Para não esquecer – 26 de março de 1953

Por Ernesto Germano Pares (*)

Em minhas palestras costumo chamar o movimento de “um teste de forças”, pois é preciso lembrar que o Brasil passava por uma mudança de regime. Vargas havia voltado ao poder, pelo voto direto, e iniciava um governo populista, mas voltado para o desenvolvimento nacional. Criara o BNDE (ainda não tinha o S, de Social) e incentiva a indústria nacional, mas precisava manter seus compromissos com as alianças feitas para chegar ao poder.

Em 1951 havia enviado ao Congresso o Projeto de Lei criando a Petrobrás, imediatamente abraçado pelos trabalhadores, pelos estudantes e pelo povo com o lema “O petróleo é nosso”!

No início de 1953 a classe operária brasileira já havia dado um salto para mais de um milhão e meio de trabalhadores na indústria. No mesmo ano Getúlio envia ao Congresso o Projeto de Lei criando a Eletrobras e fechando o tripé para que a economia nacional pudesse dar um salto: siderurgia (com a CSN), petróleo e energia elétrica.

No dia 10 de março, os operários têxteis de São Paulo organizam manifestação para exigir 60% de aumento e para que o governo tome medidas para baixar os preços dos gêneros alimentícios. Os patrões declaram, nos jornais, que não negociarão aumentos. Os trabalhadores começam a organizar Comissões de Fábricas para pressionar o Sindicato (que tinha tomada a posição cômoda de “subir no muro”) a tomar posição e, depois de várias assembleias, a greve tem início no dia 26, recebendo imediatamente o apoio dos metalúrgicos.

As manifestações iniciaram-se em 18 de março, quando uma passeata chamada de “Panela Vazia” reuniu 60 mil, que caminharam da Praça da Sé até o palácio Campos Elísios, sede do governo do Estado, exigindo o reajuste salarial.

No dia 09 de abril ocorreu uma manifestação com 20 mil operários do centro até o palácio do governo. A marcha foi reprimida com armas de fogo e 2 mil trabalhadores foram presos.

As várias comissões de fábrica criadas pelos comunistas cresciam e a voz do sindicato se tornava mais forte dentro das fábricas. Os operários começam uma nova forma de organização, horizontal, fugindo da verticalidade dos sindicatos da época. Foram anos de avanço da organização da classe operária. Suas reivindicações fundamentais se voltavam contra a fome e a carestia, mas, como já ficou demonstrado acima, não se limitavam ao plano econômico. Especialmente de 1950 a 1955, dirigidas pelos comunistas, as lutas operárias assumem um caráter classista.

O Partido Comunista, na clandestinidade, teve participação decisiva no auxílio à organização do movimento. Nomes de destaque foram os de Pedro Pomar e Carlos Marighella, que atuaram na articulação dos vários pontos onde se desenrolava a luta.

Outras categorias começam a aderir e a greve se estende para outras cidades paulistas.

Depois de 15 dias de negociação, é criado o Comitê Intersindical de Greve e os trabalhadores avisam que não voltarão para as fábricas se qualquer companheiro for demitido. O DOPS/SP declara a greve ilegal, baseado na Lei 9.070 do tempo de Dutra, mas o movimento ganha força no interior do estado e começa a receber solidariedade da classe média (estudantes, médicos, etc…). Os patrões resolvem oferecer 20% (recusado), a Delegacia Regional do Trabalho eleva a proposta para 23% (novamente recusada) e o Tribunal Regional do Trabalho chega a 28%, mas os operários recusam e mantêm a greve.

Internamente, o movimento começa a rachar e alguns sindicatos começam a falar em negociar. Finalmente o Comitê aceita um acordo de 33% com as seguintes condições: liberdade para todos os trabalhadores presos; aumento para todos os trabalhadores envolvidos, mesmo que não tenham feito greve; pagamento dos dias parados e nenhuma punição para os grevistas.

A greve durou 29 dias e atingiu 300.000 trabalhadores, terminando com o surgimento do Pacto de Unidade Intersindical – PUI. O dia 26 de março, início da greve, de 1956 não pode ser esquecido por nós!

VIVA A ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES NAS FÁBRICAS!

NÃO ESQUECER A NOSSA HISTÓRIA!

PRECISAMOS OUSAR, PRECISAMOS LUTAR!

(*) Ernesto Germano Parés é jornalista, escritor, produtor de comunicação, consultor sindical, assessor político

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