Livro “Novos Rumos para o Governo Lula” ganha 2° edição

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Por Página 13 (*)

Como parte das comemorações dos 30 anos da tendência petista Articulação de Esquerda, estamos publicando a segunda edição de alguns livros, entre os quais o  “Novos rumos para o governo Lula”, editado originalmente em 2004. Dedicamos uma menção especial a Ricardo Luiz de Castro (in memorian), responsável pela capa da primeira edição. A seguir, publicamos a apresentação da edição atual.

BOA LEITURA!

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Novos Rumos para o Governo Lula

Apresentação 2a edição

Dezembro 2022

A tendência petista Articulação de Esquerda completará trinta anos em setembro de 2023. Por este motivo, reeditamos recentemente o livro Socialismo ou barbárie. Aquele livro, cuja primeira edição data de 2002, reúne documentos publicados pela AE entre 1993 e 1999. Agora chegou a vez de reeditar o livro Novos rumos para o governo Lula, cuja primeira edição foi publicada em 2004, contendo as principais resoluções da tendência entre maio de 2000 e abril de 2004. À medida que as condições permitam, outras publicações virão à luz durante o ano de 2023.

O livro Novos rumos para o governo Lula inclui, entre outras, a resolução aprovada pela Quinta conferência nacional da Articulação de Esquerda, realizada em 2002. Esta resolução começa assim: “A eleição do presidente Lula foi obra da maioria do povo brasileiro, com expressiva participação da militância do Partido dos Trabalhadores. Pela primeira vez em sua história, o Brasil será governado por um dirigente de um partido de esquerda. Abrimos, assim, uma nova fase na história de nosso país e novas perspectivas para aqueles que combatem o neoliberalismo e lutam pelo socialismo, no Brasil e – dado o peso de nosso país – em todo o mundo.”

Por coincidência, esta reedição de Novos rumos está indo para a gráfica logo depois de Lula ter conquistado um terceiro mandato presidencial, no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Como há duas décadas, a grande responsável por essa vitória foi a militância que foi às ruas defender a eleição de Lula e das demais candidaturas das forças democráticas e populares, em particular das candidaturas petistas.

Entretanto, 2022 não é 2002. Uma das diferenças está na tempestuosa situação internacional, com destaque neste momento para a guerra entre Ucrânia e Rússia, parte integrante da guerra estratégica entre Estados Unidos e China. Um dos grandes desafios do terceiro mandato de Lula reside em achar os meios de, no contexto desta guerra estratégica, converter nossa região num dos polos do mundo. E para isso não basta prestígio diplomático, nem tampouco basta ser um grande exportador de primários; para converter o Brasil em um dos polos do mundo, é necessário muito mais capacidade científica, tecnológica, industrial.

Em 1980 o Brasil estava a caminho para converter-se numa grande potência industrial. Então tivemos a crise da dívida externa, a transição conservadora e os governos dos dois Fernandos neoliberais. Como resultado, o país veio se desindustrializando fortemente. Aí vieram os governos Lula e Dilma, que tentaram colocar um freio e até reverter o processo de desindustrialização. Tivemos então o golpe de 2016 e os decorrentes governos golpistas. E de quase potência industrial viramos subpotência agroexportadora e minério-exportadora, além de paraíso do capital financeiro. Em decorrência, mudaram a composição da classe dominante, a composição e as condições de vida da classe trabalhadora, o ambiente político e cultural no Brasil.

Foi nesse ambiente que os neoliberais vieram e seguem atuando e chantageando. Foi em reação a esse ambiente que a esquerda encabeçada pelo PT ganhou quatro eleições presidenciais entre 2002 e 2014 e agora ganhou novamente. Foi também nesse ambiente que os neofascistas vieram e ainda não foram embora.

Na eleição de 2022 impusemos uma derrota eleitoral aos neofascistas. Mas falta muito por fazer. Os neofascistas, seus nomeados e seus aliados continuam ocupando espaços importantes na administração federal; governam estados importantes; controlam parte importante do Congresso nacional, sem falar de prefeituras pelo país afora. Por isso, não basta a vitória eleitoral de 2022: se faz necessário impor uma derrota política completa aos neofascistas, o que supõe vencermos as batalhas eleitorais de 2024 e de 2026; desarmar os grupos paramilitares e de estabelecer outros comandantes, outra cultura e outro padrão de funcionamento às forças armadas e às polícias que foram colonizadas pelo neofascismo; construir, na maioria da nossa população, uma cultura democrática, popular, socialista, ao mesmo tempo nacionalista e internacionalista, antiimperialista e latinoamericanista. Tudo isso como parte de uma transformação estrutural e institucional da sociedade brasileira. Não haverá superação do neofascismo, enquanto não houver superação do neoliberalismo, uma nova institucionalidade, uma nova sociedade, uma nova economia política.

Por tudo isso e muito mais, um dos grandes desafios do terceiro mandato de Lula é servir de ponto de partida para uma nova “grande transição”, desta vez de subpotência agro-minério-exportadora para uma verdadeira potência industrial de novo tipo. Para que isso ocorra, será preciso travar e vencer um duplo combate, simultâneo e combinado, contra o neofascismo e contra o neoliberalismo. A grande questão é saber se o PT conseguirá dar conta desta tarefa.

Nossa história, inclusive nossa luta desde o golpe de 2016, reafirmaram o papel do Partido dos Trabalhadores como principal referência partidária dos trabalhadores com consciência de classe. Mas também é verdade que em nosso Partido acumulam-se problemas e debilidades imensas: anos de vida eleitoral e institucionalização partidária, as dificuldades dos movimentos sociais, a influência de concepções neoliberais e desenvolvimentistas-conservadoras, a perda da memória e da prática da vida coletiva, agravada pela profissionalização de atividades que antes eram realizadas de forma militante.

A campanha presidencial de 2022 foi vitoriosa porque recebemos o apoio dos setores mais pobres da classe trabalhadora, das mulheres trabalhadoras, dos negros e negras com consciência de raça e classe, da intelectualidade democrática, dos que lutam contra o fundamentalismo e contra todo tipo de preconceito, dos povos indígenas e dos quilombolas, da juventude que ocupou um maravilhoso espaço em todas as nossas manifestações, do “nordeste político-cultural” que existe não apenas na região geográfica que chamamos de nordeste, mas no “nordeste” que existe em cada região, estado e cidade de nosso país.

Para ir além da vitória eleitoral, nosso Partido precisa transformar essa base social e eleitoral, que se mobilizou para conquistarmos o governo, em base militante não apenas para defender o governo, mas também para lutar pelo poder e transformar o Brasil, num sentido democrático, popular e socialista.

É nisso que estamos, desde 1993. E é nisso que pretendemos seguir depositando o melhor de nossas energias e capacidades.

Valter Pomar, em nome da direção nacional da AE

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