura da CNB. Nós da tendência petista Articulação de Esquerda conquistamos uma cadeira na direção da JPT, sem depender de nenhum acordo e sem ter que escolher o “mal menor” (termo que foi usado por companheiras e companheiros de outras tendências, para tentar justificar suas escolhas). Usaremos o espaço que conquistamos com política e dignidade, em favor de construir uma Juventude petista, de esquerda e socialista.

9/Informamos ao conjunto do Partido que publicaremos, no prazo mais curto possível, um relatório completo sobre o Congresso, detalhando todas as nossas críticas e denúncias, para que as instâncias possam fazer o que deve ser feito diante de tantos malfeitos.

10/A direção nacional da AE saúda a brava delegação da Juventude da AE, que contra quase tudo e contra quase todos, fez a coisa certa. E destacamos a vitória, no congresso da JPT, da moção que exige da direção nacional do PT que paute e aprove a comissão de ética contra o filiado Washington Quaquá.

15 de dezembro de 2025

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