Para continuar o projeto do campo popular

Para continuar o projeto do campo popular

Para continuar o projeto do campo popular

Para continuar o projeto do campo popular

Por José Gilderlei Soares (*)

A vitória do PT nas eleições estaduais de 2018, com a companheira Fátima Bezerra, representou uma mudança de paradigma: pela primeira vez no Rio Grande do Norte teríamos um governo do campo popular eleito.

Junto com a eleição de uma governadora de esquerda, as várias oligarquias que historicamente governaram o nosso estado tiveram significativas derrotas.

O governo encabeçado por PT e PCdoB enfrentaria enormes desafios pela frente. Era preciso colocar a máquina pública para funcionar num cenário onde herdamos o Estado quebrado, sem capacidade de investimentos, com quatros folhas de salários de servidores em atraso e dívidas com fornecedores.

Vencer esses desafios, em curto prazo, só seria viável se pudéssemos contar com apoio do governo federal; e a médio prazo, recuperando a capacidade de arrecadação através da melhora da nossa economia.

A primeira possibilidade, totalmente inviável, pelo fato de termos um desgoverno federal, insensível aos problemas de nosso país, da federação e do nosso povo.

A segunda possibilidade encontrou dificuldades diante da pandemia da covid-19, que levou milhares de vidas no país, agravada com o descaso do governo federal.

Mesmo com todos esses problemas, o governo do PT conseguiu fazer o que era considerado impossível, como quitar as quatros folhas de salários de servidores, que o governo anterior havia deixado e recuperar investimentos em áreas essenciais, como segurança pública, saúde e educação.

Também conseguiu concluir obras que estavam paradas e vem conduzindo de forma responsável o enfrentamento contra a pandemia, tendo por base a defesa do SUS e o respeito à ciência.

Se em um cenário totalmente adverso, conseguimos fazer muito, podemos supor que com um governo federal aliado, com a economia voltando a crescer e a pandemia sendo superada, faremos muito mais.

Temos percebido que o povo potiguar entende as dificuldades que encontramos e reconhece o que foi feito. O governo tem recuperado a avaliação positiva. Assim como a avaliação pessoal da governadora Fátima Bezerra.

A oposição tem encontrado enormes dificuldades de ajustar o seu discurso e de unificar em torno de um nome para seu projeto. Na falta de uma tática, usam de subterfúgios como uma famigerada CPI da Covid, na Assembleia Legislativa.

Para que possamos continuar nosso projeto de reconstrução do Estado é fundamental associar ao máximo a imagem de um segundo governo do PT no RN com o projeto que representará um novo governo federal de Lula.

Mostraremos que se o primeiro mandato foi para “arrumar a casa”, destruída pelas oligarquias, precisamos de um segundo mandato para avançar e desenvolver ainda mais o nosso estado, com políticas públicas que historicamente defendemos.

O segundo mandato será de recuperação da capacidade de investimento do estado e de fortes parcerias com o governo Lula. Existe espaço para que o povo potiguar entenda isto.

Neste sentido, é fundamental reeleger a companheira Fátima Bezerra em condições de fazer um segundo mandato melhor que o primeiro. E passar para o eleitorado que temos condições e vamos fazer isto.

Para que possamos fazer um segundo mandato melhor que o primeiro precisamos fazer uma campanha com ampla mobilização petista e dos setores que historicamente nos apoiaram.

Precisamos deixar bem claro como herdamos o Rio Grande do Norte e o que historicamente foi a gestão do Estado: um balcão de negócios. Deixar bem claro quem foram os responsáveis por isto. Mostrar o que temos feito e o que podemos fazer.

Teremos que criar algumas condições políticas: a) ampliar a presença na ALERN, reduzindo a dependência dos setores de direita; b) ampliar nossa bancada na Câmara Federal; c) manter o espaço no senado federal, com o nosso atual senador Jean Paul.

Conseguiremos isto se soubermos aproveitar o momento de fragilidade das oligarquias e partidos de direita.

Não podemos cair na armadilha de acreditar que só teremos chances de vencer as eleições estaduais em 2022 se nos aliarmos a algum setor das oligarquias. Aliás, se fosse o contrário, em um cenário que estes setores estivessem fortalecidos e a esquerda enfraquecida, não buscariam alianças conosco.

Se assimilarmos esta lógica, estaremos subestimando o peso do governo, da força pessoal da governadora, do PT e dos demais setores da esquerda, e subestimando o que será a mobilização da campanha do Lula.

Para que possamos vencer, em condições políticas de realizar um segundo mandato melhor que o primeiro, vamos ter que fugir de um mal acordo e enfrentar uma boa briga.

Nada garante que só venceremos a eleição com um palanque com setores oligárquicos do Estado. Como nada garante que vamos ser derrotados se não fizermos esse palanque.

O objetivo de realizar um segundo mandato melhor que o primeiro é profundamente contraditório com uma aliança com os setores que são responsáveis pelas péssimas condições que recebemos o governo estadual em 1 de janeiro de 2019. Será difícil convencer o povo potiguar a esse respeito.

Temos que estar abertos para construir aliança com setores que querem fortalecer um projeto de desenvolvimento para o nosso estado, enfrentando os setores que querem apenas voltar a ter condições melhores no jogo político, acumulando forças para retomar futuramente o governo estadual.

Se alguns desses setores quiserem apoiar Fátima, não vamos rejeitar o voto. Agora abrir espaço para eles na chapa majoritária deixará nossa base confusa. Desmobiliza e serve para fortalecer aqueles que estão enfraquecidos e querem voltar a ser protagonistas na política do Rio Grande do Norte.

O momento exige ousadia e a consolidação de um projeto de desenvolvimento do estado, ampliando espaço dos setores progressistas e reduzindo os espaços dos setores conservadores.

(*) José Gilderlei Soares é da executiva estadual do PT-RN.

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