Eleição 2022: apontamentos sobre as eleições no Pará

Eleição 2022: apontamentos sobre as eleições no Pará

Eleição 2022: apontamentos sobre as eleições no Pará

Eleição 2022: apontamentos sobre as eleições no Pará

Por Marcelo Martins (*)

1. A vitória esmagadora de Helder Barbalho de 70,41% dos votos válidos sobre o bolsonarista Zequinha Marinho com 27,13% e as demais candidaturas juntas com 2,46% demonstrou o isolamento da oposição ao governador reeleito. Nem o PL do presidente Jair apoiou Marinho.

2. O Partido dos Trabalhadores do Pará apoiou a reeleição de Helder (MDB) em troca de apoio à eleição de Beto Faro (PT) ao senado. Outro ponto importante da aliança, foi o apoio de Helder à eleição do Presidente Lula (PT), ainda que formalmente apoiasse a candidata do seu partido, Simone Tebet.

3. O MDB foi o grande vitorioso no Pará, reelegeu Helder governador, elegeu 9 deputados federais, mais da metade da bancada federal, e 13 deputados estaduais, 1/3 da bancada estadual, além de já possuir um senador (Jáder Barbalho).

4. O PT do Pará manteve 1 vaga no senado (Beto Faro); manteve 2 cadeiras na câmara federal (Dilvanda Faro e Airton Faleiro) e elegeu 4 deputad@s estaduais (Dirceu; Elias; Maria e Bordalo), um a mais que em 2018.

5. No Pará Lula venceu tanto no 1° quanto no 2° turno das eleições. É seu 3° mandato presidencial, a quinta vitória eleitoral do PT, três vitórias de Lula e duas com Dilma Rousseff. Esse resultado não deixa de ser o reconhecimento de Lula e do PT de que fazem políticas que melhoraram a vida do povo brasileiro, através de programas populares e investimento no social. Ainda que mantendo o rentismo e a concentração de renda estrutural. Contudo, é unânime em relação a pautas como a igualdade racial (política de cotas), igualdade de gênero e política para mulheres, etc.

6. Dos partidos de esquerda e “centro”, somente o PT possui no Pará representação nas três casas parlamentares (senado, câmara federal e Alepa). O PSOL, do prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, o PSB de Cássio Andrade e o PDT de Giovane Queiroz ficaram sem representação na câmara federal, que ficou com a seguinte composição: MDB 9 vagas; PL 3 vagas; PT 2 vagas; PSD 2 vagas e União 1 vaga.

Bolsonaro, está derrotado, mas foi abatido?

7. Numa eleição com direito a cheque em branco (orçamento secreto), com 15,77% dos 5 bilhões de reais do fundo partidário, mais toda a máquina do governo, com todo aparelho de ódio das fake news, com direito a tiros, mortes, ameaças e intervenção da PRF em estradas do Nordeste, ainda assim, e por mais que tudo isso, Lula o PT e seus aliados tiveram uma vitória maiúscula; derrotar nas urnas o bolsonarismo, em primeiro e segundo turno, foi muito importante.

8. O silêncio sepulcral de quase 48 horas de Bolsonaro, as interdições de estradas e vias públicas por bolsonaristas, somado a sequência de atos de reconhecimento da derrota de boa parte dos seus principais aliados, como Tarcísio, Braga Neto, Mourão, Valdemar da Costa Neto, Lira, Alcolumbre, acabaram por jogar todos os holofotes de volta ao candidato derrotado, que luta para tentar controlar a narrativa sobre os fatos, uma vez que sua vida política caminha para um horizonte com barras de ferro.

9. Bolsonaro sabe muito bem das dezenas de crimes que cometeu, desde genocídio até “laranjal no Planalto”, enfim, há de tudo. Mas agora, que o foro privilegiado vai embora, tentou, com esse silêncio somado aos bloqueios das estradas, barganhar o seu futuro e o de sua famiglia. Jair relutou em dar uma declaração no Planalto, porém, cedeu em 1° de novembro. A mídia corporativa afirma que: “Antes de se pronunciar e depois de perder a eleição, Bolsonaro teria feito exigência ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Entre os pedidos estão o aluguel de uma mansão, assessoria jurídica e um cargo como conselheiro da legenda” (https://dol.com.br/noticias/brasil/779130/antes-de-falar-bolsonaro-exigiu-casa-salario-e-advogados?d=1)

