Quaquá é um “banco grande demais para quebrar”?

Por Valter Pomar (*)

Breve explicação: dia 2 de fevereiro reiniciam as aulas na Universidade Federal do ABC.

Uma das disciplinas que ministrarei chama-se Sistema Financeiro Internacional.

Na noite do dia 29 de janeiro, repassando os temas que serão abordados, me deparei com o “risco moral” (moral hazard), a saber, o comportamento irresponsável de gestores e proprietários de bancos “grandes demais para quebrar” (too big to fail). E que por isso são geralmente salvos pelo Estado, com o dinheiro do contribuinte.

Pois bem: ao ler isso, meu Tico lembrou ao meu Teco o ocorrido na tarde do mesmo dia 29 de janeiro, quando a executiva nacional do PT (CEN) decidira, mais uma vez, não decidir sobre as comissões de ética pedidas contra Washington Quaquá.

Um dos argumentos utilizados por quem apoiou o adiamento foram as repercussões públicas de uma comissão de ética, especialmente num ano eleitoral.

Para quem pensa assim, a situação de Quaquá parece ser vista de maneira similar a dos “bancos grandes demais para quebrar”: as atitudes do atual prefeito de Maricá causam danos, mas sua punição supostamente causaria danos ainda mais graves.

Vale dizer que o próprio Quaquá contribui nesse sentido, com declarações que alguém poderia interpretar – indevidamente, é claro – como ameaças ou chantagens.

O resultado prático da atitude da CEN lembra o descrito pelo termo “moral hazard”. Afinal, considerando-se protegido, ele não se corrige, não para, não reduz a velocidade, nem mesmo baixa o tom. Pelo contrário, escala.

Aonde isso vai dar, acho que todos sabem. Mas, ao menos por enquanto, muitos parecem ter medo de fazer a coisa certa.

Espero que algum dia a esperança vença o medo. Do contrário, mais e piores problemas virão pela frente. E quem vai pagar a conta serão basicamente os mesmos que pagam pelos malfeitos dos “too big to fail”: o povo. No caso, a militância de base.

(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA

 

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