Balanços proporcionais – Humberto Amaducci

Balanços proporcionais – Humberto Amaducci

Balanços proporcionais – Humberto Amaducci

Balanços proporcionais – Humberto Amaducci

Por Humberto Amaducci (*)

Nossa candidatura teve sua construção no Mato Grosso do Sul, mais especificamente na divisa com o Paraná e na fronteira com o Paraguay. Extremo sul do estado.

Em que pese as dificuldades da distância (460km) da capital Campo Grande; em que pese a falta de recursos para poder andar e conversar com nossa militância, durante a pré-campanha; em que pese o tempo gasto e o envolvimento pessoal nas discussões da candidatura próprio, tanto ao Governo quanto ao Senado em MS; em que pese o recurso do Fundo Eleitoral ser de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Enfim, acredito que nossa candidatura contribuiu com os avanços que tivemos em MS. Ficamos na segunda suplência, com 6.196 votos de homens e mulheres que confiaram em nosso Projeto.

Com certeza esperávamos mais, com certeza trabalhamos muito para conquistarmos uma vaga na Assembleia legislativa. Porém não conseguimos votos suficiente pra que isso ocorresse.

Quanto ao desempenho de conjunto de nossas lideranças, podemos avaliar que o Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul chega ao final do primeiro turno das eleições de 2022 com saldo positivo.

No Legislativo Estadual passamos de dois pra três deputados Estaduais, reelegendo Pedro Kemp e Amarildo Cruz e elegendo o ex-governador José Orcirio. Para a Câmara federal foi reeleito o Deputado Federal Vander Loubet e ampliamos com a eleição da jovem Camila Jara, atual vereadora da capital.

Tal resultado deixa, nas mentes e corações de nossa aguerrida militância, a sensação de que poderíamos ter avançado mais… Poderíamos ter ousado mais… Poderíamos ter acreditado mais… Poderíamos ser mais honestos uns com os outros…

Com a derrota na disputa do Senado em 2018, José Orcírio, indignado com o resultado, se afasta da política e diz que iria cuidar da saúde e de seus investimentos na piscicultura. No segundo semestre de 2021 volta ao cenário da política estadual, após a libertação de Lula e a grande possibilidade de retornarmos ao governo federal com Lula Presidente. Nesse momento, algumas pessoas ligadas ao ex-governador e o próprio José Orcírio defendem que o melhor nome para governar o estado seria o candidato do PSDB.

No início do ano 2022 houve uma reunião com a executiva estadual, com a presença de José Orcírio e com a minha presença (Humberto Amaducci), objetivando o consenso em torno do nome do ex-governador. Infelizmente não foi isso que aconteceu. Na metade da pré-campanha, nosso candidato, alegando falta de recursos, comunica que não seria mais candidato ao governo e sim candidato a deputado estadual. O comunicado oficial ocorreu em nossa plenária estadual, na cidade de Ponta Porã (MS), obrigando nossa direção estadual e demais lideranças a encontrar um outro nome pra substituir o então candidato ao governo.

O nome aprovado foi da companheira Giselle Marques, que junto com o vice Abilio Vanelli e o Senador Tiago Botelho, compuseram nossa chapa majoritária e contribuíram grandemente para o desempenho das chapas proporcionais.

Se o PT tivesse mantido o nome de Jose Orcírio, certamente estaríamos nesse segundo turno disputando o governo do estado. Pois era óbvio que o cenário político em nosso estado estava muito confuso, muito embolado.

Não podemos reclamar do recurso que veio do Fundo Eleitoral ao nosso Estado. Passou de 10 milhões. O grande problema foi a distribuição injusta feita pela direção nacional. Desigual ao extremo, com critérios claros de favorecimento aos detentores de mandatos.

Com toda certeza, caso continuem tais critérios de divisão do Fundo Eleitoral, nas próximas disputas haverá nas chapas somente quem já possui mandatos, pois são os detentores do poder que tem prioridade junto aos recursos financeiros.

O resultado na eleição proporcional no Mato Grosso do Sul é a prova disso: quem foi eleito são os que possuem mandatos (vereadora e deputados) ou foi governador e deputado, como no caso do José Orcírio.

Precisamos com urgência que nossas lideranças voltem a ser combativas, não podemos agir igual ou pior que as lideranças da direita. Mandatos de esquerda devem estar à disposição da organização popular, presentes nas aldeias indígenas, nos acampamentos e assentamentos, apoiando a luta dos quilombos, devem estar juntos com a luta sindical e dos movimentos populares, na luta contra a violência diária sofrida pelas minorias e maiorias de nosso povo.

Precisamos voltar aos velhos e bons tempos dos cursos de formação política, defendidos com muita lucidez por Dorcelina Folador (in memorian) e Geraldo Garcia (in memorian). Eles sempre deram a orientação de que os mandatos são instrumentos de organização e luta popular. Que não existe governo de esquerda que se sustente, se não tiver a base popular organizada, com formação pra debater e lutar por aquilo que acreditamos.

Infelizmente nos deparamos com “lideranças” cansadas de dialogar com a militância. Mas sempre dispostos e com muita paciência de conversar com a direita, que muitas vezes, especialmente nos municípios do interior, trabalham pra destruir a luta do nosso povo.

De forma arrogante e donos da verdade, a cada eleição deixam um sentimento de tristeza aos militantes que ficam com o seguinte pensamento: “políticos são todos iguais”. Basta chegar ao poder que se encantam e não resistem às garras do “glamour” e aos tapetes luxuosos dos gabinetes.

No final da história, são amados por poucos, ou por ninguém. Quando é chegado o momento em que os mandatos podem ajudar na conquista de muitos resultados positivos nos pequenos municípios, na formação e orientação política de lideranças municipais, muitos simplesmente preferem ficar no meio do caminho pela comodidade, pela preguiça, pela covardia. Esses são os pecados… Os erros de muitos de nós…

Após a disputa de nove eleições… três vezes prefeito da animada e bela cidade fronteiriça de Mundo Novo (MS)… Com toda a certeza não vou ficar pisando em ovos para falar o que penso, não quero agradar uns e outros.

Porém precisamos ter maturidade e responsabilidade suficientes para saber entender e apontar nossas falhas… sem perder a ternura.

Bora lá… vamos eleger Lula Presidente.

(*) Humberto Amaducci é dirigente do PT MS e foi candidato a deputado estadual.

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