10. Esses episódios demonstram que o verme foi derrotado, mas não morto. Infelizmente, o fascismo, a intolerância, as fake news e a ignorância orgulhosa, entre tantos outros efeitos nefastos, ainda permanecerão entre nós. E se não for Jair, outros podem buscar capturar o “gado solto” desse movimento. Estejamos atentos. E que o núcleo do governo Lula, tanto quanto o PT, estejam alertas e sabedores da importância de não dispersar toda a energia eleitoral vermelha, lulista e petista trazida pela campanha. Certamente, povo nas ruas é a melhor prevenção para tentativas de golpes e “atropelos institucionais” que virão.

11. Interessante destacar fala de Helder em entrevista após a vitória em 1° turno, na qual pontua, ter solicitado em contrapartida ao apoio dado ao Presidente Lula “três coisas”:

a) “A Amazônia e o Pará deixem de ser tratados como o almoxarifado ambiental, para a construção de um modelo sustentável e social. Cuidar das nossas vocações econômicas e preservando o meio ambiente”;

b) “Por outro lado nós precisamos olhar para as pessoas que aqui moram, que precisam de emprego, de oportunidade, comida na mesa, de programas de proteção social para essas pessoas” ;

c) “A energia elétrica, nós somos um Estado que produz e exporta energia para o Brasil e por outro lado somos a tarifa mais cara do nosso país. Não podemos continuar aceitando esse modelo que o sistema elétrico nacional tem estabelecido.” (https://www.youtube.com/watch?v=-caQGJcb-Y4&t=834s).

12. Os três eixos abordados pelo governador reeleito do Pará estão contidos na Carta da Amazônia, entregue pelo Fórum do PT Amazônia à Direção Nacional do PT em 10/05/2014. Apesar dos avanços ocorridos nos governos petistas de Lula e Dilma, e ainda em face ao 3° governo Lula, que se inicia em janeiro próximo, deve ser tarefa prioritária a proteção da floresta amazônica e seus biomas; combinar proteção ambiental com geração de emprego e renda; fazer cessar os garimpos ilegais, a extração ilegal de madeira e o agronegócio predatório, que desmatam, queimam a floresta, poluem os rios, além de agredirem a vida e a cultura das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Para alcançar esses objetivos será necessária uma grande articulação do governo com movimentos sociais da Amazônia, das cidades do campo e das florestas.

13. Passada eleição, deve-se seguir mobilizad@s e atent@s às movimentações bolsonaristas, na busca para identificar o perigo real dessas manifestações, quantidade de mobilizações, estradas e vias ocupadas, pessoas participantes, grau de radicalização, repercussão na sociedade, qual reação do aparato repressivo do Estado, quem comanda as manifestações e os setores sociais que participam. Enfim, seguimos em tempos de guerra e combate seja ao neofascismo, tanto quanto ao neoliberalismo – tanto faz ser dos o que nos apoiaram na eleição quanto o de oposição.

14. Por fim, e não menos importante, a candidatura da Articulação de Esquerda no Pará, Professor Leirson Azevedo, candidato a deputado estadual, ampliou muito sua votação e alcance em Belém, capital do estado, saímos de 2.225 votos em 2020 para quase 4 mil votos em 2022. Com muito esforço, indo de casa em casa, olhando nos olhos e ouvindo o povo falar.

15. Apesar da desenfreada compra de votos, pagamento de bocas de urna e uma infinidade de outras práticas fraudulentas, chegamos ao final de mais uma campanha, sendo a candidatura mais votada da Ilha de Mosqueiro (distrito de Belém). Nesse distrito, com mais de 50 mil eleitores, as candidaturas da Federação do PT somadas a do Psol, tiveram votação inferior à do Professor Leirson. O mesmo ocorreu com as candidaturas nominais da direita.

16. Destacamos a vitória de Lula no Pará, em Belém e também na imensa maioria dos municípios do Baixo Amazonas, Marajó e Nordeste paraense. Lula obteve no Pará 2.509.084 votos (54,75%) por2.073.895 (45,25%) que obteve o genocida. A luta continua!

(*) Marcelo Martins é militante petista do Pará

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