Nota da Articulação de Esquerda sobre o processo eleitoral na Bahia

Nota da Articulação de Esquerda sobre o processo eleitoral na Bahia

Nota da Articulação de Esquerda sobre o processo eleitoral na Bahia

Ao longo dos últimos dias, a militância petista assistiu com indignação ao anúncio, através da mídia, da desistência da candidatura do Partido ao governo da Bahia. Por um lado, indignação da militância e, por outro, felicidade da direita dentro e fora do governo.

A forma escolhida no presente contexto para decidir os rumos do PT não é uma novidade, sendo recorrente a prática de primeiro anunciar na imprensa decisões que não passaram por deliberações partidárias.

Os impactos desastrosos da desistência de uma candidatura do PT ao governo da Bahia seriam sentidos em toda a disputa eleitoral do presente ano de 2022, reduzindo as bancadas petistas de deputados federais e estaduais, bem como tornando mais difícil a vitória para comandar o Palácio de Ondina.

Nos últimos 4 anos de governo Rui Costa, a forma escolhida para conduzir a política estadual na Bahia cada vez mais se aproxima das práticas neoliberais. Com retirada de direitos do funcionalismo público, fechamento de escolas, privatizações, omissão diante do desmatamento e dos interesses do agronegócio, bem como com declarações do governador que flertam com o conservadorismo e o extermínio da população negra. Nesse exato momento, em que se leva mais em conta interesses particulares do que os interesses gerais da classe trabalhadora, Rui Costa e Jacques Wagner demonstram que não é só na condução do governo que adotam posturas liberais.

Rui Costa e Jacques Wagner precisam recordar que só são figuras públicas hoje em razão do esforço coletivo da militância partidária. O Partido dos Trabalhadores ser submetido aos seus interesses pessoais, sem discussão nas devidas instâncias, seria uma grave demonstração da falência partidária, o que não pode ser aceito em hipótese alguma.

A articulação de Esquerda compreende que se abrem para o PT Bahia, no presente momento, dois caminhos: ou capitular ou reafirmar sua condição de partido da classe trabalhadora.

Nesse sentido, defendemos claramente que o PT tenha candidatura ao governo do estado, com ou sem Wagner, e que apresente para o conjunto da sociedade um programa eleitoral e um modo de governar democrático e popular.

Lutaremos nas instâncias por este caminho e esperamos que as principais lideranças petistas respeitem aqueles e aquelas que durante décadas fizeram destas lideranças o que são hoje.

Articulação de Esquerda Bahia, 26 de fevereiro de 2022.

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