Coronel Sapucaia, MS, em escala nacional!

Coronel Sapucaia, MS, em escala nacional!

Coronel Sapucaia, MS, em escala nacional!

Coronel Sapucaia, MS, em escala nacional!

Por Maria Dilnéia Espíndola Fernandes (*)

Ontem, ao ligar o celular e ver as mensagens WhatsApp no grupo da família, pela quantidade de mensagens, algo corria fora do normal. A explicação é que somos uma família de Coronel Sapucaia, ainda que muitos de nós não moramos mais lá, contudo, ainda temos familiares que residem no município, e até antes da pandemia Covid 19, o visitávamos muito.

Aconteceu que várias pessoas da família, assim como o Brasil afora, haviam assistido ao Programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo de Televisão, com a apresentação do renomado jornalista, Caco Barcelos.

Quiseram as circunstâncias da eleição presidencial no segundo turno e a ciência que pauta o jornalismo investigativo, que Caco Barcelos e sua equipe de trabalho, chegassem até Coronel Sapucaia, região de fronteira seca entre Brasil e Paraguai, por isso também classificada como cidades-gêmeas.

O critério científico do jornalismo investigativo para a seleção do caso, foi o fato de que neste município, os candidatos a presidente da República Federativa do Brasil, haviam obtido o mesmo número de votos entre os eleitores no primeiro turno da eleição, realizada no dia 02 de outubro de 2022, um empate, portanto, entre eles. Situação sempre possível de ocorrer, mas, ao acontecer, assume ares de inusitado, como que um estranhamento!

Foi esta especificidade que o jornalismo investigativo foi checar. No decorrer dos dias de trabalho da equipe de Caco Barcelos no município, contudo, eis que se revela uma outra situação: não sei eles, mas eu, depois de tudo, me senti revisitando, de forma modernizada, a clássica obra de Victor Nunes Leal, a saber: “Coronelismo, enxada e voto”, originalmente publicada em 1948. Aliás, bem poderíamos chamar o caso de: “Coronel Sapucaia, enxada e voto”!

A versão “modernizada” que assumo aqui é que a equipe de Caco Barcelos se deparou com um estranho movimento na cidade que indicava um suposto uso dos programas sociais do governo federal como mecanismo de “votos de cabresto”. Qual seja, os benificiários de tais programas, não teriam o direito do voto livre e do exercício da cidadania. Se for essa a perspectiva, neste município, os programas sociais não objetivam a materialidade de direitos, mas, sobretudo, a sobrevivência das elites políticas, tanto locais quanto nacionais.

Se evidenciou ali, a suposição de que os beneficiários de programas sociais só poderiam continuar a sê-lo, caso votassem na candidatura defendida pelas elites locais.

Uma clara suposição de compra de votos, ou o voto do cabresto! Aliás, tal situação parece ser recorrente: não é raro o relato de munícipes, como se fora folclore, episódios em outras eleições, de eleitores que seriam “trancados” em certo clube social na cidade paraguaia de Capitan Bado para que seus votos tivessem destinos certos de candidaturas! Tarefa para as/os historiadores!

A pergunta que fica do vil exemplo: não há como supor que tal movimento tenha ocorrido somente neste município! Em qual escala nacional tal fato se deu? Tanto que do empate do primeiro turno, o município consagrou como vencedor no segundo turno, Jair Messias Bolsonaro.

Não fosse a tese do retorno do “voto do cabresto” qual seria o resultado final desta eleição para o campo vencedor do pleito?

Diante de tudo, precisamos comemorar a vitória de Luís Inácio Lula da Silva! Foi uma eleição que a cidadania venceu. Venceu o direito da escolha livre, de as pessoas escolherem o projeto que mais acreditam! Se teve cerceamento do voto, coação de toda ordem com “voto de cabresto” e tudo, que as pessoas, nas suas cidades olhem com mais afinco as elites políticas locais e lhes digam: o voto é livre e programas sociais são para materializar direitos e não para cambalacho eleitoral.

Certamente tal fato valoriza ainda mais a vitória de Luís Inácio Lula da Silva e do campo democrático popular quando supomos quão coagidas as pessoas podem ter sido nos mais de cinco mil municípios existentes no país para que votassem no projeto que perdeu a eleição. Fica a lição!

(*) Maria Dilnéia Espíndola Fernandes é Profa. Dr.ª Titular e Pesquisadora Sênior da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Coordenação do Setorial de Educação do PT de Campo Grande, MS.

 

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