Saiu o jornal Página 13 de abril

Está disponível a edição de abril do jornal Página 13, de número 300.

Para deascarregar o jornal na íntegra, clique AQUI. Abaixo, é possível conferir o editorial.

BOA LEITURA!

EDITORIAL

Situação de risco

Esta edição de Página 13 está sendo editada no dia em que o golpe militar de 1964 completa 62 anos. E poucos meses antes da eleição em que os saudosos do golpe querem mais uma vez — como em 1989 e em 2018 — recuperar a Presidência da República. Tudo isso coincidindo com os ataques dos EUA contra Irã, Cuba, Venezuela, Palestina… e Brasil. Uma análise dessa situação, acompanhada de propostas práticas, é feita na resolução política aprovada no dia 29 de março de 2026 pela Direção Nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, resolução transcrita a seguir:

1.⁠ ⁠A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã completou um mês. Os dois Estados agressores têm um comportamento criminoso e terrorista. O Irã tem o direito de se defender. Não haverá paz no mundo enquanto a aliança imperialista-sionista não for totalmente derrotada. As dificuldades dos Estados Unidos na guerra podem levar o governo Trump a atacar Cuba. E reforçam a importância, para a extrema-direita, de influir nas eleições brasileiras.

2.⁠ ⁠Faltam menos de sete meses para as eleições de 2026. A preços de hoje, Lula será reeleito no segundo turno e por uma pequena diferença de votos. Entretanto, setores crescentes do Partido e da esquerda brasileira manifestam preocupação com a possibilidade de que o resultado da eleição presidencial possa vir a ser outro. Esta preocupação é especialmente presente entre aqueles que, ontem mesmo, falavam em vitória no primeiro turno, se iludiam sobre a popularidade do governo federal e subestimavam a força da extrema-direita, aspectos que analisaremos nos próximos pontos deste documento.

3.⁠ ⁠O primeiro aspecto a considerar é que parcela expressiva do povo brasileiro segue avaliando negativamente nosso governo federal e, relacionado a isto, segue negando o voto em nossas candidaturas. Essa situação não deveria constituir surpresa. Desde o início de 2023, temos alertado para esse fato, que decorre ao nosso ver de um mix de problemas: primeiro, deficiências na luta político ideológica travada tanto pelo governo quanto pelo PT e pela esquerda em geral; segundo, as deficiências de coordenação, que afetam tanto a ação administrativa quanto a ação política do governo; terceiro, erros e insuficiências nas ações do governo, em parte, causadas pela política econômica, em parte, causadas por escolhas incorretas (por exemplo, a decisão de não revogar as reformas previdenciária e trabalhista, as debilidades da política do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, os problemas da política de comunicação, a influência empresarial no Ministério da Educação etc.); finalmente, mas não menos importante, há uma subestimação dos nossos problemas, dos nossos erros e dos nossos inimigos, acompanhada de uma cabotina superestimação de nossos êxitos. Todos estes problemas são agravados por um crescente “culto à personalidade”, que, na prática, sobrecarrega o presidente e exime certos dirigentes de pensar com sua própria cabeça e assumir suas responsabilidades.

4.⁠ ⁠O segundo aspecto a considerar é a força da candidatura da extrema-direita. Desde 2018, temos alertado para a potência, capilaridade e resiliência da extrema-direita, suas articulações internacionais, seu apoio material na classe dominante, seu controle dos meios de comunicação. Infelizmente, há militantes que subestimaram tanto a força do inimigo que chegaram até mesmo a falar em vitória no primeiro turno, argumentando que a extrema-direita teria supostamente se convertido em “cadáver político”. A subestimação do inimigo é muitas vezes acompanhada de uma crença na força dos setores de centro-direita e da direita tradicional, motivo pelo qual, toda vez que a extrema-direita cresce, ressurgem as manifestações de fé na “frente ampla em defesa das instituições”.

5.⁠ ⁠Um terceiro aspecto a considerar é o pequeno número de candidaturas majoritárias petistas para disputar os governos estaduais. Não teremos candidatura petista, nem de esquerda, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, dois dos mais populosos estados brasileiros, tampouco em Santa Catarina, entre outros estados. Em alguns deles, o PT decidiu apoiar candidaturas majoritárias de direita, em alguns casos, com vínculos recentes com o bolsonarismo. Em alguns dos estados que o PT governa (Ceará, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte), há situações preocupantes que integram um contexto em que se prevê uma redução da votação petista no Nordeste.

