A violência política de gênero

A violência política de gênero

A violência política de gênero

A violência política de gênero

Por Margarida Calixto (*)

A violência política de gênero, de raça e de classe no Brasil deve ser compreendida por meio sua formação sócio-histórica, ou seja, como parte do processo de surgimento do capitalismo mercantilista, do tráfico transatlântico de escravizados, do escravismo colonial, pela política dos coronéis na República Velha e pela democracia restrita que tivemos até os dias atuais com o golpe de 2016, cujas relações sociais foram marcadas pela intensa exploração e violência, que deixou marcas profundas e estruturais em nossa sociedade.

As lutas populares e, em particular a luta pelos direitos das mulheres, encontraram todo tipo de resistência e violência diante de uma sociedade patriarcal, machista e racista. Portanto, a violência política não é uma novidade, é parte de todas as sociedades de classes, adquirindo características peculiares em cada momento histórico e em cada localidade.

No Brasil atual, a violência imposta pelo governo neofascista é a expressão da política neoliberal e do sistema capitalista, que amplia a criminalização dos movimentos sociais, dos partidos de esquerda, com o aumento da desigualdade social, essência do programa econômico do Governo Bolsonaro, representado por Paulo Guedes. Isso foi agravado com a evolução da pandemia do COVID-19 e de suas variantes, que ainda apresenta riscos, principalmente para os setores mais vulneráveis da sociedade.

Desde o golpe de 2016, vivenciamos um processo político recorrente na história do Brasil, que são os golpes desferidos por uma elite que não suporta qualquer nível de melhoria nas condições de vida da classe trabalhadora, nem ampliação de direitos. Os ataques misóginos e racistas ampliam‐se por toda parte, reforçando a herança escravagista e patriarcal de nossa formação sócio‐histórica. Somado a essa herança de um país que manteve a escravidão de negras(os) por mais de 350 anos, com o contexto de avanço da extrema direita neofacista, nós mulheres trabalhadoras, negras, mulheres com deficiência, LGBTQIA+, nordestinas, campesinas, quilombolas, indígenas, imigrantes, refugiadas e demais mulheres, somos o polo mais vulnerável de uma sociedade autoritária, misógina que cultua o machismo e o ódio.  Exemplo disso está no áudio vazado de Arthur do Val (PODEMOS-SP), do MBL, pré-candidato ao governo do Estado, apoiado por Moro, que está na Ucrânia supostamente para participar da guerra, afirmou que as mulheres ucranianas “são fáceis, porque são pobres” revelam o pensamento machista e misógino de parcela considerável das elites brasileiras.

Em São Paulo, principalmente sob governos do PSDB, tivemos uma escalada da violência policial, aumento do feminicídio, violência contra negros e negras na periferia, violência contra os setores populares como foi o caso do Massacre de Pinheirinho, em que Geraldo Alckmin ampliou sua ficha corrida de crimes.

Em Campinas, essa herança violenta, que é exercida constantemente nas periferias, expressou‐se também na Câmara Municipal de Campinas, no dia 8 de novembro de 2021, quando um grupo de extrema direita, mobilizado por um vereador bolsonarista, produziu cenas lamentáveis de ofensas misóginas e racistas contra as/as parlamentares de esquerda, na recusa constante de moções contra a violência praticadas por policiais miliares e de ataques racistas contra parlamentares, além das ações higienistas praticadas pelo governo municipal de Dário Saadi.

O que está em curso é uma escalada da violência em suas mais diversas formas, expressando o atual estágio da luta de classes, em que os setores burgueses, apoiados pela grande imprensa, pelo judiciário, pelos partidos políticos de direita e de extrema direita buscam ampliar o grau de exploração da classe trabalhadora brasileira. Nesse contexto geral, há um crescente índice de violência contra mulheres, com destaque para o feminicídios de mulheres pretas. Por tudo isso, é fundamental ampliar a luta pela derrubada do governo Bolsonaro e de suas políticas, construindo um programa emergencial de empregos, de combate a fome, de ampliação de direitos, um Programa Democrático e Popular articulado com a construção de uma sociedade socialista, que supere as mazelas do capitalismo, do racismo e do patriarcado.

(*) Margarida Calixto é vereadora do PT na cidade de Campinas (SP)

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