Por Soraya Zanforlin (*)

Chegamos em Cuba. Chegamos num momento difícil é verdade. Mas viemos mesmo assim. Afinal porque deixaríamos o Laranjão gerenciar nossas vidas? Nossa viagem foi planejada há alguns meses. 2026 é um ano de datas redondas aqui em casa: 70 anos do Paulo e 60 anos meus. Pensamos em vir à Cuba, a ilha socialista sob embargo.
“Quero ver a vida lá”, como disse Caetano, e viemos. 9 horas de vôo no total, com conexão de 1hora e meia no Panamá (o tal hub da Américas). E ali na espera da conexão se observava um tanto de gente conversando com seus pacotes e malas de mão, acolhedores, assistindo a dois viejitos de mochila (eles também não viram nossas bagagens). E conversando e contando historias de suas vidas.
Um senhor mirou me e disse não volta a Cuba há 8 anos; outra senhora disse que havia buena comida em Cuba e que nesse momento morava em Goiânia. Gente conversadeira pensei. Da janela do avião, um céu azul de gritar, podia-se ver as sombras das nuvens num mar transparente, límpido e de quebra na descida do avião um mar de plantação com suas formas geométricas. Ainda não descobri o nome do que vi. Mas posso afirmar, extremamente bonito.
Aterrisamos em Cuba com o sentimento de estarmos descendo no Aeroporto Santa Genoveva em Goiás, há alguns (muitos) anos atrás. Uau, malas intactas (todas elas) portando nossos pertences, encomendas para os amigo(a)s e medicamentos de uso geral para doar. Malas grandes, atençāo gigante. Nós e uma boa parte dos passageiros do voo direcionados para fila da fiscalizaçāo.
A nossa informação sobre Cuba era de que nada tinha, então trouxemos de um tudo. Desde víveres para nosso consumo, até medicamentos para doação. Milho para cuscuz, leite de coco e tapioca saltaram aos olhos dos agentes com cão farejador. Perguntaram o que vim fazer em Cuba expliquei – trazer nossa solidariedade ao povo cubano. E na outra fila Paulo seguia com a mala de medicamentos. Devidamente fiscalizados e liberados saímos em busca de nossa amiga cubana e seu táxi vermelho.
A primeira vista, um país funcionando. Funcionando querido leitor, com toda a dificuldade do mundo e uma solidariedade e altivez impressionantes. Nos primeiros dias constatamos que nosso plano capitalista de dados móveis para todas as américas (incluindo Cuba) ainda não funcionava em Havana…e na rua ao pararmos para perguntar a direção do endereço a uma mulher e ao dizermos que não tínhamos dados móveis, telefonou ela mesma para nossa amiga e chegamos ao endereço num minuto.
Noutro momento, em fila da Ectenza para comprar nossos números cubanos, mais uma vez, uma demonstração de educação, um senhor chegou e pergunta quem é o último? O último se apresenta e ele se posta atrás. Sim, mas nem tudo são flores. Não há eletricidade contínua, não há remédios. Há Caçarolaços contra o governo. E sem eletricidade por vezes as bombas de água não levam água para as caixas – o que significa ficar sem água também, não há combustível. Sim, não há, mas há um tanto de gente caminhando para o trabalho, há carros novos elétricos, há bicicletas, pequenas lojas a se vender de um tudo porém pouco acessível aos cubanos.
Escrevo esse relato com apenas 3 dias da chegada aqui, pouco tempo para muita demonstração de resiliência desse povo, gentil, alegre e sobretudo combativo.
(*) Soraya Zanforlin, militante do PT na cidade de Campinas (SP)

Respostas de 15
Oi Soraya, que riqueza de conhecimentos!!!! Gostaria de conhecer Cuba..amo militantes socialistas; lutadores, solidários, inteligentes, e humildes de coração. Inúmeras qualidades .
Trabalhadores das Américas contra o Bloqueio: Energia e Saúde como Direitos Humanos.
Let Cuba Live
Bora conectar os sindicatos brasileiros ou latino-americanos com esses sindicatos americanos para uma frente única contra o bloqueio!
Delegações dos trabalhadores Americanos já , por Cuba e Venezuela Livre.
Pelo fim do bloqueio
O fim do bloqueio geraria milhares de empregos nos portos do Golfo e da Costa.
Pelo fim do bloqueio!
Minha semana Santa em Cuba!
Agricultores do Meio-Oeste americano (Arkansas, Minnesota) são grandes defensores do fim do bloqueio, pois Cuba é um mercado natural para seu trigo e arroz. Agir significa fazer lobby conjunto entre sindicatos rurais e urbanos.
Bora agir!
Diplomacia de Trabalhador Americano para Trabalhador cubano, é disso que a gente vai conseguir e precisar.
Ações diretas envolvem o envio de delegações de trabalhadores americanos a Cuba para:
Troca de tecnologia: Levar peças e conhecimentos para consertar infraestruturas (como a rede elétrica, em crise em 2026).
Solidariedade material: Envio de insumos médicos e alimentos, desafiando a lógica do bloqueio através de licenças humanitárias ou pressão pública.
Muitos intelectuais e militantes defendem que o verdadeiro ato de amor à América (especialmente aos EUA) é criticar seus erros. Amar a classe trabalhadora americana significa desejar que ela tenha saúde, educação e que não seja usada como bucha de canhão em guerras ou bloqueios que só beneficiam elites.
Como dizia o escritor James Baldwin: “Amo a América mais do que qualquer outro país no mundo e, exatamente por isso, insisto no direito de criticá-la perpetuamente.
United Auto Workers (UAW), façam alguma coisa pelo amor…
Adorei seu relato de chegada, sua visão sobre os cubanos – a altivez e solidariedade. Acredito que vc ainda nos contará da criatividade deles. Gente admirável. Parabéns pra vc e pro Paulo, não apenas por tu cumpleaños, y también por brindar algo de consuelo a los cubanos. Aguardo o próximo relato de viagem. Cuba libre!!! Bjs
So, que experiência incrível . Fico feliz por vc. Na padaria Alemã vc me conta mais.
Muito bom ouvir relatos de quem está aí Sô..porém muito triste tbm..quantos anos de sofrimento sob os embargos..agora piorados pelo Demônio Laranja..e o mundo..nós..Só assistimos
embargo criminoso, não é qualquer povo que teria essa resiliência
Minha querida, que essa experiência seja de muito valor pra vocês e o povo cubano, solidariedade é necessária em todo o momento. Aproveitem a estadia e depois conte mais. Beijos