Quando a incompetência e o desleixo falam mais alto, são o estado de São Paulo e, principalmente, os jovens paulistas que sofrem.

Por Antônio Coelho (*)
O futuro do estado de São Paulo não se constrói apenas com grandes obras de asfalto, concreto e pedágios — esse é o futuro idealizado pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas. O futuro de verdade se molda, fundamentalmente, com sonhos de uma vida melhor, com emprego e desenvolvimento, sobretudo para os nossos jovens. Essa transformação nasce, na maioria das vezes, de decisões governamentais em países desenvolvidos tecnologicamente, e começa a ser executada dentro das salas de aula e dos laboratórios de uma rede pública de ensino potente. Nesse cenário, o ensino técnico profissionalizante desponta como a engrenagem mais poderosa de mobilidade social e desenvolvimento real para a nossa juventude. Defender as Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) do Centro Paula Sousa não é apenas apoiar uma grife educacional que há décadas orgulha os paulistas, mas sim lutar por um projeto de estado soberano, inclusivo e economicamente estratégico.
Para o jovem da periferia da capital ou das cidades do interior, a Etec costuma ser o primeiro grande divisor de águas. Ela transforma o potencial em qualificação real, encurtando a distância entre a escola e o mercado de trabalho formal, além de impulsionar a entrada de nossos jovens pobres nas grandes universidades paulistas. No entanto, para que essa engrenagem funcione com máxima eficiência, a expansão da rede não pode ser feita às cegas, por mero capricho político. Cada Etec instalada deve ser o reflexo vivo da vocação econômica de sua região ou de sua cidade.
Não faz sentido ignorar as forças produtivas locais. Tendo Hortolândia como exemplo — a antiga Jacuba é uma cidade essencialmente industrial —, a ETEC-Hortolândia precisa de cursos técnicos em Mecânica, Eletrotécnica, Eletrônica, Telecomunicações, Edificações, Química, Farmácia e Enfermagem, além dos cursos que a unidade já oferece atualmente. Isso pressupõe, necessariamente, a ampliação pujante dessa unidade.
Quando o Centro Paula Sousa planeja suas salas de aula em sintonia com o arranjo produtivo local, ele garante emprego imediato ao jovem e competitividade à indústria e ao comércio daquela comunidade. É o casamento perfeito entre desenvolvimento social e eficiência econômica. Infelizmente, o governador Tarcísio de Freitas — engenheiro, o “zero um” do IME — foi incapaz de pensar e de executar isso; é um incompetente.
Infelizmente, o que assistimos hoje no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo, caminha na contramão dessa inteligência estratégica. É imperativo e urgente fazer uma crítica dura ao evidente descaso do governador Tarcísio de Freitas para com as Etecs e a comunidade acadêmica do Centro Paula Sousa. Sob uma gestão de verniz tecnocrata, o que vemos na prática é o abandono de uma política séria de valorização, modernização e ampliação da rede.
O governo Tarcísio parece enxergar a educação técnica como um custo a ser enxugado, e não como o investimento mais rentável que o estado poderia fazer. Professores e funcionários acumulam perdas salariais crônicas e enfrentam a desvalorização de suas carreiras, o que asfixia o ambiente escolar e afasta grandes talentos da docência. Laboratórios que deveriam estar na vanguarda tecnológica sofrem com a falta de insumos, equipamentos defasados e problemas de infraestrutura básica que desabam sobre a rotina de alunos e docentes.
Mais grave ainda é ver a expansão das Etecs relegada ao segundo escalão das prioridades governamentais, muitas vezes substituída por discursos vazios de “parcerias” que desidratam a autonomia e a excelência que consagraram o Centro Paula Sousa. Virar as costas para as Etecs é sabotar o futuro produtivo de São Paulo. É negar ao jovem trabalhador a chance de se qualificar para os empregos do século XXI, condenando-o à informalidade ou a postos de trabalho de baixa remuneração.
É por tudo isso que defendo o Professor Doutor Fernando Haddad para Governador do Estado de São Paulo. O modelo de ampliação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, como o de São Paulo (IFSP), idealizado por Lula e Haddad, precisa ser replicado no Centro Paula Sousa (nas Etecs, principalmente).
O patrimônio educacional de São Paulo não pertence a um mandato passageiro. As Etecs são do povo paulista. Cobrar do governador Tarcísio de Freitas o fim do sucateamento institucional, a recomposição orçamentária, a valorização dos profissionais e a retomada de uma expansão planejada e vocacionada é um dever de todos que enxergam a educação como o único caminho viável para um estado de São Paulo verdadeiramente próspero e justo.
(*) Antônio Coelho é técnico em Eletrotécnica e advogado