6.⁠ ⁠Considerando a situação nacional, se não houver mudança na tática, não haverá alteração qualitativa na composição do Senado e da Câmara.

7.⁠ ⁠Um quarto aspecto a considerar é a ingerência externa praticada pelo governo dos Estados Unidos. Setores do Partido subestimaram o imperialismo, parecendo acreditar numa suposta e milagrosa “química” entre os presidentes dos EUA e do Brasil. A verdade é outra: controlar o Brasil é essencial para o êxito da estratégia dos Estados Unidos de converter a região em “quintal”.

8.⁠ ⁠No momento, parte da ingerência dos EUA é direta e política, como se pode perceber na escolha do nome que será candidato pela extrema-direita. Outra parte da ingerência é indireta e afeta a economia do país: a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã tem como um de seus efeitos aumentar o preço dos combustíveis, provocando inflação, numa situação em que o governo não dispõe – principalmente devido à privatização da BR Distribuidora – dos instrumentos necessários para enfrentar a situação.

9.⁠ ⁠A inflação, que tende a crescer, em função da guerra, atinge uma população altamente endividada, dívida sobre a qual pesa a imensa taxa de juros imposta pelo Banco Central. Os erros da política econômica cobram alto preço, entre os quais a redução da taxa de crescimento em pleno ano eleitoral. Apesar disso, setores do governo e do Partido seguem afirmando que a política fiscal seria um êxito, eximindo-se do desastre causado pelo Banco Central.

10.⁠ ⁠Um quinto aspecto a considerar é a fadiga programática. Como reconhecem até mesmo alguns dirigentes da tendência que venceu o PED 2025, o PT só ganhará a eleição de 2026 caso se apresente como “partido antissistêmico”. Isso envolve não apenas um posicionamento de campanha que faça o enfrentamento do sistema aqui e agora, mas também a apresentação de um programa qualitativamente superior para o quarto mandato de Lula, um programa que traga novidades efetivas e estruturais. Acontece que nosso governo só dará um salto programático se conseguirmos superar os dogmas do Arcabouço Fiscal, o que, por sua vez, implica enfrentar o sistema financeiro (“Faria Lima”), o agronegócio e os porta-vozes de ambos: os partidos de oposição e a mídia oligárquica. Ou seja, se rompermos com as bases da “frente ampla” estabelecida em 2022. Além disso, será necessário que este programa superior seja defendido por nossas candidaturas à Câmara, ao Senado e aos governos estaduais. É preciso que defendamos, por exemplo, o fim das emendas parlamentares; o fim da autonomia do BC; medidas tributárias contra os ricos; medidas em defesa da classe trabalhadora (como a redução da jornada e o fim da escala 6×1).

11.⁠ ⁠Na contramão destas medidas, há setores estudando medidas de ajuste fiscal para 2027, o que, no melhor dos casos, seria reincidir no erro já cometido em 2015. Também na contramão de um programa superior, o coordenador de programa da pré-candidatura a governador de Fernando Haddad informou que não vamos defender a reestatização da Sabesp (empresa de saneamento do governo de São Paulo) porque “o PT respeita contratos”, ignorando, portanto, o caráter fraudulento da privatização da maior empresa pública de água e esgotos da América Latina. Além disso, se é assim, como então vamos defender a reestatização da BR Distribuidora? E como enfrentar os efeitos da guerra de Trump sem retomar o controle público sobre a BR Distribuidora e sobre a própria Petrobras?

12.⁠ ⁠Um sexto aspecto a considerar: a direção nacional eleita no PED 2025 não está demonstrando estar à altura da situação. Eleita com um discurso antipolarização, a atual direção está sendo obrigada a atuar numa situação em que só a polarização antissistema pode nos levar à vitória.

13.⁠ ⁠Escolhida a partir da interferência direta de Lula, parte da atual direção está terceirizando suas responsabilidades, como confirma a utilização — nos debates internos — dos apelos de Lula como suposto “argumento em última instância”.

