Por Valter Pomar (*)

Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), é também coordenador da campanha de Lula no Rio de Janeiro.
Quaquá é, ainda, o patrono e principal eleitor do atual presidente do PT do estado do Rio de Janeiro (que concorre à deputado federal).
Além disso, Quaquá é vice-presidente nacional do PT, tendo sido um dos principais eleitores da chapa e do presidente que foram vitoriosos na eleição que escolheu, em 2025, a atual direção nacional do Partido.
Acumulando tantas funções e poderes, além de uma intensa atividade empresarial, é surpreendente ver e ouvir o que Quaquá diz num vídeo postado recentemente em suas redes sociais.
O vídeo pode ser assistido aqui:
https://www.instagram.com/reel/DdTphSaR-uK/?stkn=azB6NHh0MDBzeXlm
Não me surpreendo com o mérito das propostas que Quaquá apresenta no referido vídeo.
Sem dúvida, como diz Quaquá, Lula foi o que mais fez pelos evangélicos (embora não pelos motivos citados, mas sim pelos relativos a vida material). Por quais motivos, então, Lula não é, também, o mais querido?
Quaquá e outros parecem achar que o problema se resolverá, não pela conversa, mas pela “conversão”. A nossa.
Sua proposta de uma reunião com o BOPE vai na mesma linha “se não pode vencer, una-se a eles”.
Nada disto nunca deu e nunca vai dar certo, mas é coerente com a linha política adotada por Quaquá, de aproximação política e ideológica com setores da extrema-direita (Pazzuelo, Brazão e quetais).
A prova de que esse caminho não dá certo está em Maricá mesmo, onde ganhamos as eleições municipais, mas foi o cavernícola quem ganhou as últimas eleições presidenciais.
Não é nada disso, entretanto, que me surpreende no vídeo de Quaquá.
O que me surpreende mesmo é sua postura de “ombudsman de si mesmo”.
Afinal de contas, é público e notório que a campanha de Lula vai mal no estado do Rio de Janeiro. Todo mundo diz que as condições objetivas são melhores do que em 2022, mas a campanha não corresponde. Nesse contexto, espera-se de um coordenador que coordene, não que reclame no Instagram.
Claro que problemas parecidos há em todos os estados. Mas nem todos tem os meios de que Quaquá dispõe, como sabem os que acompanham seu intenso esforço para eleger uma bancada pessoal de deputados estaduais e federais, inclusive em outros estados do Brasil.
Materiais de campanha e mobilização, por exemplo: alguém tem dúvida de que Quaquá, se realmente quisesse, poderia ajudar a resolver o problema?
Já que gosta tanto do BOPE, Quaquá devia é “pedir para sair”. Vantagem: ele poderia continuar criticando. Mas pelo menos não posaria de hipócrita, defeito que até então eu não achava possível imputar a ele.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
