Por Ivonete Alvez Cruz Almeida (*)

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
A direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, da qual faço parte representando a força política Articulação de Esquerda, esteve reunida no dia 5 de maio de 2026 com o presidente do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, Edinho Silva. A reunião teve como objetivo apresentar a agenda de lutas da Confederação e reafirmar o compromisso com a valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação e na defesa da educação pública de qualidade.
Consideramos esse espaço de diálogo importante por entendermos que a educação pública se trata de uma política necessária para a construção do projeto de sociedade democrático, popular e socialista que defendemos.
E, nesse sentido, na defesa do projeto defendido pela Confederação, temos muitos desafios que precisam ser assumidos e implementados pelos gestores públicos.
Uma das primeiras medidas a serem tomadas trata-se da superação definitiva do modelo de educação empresarial e privatista ainda muito presente no MEC, que trata a educação como mercadoria e os resultados como ranqueamento. Não podemos admitir que, num projeto democrático e popular de educação, prevaleça a política da meritocracia.
Destacamos como uma das importantes medidas a política do Pé de Meia, para os estudantes do Ensino Médio. Sem dúvidas, é importante para diminuir a evasão escolar nessa etapa da educação básica, mas não é suficiente, pois não altera a realidade social e econômica em que vive a grande maioria dos estudantes, principalmente negros e das regiões periféricas. Outro grave problema que enfrentamos é a possibilidade do apagão da profissão docente, provocada por um conjunto de fatores que não tem despertado o interesse pela profissão. Como saída paliativa, foi criada a bolsa para estudantes das licenciaturas. Mais uma vez, é uma medida importante, mas não resolve o problema do apagão, porque não resolve os graves problemas que as educadores e educadores enfrentam com as péssimas condições de trabalho, altas jornadas e baixa remuneração.
Por fim e mais importante, é necessária uma política de financiamento da educação que garanta as condições para superar os graves problemas. Em 2014, foi sancionado pela presidenta Dilma o Plano Nacional de Educação, que vigorou até janeiro de 2026, e nele já constava a meta de atingir 10% do PIB de recursos públicos para a educação pública. Doze anos depois, estamos longe de atingir a meta, chegamos ao máximo a 5,5%.
Com a retorno do governo democrático e popular em 2023, medidas importantes foram adotadas, como o retorno do Fórum Nacional de Educação e a realização da Conferência Nacional de Educação em janeiro de 2023. Espaço de ampla participação e de muitos debates, no qual foi aprovado o documento referência para o novo Plano Nacional de Educação sancionado pelo presidente Lula em abril de 2026. No novo Plano, foi reeditada a meta de atingir os 10% do PIB, além de várias outras metas, objetivos e estratégias que tratam da garantia da educação básica e superior, educação do campo, quilombola e indígena, a garantia da educação inclusiva e a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. O governo tem colocado como meta universalizar a educação de Tempo Integral, mas estamos distantes de termos escolas que, de fato, garantam que a educação seja mesmo integral e não apenas mais tempo na escola.
Vivemos um momento de adoecimento mental dos profissionais da educação provocada pelas condições de trabalho às quais estamos submetidos. Atribuir o fracasso escolar e a não aprendizagem dos estudantes às professoras e aos professores escamoteia as verdadeiras causas da falta de aprendizagem e atribui responsabilidades a quem não tem condições de alterar o sistema educacional.
Esse é o maior desafio que temos para a próxima década, o compromisso e a implementação de uma política de financiamento de recurso público para a educação pública que possam garantir escolas estruturadas, alimentação e transporte escolar de qualidade e trabalhadores e trabalhadoras valorizados com jornadas de trabalho e remuneração dignas.
Nesse sentido, na disputa que temos no processo eleitoral de 2026, não basta o discurso, faz-se necessário implementar ações concretas que apontem para mudanças profundas e estruturais na garantia da educação; e, para vencer esse projeto nas urnas, precisamos estabelecer um diálogo direto de casa em casa, de bairro em bairro.
Enquanto dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, temos consciência da tarefa política de reeleger Lula para enfrentar a direita e a extrema-direita. Mas, para além disso, é necessário que o próximo governo faça reformas estruturais que atendam aos desafios da educação brasileira.
Seguiremos na luta!
Ivonete Alves Cruz Almeida é dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e militante da AE.