14.⁠ ⁠Ademais, há um visível desconhecimento da situação realmente existente no terreno, como se percebe no caso do Rio Grande do Sul, estado que já poderíamos estar governando — se a Direção Nacional anterior tivesse comparecido adequadamente na campanha de 2022; e que poderemos passar a governar a partir de 2027, se a atual Direção Nacional parar de sabotar a campanha de Lula e de Edegar no Rio Grande do Sul.

15.⁠ ⁠A incapacidade da atual Direção Nacional do Partido — agravada, em muitos casos, pelas dificuldades das direções estaduais e municipais — torna muito difícil propor medidas para enfrentar e superar a situação. Afinal, estas medidas precisam ser debatidas, deliberadas e encaminhadas por instâncias que hoje funcionam muito mal. Nesse sentido, reafirmamos que o 8º Congresso Nacional do PT precisa travar um profundo debate estratégico, programático e tático.

16.⁠ ⁠Nos documentos que apresentamos como contribuição da AE ao 8º Congresso, defendemos, entre outras medidas:

•⁠ Que o governo lance um programa emergencial de enfrentamento da crise causada pela guerra, ampliando imediatamente os investimentos e os gastos do governo federal em todos os terrenos;

•⁠ Que o governo volte a fazer pressão pública pela redução da taxa de juros pelo Banco Central, ao mesmo tempo em que ofereça à população e a pequenos e médios empresários linhas de crédito excepcionais por parte do BB, CEF e BNDES;

•⁠ Que o governo implemente um programa de refinanciamento das dívidas das famílias;

•⁠ Que o governo desencadeie uma operação policial e sanitária contra as BETS;

•⁠ Que nossas pré-candidaturas proporcionais em todo o país sejam orientadas a fazer uma campanha com o mote CONTRA O CONGRESSO INIMIGO DO POVO, enfatizando o fim das emendas parlamentares;

•⁠ Que sejam imediatamente substituídos, nos cargos de governo, todos os comissionados que estão obstruindo, sabotando e dificultando as ações de governo e favorecendo assim a candidatura da extrema-direita;

•⁠ Que se tomem medidas para reestatizar a BR Distribuidora;

•⁠ Que se tomem medidas para que o Estado brasileiro retome o controle acionário da Petrobras;

•⁠ Que se revoguem as contrarreformas trabalhista e previdenciária.

17.⁠ ⁠Defendemos, também, que o Partido garanta candidaturas majoritárias petistas e de esquerda em todos os estados onde isto for possível.

18.⁠ ⁠Ao lado das medidas acima citadas – medidas cujo objetivo é incidir na disputa eleitoral – acrescentamos que é preciso enviar imediatamente um petroleiro brasileiro, custodiado por navios de nossa Marinha de Guerra, levando combustível para Cuba.

19.⁠ ⁠Há plenas condições de vencer a campanha presidencial, reeleger Lula, manter e ampliar nossas bancadas na Câmara, Senado e Assembleias Legislativas, bem como aumentar o número de governos estaduais dirigidos pelo PT. Mas, para isso, é preciso dar uma guinada imediata em nossa linha política. Lembrando que não basta vencer: é preciso vencer em condições de fazer um quarto mandato superior ao terceiro. Nesse sentido, reiteramos a necessidade de fazermos em todos os níveis campanha de esquerda, com candidaturas de esquerda, tendo como objetivo principal ganhar o apoio e voto da classe trabalhadora, das mulheres, negros e negras, jovens e moradores das periferias. Foram esses setores da população que derrotaram a extrema-direita em 2022 e que voltarão a garantir o triunfo da esquerda em 2026. Mas, para isso, precisamos ganhar a população para votar e defender um quarto mandato Lula superior ao atual, um governo realmente antissistêmico, ou seja, que faça os ricos, os poderosos, a turma das finanças, do agronegócio e da mineração pagarem a conta, para mudar estruturalmente a vida da maioria da população e para mudar o lugar do Brasil no mundo.

Os artigos desta edição de Página 13 desenvolvem vários dos temas abordados anteriormente. Boa leitura.

Os editores

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